Desativada 2

Vinho bem vindo

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2015 às 20:42 | Atualizado há 11 anos

Muitas são as dúvidas que envolvem o mundo do vinho: “Rolha ou tampinha?”, “o mais caro é melhor?”, “por que guardar as garrafas deitadas?”, “por que girar a taça e cheirar antes de tomar o primeiro gole?”. São tantas regrinhas e detalhes que apreciar um bom vinho acaba parecendo um verdadeiro ritual.É comum o sentimento de envergonha por não saber qual escolher dentre a grande variedade nas prateleiras, ou de não saber diferenciar um cabernet sauvignon de um merlot –ou pior: nem saber o que é isso. Mas não é preciso ser um sommelier para degustar ou conversar sobre vinhos. E muitos apreciadores de carteirinha nasceram da curiosidade acerca da bebida.

É o caso de Rafaela Brugger Bastos, 42 anos, fotógrafa e empresária, que é apreciadora de vinho há mais de dez anos e que sentiu seu interesse pela bebida se intensificar quando ingressou em uma confraria.

“Adoro saber curiosidades sobre o vinho. É um universo rico é muito interessante. Gosto muito de experimentar os sabores e aromas e de degustar. Minhas uvas preferidas são a Pinot Noir, para vinhos tintos e a Gewurztraminer para vinhos brancos. Gosto muito de espumante brut também”, conta Rafaela.

Para Rafaela, a teoria do vinho não é difícil, mas fascinante, pois a bebida está inserida na história da humanidade. “Quanto mais se estuda e pesquisa, mais interessante fica”, afirma.

Para não errar na hora de comprar um vinho, Rafaela aconselha que um sommelier seja procurado: “Diga a ele qual o motivo da compra do vinho, se é para presentear alguém, ou se é para acompanhar um jantar e qual prato será servido, como também as opções de preço. Uma pesquisa rápida na internet antes de sair para comprar também ajuda muito”.

Nas reuniões da confraria que participa, o vinho é sempre o personagem principal. Das vezes que foi anfitriã, Rafaela preparou aulas e momentos sensoriais com a bebida que surpreenderam os convidados. “Fiz um momento didático sobre mitologia grega/romana que envolve o vinho, falando sobre o deus do vinho, Dionísio, que, curiosamente, é o sobrenome da família do meu marido! (Isso sempre rende brincadeiras). Depois, eu coloquei todos os meus convidados sentados na mesa de jantar, servi um vinho escolhido a dedo e disse que a degustação seria com os ouvidos e não com o paladar e o olfato. Eu mandei todo mundo fechar os olhos, beber o primeiro gole e comecei a recitar poesias sobre o vinho de vários autores”, recorda.

Sobre o preço, Rafaela costuma desconfiar dos muito baratos, mas afirma que é possível encontrar vinho bom com preço em conta. “R$150,00 foi o máximo que já gastei com um vinho. Vinho é diferente de cerveja, troca-se a quantidade pela qualidade. Uma vez ou outra a gente se permite um luxo. Bem vez ou outra. Em tempos de crise a gente pesquisa mais e vai atrás de algo mais barato”, explica ela, e continua: “existem vinhos excelentes por aí, mas o bom vinho mesmo é aquele que casa com o gosto de cada um”.

Gilvane Felipe, 52 anos, que quase todos o fins de semana se permite apreciar um vinho, conta que a paixão pela bebida surgiu de sua incompatibilidade com as bebidas que seus amigos costumam apreciar: cerveja e cachaça. “Meu interesse aumentou quando me mudei para Paris, França, para estudar. Aproveitei minha estada por lá para fazer um curso com a duração de um ano de Introdução à Enologia, pela École des Vins de Bordeaux et Bourgogne de Paris. Está aí um dos diplomas dos quais pessoalmente mais me orgulho”, conta.

Ele explica que sempre lê e estuda sobre o assunto e que apesar de possuir ainda muitas dúvidas, sente prazer em conversar sobre a bebida. “Contudo, lamento que alguns ‘experts’ em vinho usem seu conhecimento para se exibir e, até mesmo para humilhar outras pessoas. O conhecimento deve sempre servir para iluminar, nunca para ofuscar as pessoas”, defende.

Para os que se sentem inseguros na hora de comprar um vinho, Gilvane sugere que procure dicas de alguém que realmente seja um iniciado na questão. “Se você gosta, procure você mesmo se iniciar, não acredite em quem lhe disser que é algo muito complicado. Acho que quando se estuda e se aprende sobre o vinho, o maior ganho é justamente não gastar muito para tomar belas e saborosas garrafas”, conclui.

