Uma dose samba, outra de otimismo
Redação DM
Publicado em 18 de junho de 2016 às 03:49 | Atualizado há 1 ano
Gosto é de fazer música e que ela seja boa e leve alegria, emoção, verdade e toque o coração das pessoas.” É este o maior legado que o compositor e cantor, ou melhor, sambista, Jorge Aragão pretende deixar para a Música Popular Brasileira, a tal MPB. Por isso, o artista, que conversou com DMRevista por e-mail ontem, prefere nem tocar em assuntos espinhosos – como política, por exemplo. “Isso só nos entristece”, escreveu, sugerindo risadas. Sua especialidade mesmo é fazer este povo sofrido celebrar a felicidade e o amor. Suas armas? Ah, ele não tem, prefere um bom samba e o característico ar serenidade sempre estampado no rosto. Esta alegria de viver – diante de tantas adversidades –, o músico promete espalhar em Goiânia no começo da tarde de hoje. O local é a Chácara Cedro Eventos, onde pretende entoar clássicos do estilo em uma roda de samba regada a muita feijoada, a partir das 12 horas.
Ele não faz a linha do sambista típico, aquele cheio das maladragens e fã de uma boa cerveja gelada. Álias, Jorge Aragão nem sequer bebe. Foi seguindo um caminho tranquilo e cheio de inspiração que construiu uma carreira sólida e fincou seu nome junto aos maiores sambistas brasileiros.
Nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro Padre Miguel, seus primeiros palcos foram em pequenos bailes e casas noturnas. E depois que Elsa Soares gravou seu samba Malandro, em 1976, conheceu as primeiras pegadas da fama, consolidada mais tarde, quando se juntou ao grupo Fundo de Quintal. Desde então se tornou ainda um compositor solicitado entre icônicos intérpretes de samba. Canções suas fizeram sucesso na voz de Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione, Martinho da Vila, e na sua, claro.
A carreira solo começou em 1981, quando gravou o primeiro disco e nunca mais parou de fazer coisas novas: em 30 anos de carreira já lançou mais de 20 álbuns. Suas faixas que ganharam a voz do público são várias. Você Abusou, Coisa de Pele e Identidade são só algumas delas. E todas elas marcaram devidamente o artista para sempre. Porém, na conversa que tivemos com o sambista, uma faixa é deveras emocionante. “Tenho um carinho especial por Coisinha do Pai, que fiz pra minha filha”, revela.
Samba local
Mas antes do poeta do samba liderar o ambiente com seus muitos e emocionantes clássicos, a festa contará com a abertura de representantes locais do gênero. Assim Grace Carvalho e Grupo Quero Mais também prometem esquertar a festa, com um repertório recheado de pérolas do estilo mais brasileiro que existe, que, aliás, este ano está completando 100 anos.
O dia será de samba? Sim, claro. Mas para quem gosta de música eletrônica também haverá espaço. Os DJs Daniel de Mello e Caik comandam as pick-ups com muito samba-rock, hip-hop e house.
Entrevista Jorge Aragão
DMRevista – Pode nos contar um pouco como será o repertório do show de hoje? As pessoas podem esperar os grandes sucessos?
Jorge Aragão – Cantar em Goiânia é sempre muito bom, povo receptivo e por mais que seja a capital da música sertaneja tem muitos sambistas e que curtem e cantam todas as músicas do começo ao final do meu show, e claro não vamos deixar nenhum sucesso fora do repertório.
DMRevista – Existe alguma palavra que define os shows que já fez por aqui?
Jorge Aragão – Emoção, acho que essa palavra define cada passagem minha por Goiânia. E, entre minhas idas até aí, o que posso contar é que sempre fico emocionado de ver pessoas da minha geração e dessa nova geração – já que música sofreu tantas mudanças – cantando todas as canções.
DMRevista – Este ano é comemorado o centenário do samba. Como você avalia este gênero na atualidade? Há uma nova geração de sambistas que realmente não vai deixar mesmo o samba morrer?
Jorge Aragão – Com certeza, o mercado hoje do samba, dos novos talentos vem crescendo e já se firmou e isso é importante pro nosso movimento. O samba velho e novo andam juntos, pois não existe um sem o outro. A rapaziada nova sempre vem buscar inspiração em quem chegou primeiro e isso fortalece e me deixa feliz em saber que o samba nunca vai morrer e não vai sair de moda.
DMRevista – Você tem algum samba preferido – seu ou de outro compositor?
Jorge Aragão – São tantos, mas acho que Papel de Pão e Coisinha do Pai, tenho um carinho especial até porque é uma música que fiz pra minha filha.
DMRevista – Você já revelou algumas vezes não fazer bem a linha do sambista estereotipado, das badalações e cerveja. Como surgiu esta sua relação tão verdadeira com o estilo?
Jorge Aragão – A música, essa é a grande culpada por eu estar hoje no cenário. Sou sambista nato, a boemia, as badalações fazem parte de tudo isso. Gosto de ver as pessoas se divertirem nos shows e uma das minhas alegrias é saber que levo, através da minha música, alegria pro nosso povo.
DMRevista – Seu último álbum foi o disco Coisa de Jorge, em 2007. Está planejando ou pensando em gravar algo novo. O que pode nos falar sobre os projetos para o futuro?
Jorge Aragão – Sempre estamos em clima de novidades, temos projeto para um novo CD e DV, que em breve falaremos.
DMRevista – No seu site diz que você tem uma verdadeira “sede” por informações. Isso quer dizer que é uma pessoa conectada à internet. O que mais te interessa nesse meio?
Jorge Aragão – Sim, gosto de tecnologia. Ela nos deixa atualizado e não nos deixa ficar ultrapassado com tantas novidades na música, etc.
DMRevista – Por mais que você seja dono de canções como “Festejar ou Você Abusou, você sempre mantém uma aparência tranquila e serena. Como não perder a ternura nesses dias tão complicados na política e com tanta intolerância?
Jorge Aragão – Esse é meu estilo de levar a vida, de levar a música, de compor… Falo de amor, falo de samba e do respeito que se deve ter um pelos outros, como pessoa, como sambista. Tenho que ter foco sempre ao compor, pois já vivemos num momento complicado em relação à política do nosso País, e nem gosto de entrar nesse quesito, pois isso só nos entristece (risos). Prefiro fazer música e que ela seja boa e leve alegria, emoção, verdade e toque o coração das pessoas. Essa é minha contribuição pra música popular brasileira!

Feijoada e Roda de Samba com Jorge Aragão
Quando: Hoje, a partir das 18h
Onde: Chácara Cedro Eventos (Rua Açaí, 61, nº 150, Parque Amazônia)
Informações: (62) 3088-4411
