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Ranger Black: Ford acertou a mão com sua picape urbana

Impressões ao dirigir a versão toda preta de visual bonito e baixo consumo.

diario da manha

A Ranger Black foi o primeiro lançamento da Ford no período pós fechamento de suas fábricas no Brasil, em janeiro passado, quando a marca assumiu o papel de importadora. Fabricada na Argentina, de onde vem a linha completa da picape, a versão toda preta da Ford chegou causando boa impressão nos consumidores do modelo.

A Ford Ranger Black, de perfil eminentemente urbano, oferece como diferenciais detalhes exclusivos de acabamento. Além da cor preta predominante, a picape de visual agradável chegou ao mercado em um momento nada confortável para a marca. Afinal, o ano de 2021 começava muito ruim para a Ford no Brasil.

O anúncio do fechamento das fábricas no País pegou os consumidores de surpresa, causando incertezas e insegurança sobre o futuro da marca. Aos poucos, o clima ruim criado pela decisão de encerrar as atividades no Brasil foi sendo minimizado pela confiança passada na manutenção dos negócios no País.

Boas notícias

A importação da Ranger Black foi uma das boas notícias. A versão urbana estreou no mercado com todas às 100 unidades destinada à pré-venda negociadas. Era o primeiro bom sinal do crédito que a Ford estava recebendo dos seus consumidores, embora a picape sempre viesse da vizinha Argentina e sua comercialização em nada fosse afetada no País.

O acerto da Ford para trazer a Ranger Black se deu até mesmo na opção pelo econômico motor Duratorq 2.2, quatro cilindros, turbodiesel, de 160 cv de potência e 39,2 kgfm de torque, ideal para rodar nas grandes cidades. O propulsor está acoplado à transmissão automática de seis velocidades.

A decisão de abolir os propulsores flex na linha alavancou as vendas do modelo, cujo sucesso deve ser considerado também ao fato de manter os preços próximos das versões flex dos concorrentes.

As vendas das picapes flex deixaram, segundo a Ford, de representar um bom negócio e a opção pela exclusividade do diesel foi um plus nas vendas da picape.

A Ranger consolidou-se como o modelo mais vendido da Ford em 2021 e a versão Black, apresentada em março, deu um empurrão surpreendendo nas vendas. A receita de uma picape urbana “pretona” e diferenciada no acabamento deu certo. A melhor resposta veio no pior momento.

Avaliação

A versão Black, avaliada pelo DMAutos, veio como uma aposta para uso nos centros urbanos. A picape, fabricada em Pacheco, não tem opcionais, custa atualmente R$ 199.190 e tem garantia de cinco anos.

Longe ainda de ser líder, a Ranger cresce nas estatísticas e já é vista mais de perto pelas primeiras colocadas S10 e a Hillux.

Todas as versões da Ranger são equipadas com motor turbodiesel, com preços equivalentes às versões flex das concorrentes Toyota Hillux e Chevrolet S10. Esse detalhe torna a picape da Ford bastante competitiva no mercado, o que é confirmado pela excelente aceitação do produto no mercado brasileiro.

Versão intermediária, a Ford Ranger Black posicionada acima da versão XLS 2.2 4×4 e abaixo da XLT 3.2 4×4. É a versão mais completa entre as equipadas com motor 2.2. Ainda acima da Black, além da XLT 3.2 4×4, estão as versões Storm, XLT e Limited, todas equipadas com motor 3.2 e tração 4×4.

Toda preta

Não há um detalhe sequer que a Black não tenha a cor preta, exceto na parte de iluminação dos faróis e lanternas e do cinza na logo e no nome Ranger na tampa da caçamba. O preto Gales perolizado da carroceria chama a atenção pela combinação com todo o projeto. Nas peças, como santoantônio integrado à carroceria, rack de teto, rodas e grade frontal, o preto é sólido.

A capota marítima elétrica, que veio de série apenas nas 100 primeiras unidades, é uma exclusividade da Ranger Black. Vendida como acessório, tem um custo alto (na casa dos R$ 8 mil) e protege a bagagem da poeira e chuva. Seu acionamento elétrico é feito por um alarme a parte e não diretamente na chave de acionamento do motor. O porta-malas tem capacidade para 1.180 litros.

 A versão pegou o santoantônio, rack de teto, rodas de liga leve de 18” e os bancos de couro da versão Limited. Já os estribos plataforma e as lanternas escurecidas vieram da versão aventureira Storm. Para circular bem nas cidades, os pneus utilizados são 265/60, de perfil urbano.