Saiba mais

Curiosidades:Rede social para enófilos

Rafaela e Gilvane são usuários da rede social Vivino, para apreciadores de vinhos. Na rede social, os usuários postam fotos de rótulos e recebem, em segundos, várias informações sobre o vinho, além de poder seguir outros apreciadores e dar sua opinião sobre os que degustou. “No Vivino eu descobri que o cantor Leo Jaime é um super apreciador, sigo ele lá”, conta Rafaela.

Ela explica como funciona: “É um aplicativo gratuito. É preciso se cadastrar, par abrir uma conta, com foto e dados pessoais. Dentro dele, quando vou tomar um vinho, tiro foto do rótulo e posto no meu perfil. O Vivino escaneia a imagem e me dá todas as informações sobre o vinho: uvas, vinícola, características do vinho, valores, onde comprar, além opiniões de outras pessoas que estão cadastradas lá também. É possível enviar nossa opinião e dar o nosso ranking de estrelas, de 1 a 5. Posso seguir e ser seguido por outras pessoas dentro da rede. É outra forma interessante de aprender sobre o assunto”.

De acordo com informações retiradas do site “Vinho e gastronomia”, o Vivino nasceu no ano de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, a partir de uma frustração de Heini Zachariassen. Amante da bebida, Zachariassen tinha dificuldades em encontrar informações sobre vinho. Com isso, deu origem à ferramenta que objetiva auxiliar os amantes do vinho a obterem informações e compartilharem dados de forma rápida e fácil. Em 2011 foi criada a sua versão beta e, em abril de 2012, o aplicativo chega ao mercado.

Entrevista

Bate-papo com o especialista Tiago Alves de Oliveira, 34, sommelier de uma casa de vinhos de Goiânia:

DM: Vinho faz bem à saúde?

Tiago: Se consumido com moderação, o vinho faz muito bem à saúde.

DM: Vinho velho é melhor?

Tiago: Depende do vinho. Existem vinhos que são para o dia-a-dia , que são de safras mais novas, no mínimo de cinco anos. E existem os vinhos de guarda, que exigem um cuidado maior.

DM: Por que guardar as garrafas deitadas?

Tiago: Porque a rolha fica úmida e não entra oxigênio. Assim o vinho não oxida e nem corre o risco de vinagrar.

DM: Rolha ou tampinha?

Tiago: Os dois. As rolhas de cortiça estão quase extintas. As rolhas sintéticas e as “srew cap” são mais populares. Todas preservam a qualidade do vinho, mas o preconceito ainda é grande.

DM: Por que tantos rituais para apreciar a bebida (cheirar, rodar o copo, etc)?

Tiago: São fundamentos básicos para degustar o vinho. Varia de acordo com quem vai degustar o vinho e com a ocasião.

DM: Posso guardar garrafas pela metade?

Tiago: O certo é não guardar porque o vinho pode perder a qualidade, podem oxidar. É bem melhor beber toda a garrafa com uma bela companhia.

DM: Não gosto de vinho seco. E agora?

Tiago: Vinho bom é o que você gosta, independente de safra ou valor. O importante é o vinho dar prazer, agradar o seu paladar.

DM: Por que tanta variação de preço?

Tiago: Impostos e o valor do dólar influenciam bastante no preço do vinho.

Enólogo, enófilo, sommelier

Ao penetrarmos no mundo dos vinhos, alguns termos desconhecidos reforçam a impressão de que o assunto é inacessível ou difícil. É o caso dos termos “enólogo”, “enófilo” e “sommelier”. Mas essa é a impressão à primeira vista. Depois de assimilados, os termos entram para a família:

Enólogo: É o profissional responsável pelo processo de produção do vinho, desde a análise do solo até técnicas de colheita das uvas e a transformação da fruta na bebida. Normalmente são formados em Agronomia, com especialização na área, já que no Brasil existem poucas universidades que oferecem o curso de enologia.

Sommelier: É o profissional que trabalha em bares, restaurantes, adegas e afins, e que possui grande conhecimento em bebidas em geral. Ele auxilia na compra de mercadorias, na montagem de cardápios, na harmonização de vinhos com comidas e no atendimento aos clientes.

Enófilo: É o único que não precisa de curso profissionalizante, pois é qualquer pessoa que se interessa pelo assunto, faz anotações sobre os vinhos que já bebeu, participa de confrarias. Para ser enófilo basta gostar e apreciar um bom vinho.

Saiba mais

Para não se perder nas prateleiras:

Com tamanha variedade de uvas e e tipos de vinhos, poucos são os que não perdem horas em frente às prateleiras para escolher o vinho perfeito. Conheça os principais tipos de uvas que você encontrará no mercado:

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia