Esquema de agiotagem com PMs em Goiás envolve tortura, ameaças e orações por dinheiro
Redação Online
Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 16:58 | Atualizado há 7 meses
A vítima, não identificada, apareceu caída sobre uma poça de sangue
A Polícia Civil de Goiás desarticula um grupo de agiotagem que age em Luziânia e opera com extrema violência. Três policiais militares, uma advogada e empresários participam do esquema, que inclui agressões gravadas pelos próprios suspeitos e rituais de “benção” sobre dinheiro obtido ilicitamente.
Entre os detidos está o sargento Hebert Póvoa, apontado como chefe da organização. Em um dos vídeos apreendidos, ele entra na casa de uma mulher endividada e a agride com tapas enquanto a humilha e ameaça. Armado, ele toma o celular da vítima e a intimida diante da câmera.
Outro registro mostra a advogada Tatiane Meirelles, esposa de Póvoa, ao realizar uma oração sobre o dinheiro arrecadado nas cobranças. Ela agradece pela “prosperidade” e pede que quem receba as quantias tenha “gratidão”, apesar da origem criminosa do montante.
Em vídeo divulgado por emissoras locais, Tatiane espanca um homem ajoelhado com um taco de beisebol enquanto um comparsa reforça ameaças. A Polícia Civil aponta que ela participa ativamente das cobranças e fornece apoio jurídico à quadrilha.
Além dos policiais Hebert Póvoa, José Ronan Ferreira Lustosa e Miguel Roberto Mendonça, a investigação identifica empresários que financiavam a operação: José Lindolfo Meirelles, Daniel Alpha Lopes e Edson Alpha. O grupo teria movimentado mais de R$ 7 milhões em dois anos.
Os agentes encontram, na residência do casal, quatro celulares, armas, simulacros de pistola, um taco de beisebol, máquina de cartão, talões de cheque e cerca de R$ 22 mil em espécie. As prisões ocorrem após meses de investigação.
Os policiais militares ficam detidos no presídio militar de Goiânia, enquanto Tatiane e os empresários permanecem presos em unidades de Luziânia. A PM afirma que afastou os envolvidos e colabora com as investigações. A Polícia Civil busca outras possíveis vítimas.
Foto: Reprodução