A versão Black, baseada na XLS, foi desenvolvida para os centros urbanos, onde as tecnologias de segurança e comodidade são essenciais e a tração 4×4 é dispensável. Com preço de R$ 199.190, a Ranger Black custa R$ 9,4 mil a mais do que a Ranger XLS 2.2 4×2, menos equipada. Em relação à XLS 2.2 4×4 é R$ 17,7 mais barata.

Ford Ranger Black: baixo consumo

Durante a avaliação com a Ranger Black, chamou a atenção o baixo consumo do motor 2.2 turbodiesel de 160 cv. O propulsor é um pouco preguiçoso nas saídas e deixa a desejar retomadas, mas se quiser melhorar significativamente a acelerada é só acionar o modo Sport.  Contudo, sendo uma proposta urbana, compensa no baixo consumo.

Na cidade o consumo ficou na casa dos 9,8 km/l, enquanto na rodovia chegou a registrar 13,3 km/l. Dá pra ir de Goiânia a São Paulo com um tanque cheio (80 litros de capacidade) e ainda sobra uma boa beirada de diesel.

A Ranger Black é silenciosa, graças ao bom trabalho de acústica. A direção é bastante leve por conta da assistência elétrica. A versão toda preta da Ranger conta com sete airbags, incluindo o de joelho para condutor.

A versão Black traz um bom pacote de tecnologias, mas internamente o conforto peca no uso plástico duro em boa parte do acabamento. A chave de partida ainda é de girar e o freio de mão de alavanca.

Equipamentos

A lista de equipamentos inclui ainda ar-condicionado de dupla zona, piloto automático, controle de tração e estabilidade, controle adaptativo de carga, sistema anticapotamento, sistema de controle de reboque e assistente de partida em rampa, ganchos Isofix para cadeirinha, sensores e câmera de ré.

O FordPass Connect, sistema que liga a picape ao smartphone via QR Code, Bluetooth e internet, garante mais comodidade. Entre elas a de acionar na tela do celular a partida remota, climatização remota, verificação do nível de combustível, chamada de socorro em emergência e serviços do tipo concierge. A central multimídia é o SYNC 3 com tela touch de 8 polegadas.

A capacidade de imersão da Ranger Black 2022 é de 800 mm. É a maior da categoria. Esse detalhe torna a picape bastante útil numa condição de alagamento na cidade. A Ranger mede 5,35 meros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,81 metro de altura e entre-eixos de 3,22 metros.

Tração

Apesar de urbana, a Ranger Black tem bom desempenho na terra. Os equipamentos de segurança estão sempre prontos para enrrem em ação, como os controles de estabilidade e tração. O problema é que, se o trecho percorrido precisar da tração 4×4 para transpor obstáculos, as dificuldades serão bem maiores.

Quem vai na frente não sente a falta de uma suspensão mais calibrada. No banco de traz, porém, as imperfeições incomodam um pouco os passageiros. Nada que uns 200 kg de peso na carroceria não garantam um pouco mais de conforto para aqueles que estão sentados praticamente em cima do eixo traseiro rígido e feixe de molas.

Na soma dos prós e dos contra, a Ford Ranger Black é resultado de uma boa receita. Tem visual que se destaca rodando na cidade, boa de dirigir e surpreende pela economia de diesel. Se o interessado não se importar de ter que procurar uma vaga para estacionar que caiba a picape, pode investir na Black.

Ficha Técnica: Ford Ranger Black Cabine Dupla

Motor: 4 cilindros, 2.2 litro, turbodiesel
Potência: 160 cv a 3.200 rpm
Torque: 39,2 mkgf entre 1.600 rpm e 2.500 rpm
Câmbio: Automático, seis marchas
Tração: Traseira (4×2)
Comprimento: 5,35 m
Largura: 1,86 m
Altura: 1,81 m
Entre-eixos: 3,22 m
Volume da caçamba: 1.180 litros
Peso (ordem de marcha): 2.032 kg
Carga útil: 1.168 kg
Capacidade de reboque: 2.750 kg
Altura em relação ao solo: 23,2 cm
Pneus e rodas: 265/60 R18, liga leve
Capacidade de imersão: 800 mm
Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)
Tanque de combustível: 80 litros
Preço: R$ 199.190

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