CARDE inicia exposição sobre os 70 anos da Romi-Isetta
Norton Luiz
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 12:01 | Atualizado há 2 horas
Mais de 120 carros clássicos, mobiliário de artistas renomados e mais de uma centena de obras de arte, entre quadros, esculturas, joias e peças históricas. O CARDE, em Campos do Jordão, há 170 quilômetros de São Paulo, acaba de ultrapassar uma marca importante em seu recente tempo de vida.
Próximo de completar dois anos desde sua inauguração, em novembro de 2024, o museu – projeto da Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA) que conta a história do Brasil e do mundo, tendo os automóveis como fio condutor – registra a visita de mais de 200 mil visitantes.
“Nossa meta é de transmitir conhecimento e cultura, seja pelas obras de arte ou até mesmo por meio de automóveis que marcaram a infância, trazem lembranças de viagens de família ou que representaram momentos importantes de diversas épocas. Eles são responsáveis pela ligação que transforma o CARDE em uma experiência única”, afirma Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar.

Para celebrar essa marca, o CARDE acaba de iniciar uma exposição temporária em homenagem aos 70 anos do início de produção da Romi-Isetta, um dos carros mais icônicos já produzidos no Brasil. A exposição, que acontece até 12 de outubro, apresenta ao público não apenas um automóvel que marcou a história da indústria brasileira, mas também todo o contexto histórico, tecnológico e social que envolveu sua chegada ao País.
A mostra pretende mostrar como a Romi-Isetta se tornou um símbolo da industrialização e da capacidade de inovação nacional, contribuindo para a preservação dessa memória para as futuras gerações.
Além dos modelos expostos, o visitante poderá conhecer o Centro de Referência e Pesquisa do museu, espaço onde a história ganha forma por meio dos documentos preservados pela Fundação Romi. Nesse ambiente, os visitantes têm contato com projetos técnicos, desenhos, registros históricos, fotografias e documentos originais que ajudam a compreender os bastidores da produção da Romi-Isetta e os desafios enfrentados pela indústria nacional durante sua consolidação.
Entre os modelos expostos está a 1959 Romi-Isetta 300 de Luxe. Detentor do título de primeiro automóvel de passeio fabricado em série no Brasil, o carismático Romi-Isetta teve sua produção iniciada em junho de 1956. O projeto do pequeno veículo utilizava como base o conceito e o grupo mecânico do microcarro italiano Iso Isetta, revelado três anos antes no Salão de Turim.

Construído, sob licença, pelas Indústrias Romi S.A., em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, apresentava soluções originais até então nunca vistas pelo público brasileiro.
O Romi-Isetta tinha apenas uma porta, localizada na parte frontal da carroceria, com volante e painel de instrumentos integrados e de movimentação conjunta, facilitando o acesso dos ocupantes. Econômico, oferecia autonomia de 25 quilômetros por litro de gasolina e alcançava a velocidade máxima de 85 quilômetros por hora. Em 1959, após o término do contrato com a Iso, chega ao mercado a versão 300 de Luxe.
Equipada com nova motorização, fornecida pela BMW, mantinha o rendimento da versão anterior, porém, diferenciava-se pelo maior torque, potência e conforto. Em comparação com a geração precedente, distinguia-se também por pontuais detalhes estéticos externos.
Estima-se que entre 1956 e 1961, último ano de produção, pouco mais de 3 mil unidades teriam sido fabricadas, sendo altamente colecionáveis os exemplares sobreviventes.

Carro, Arte, Design e Educação não só emprestaram suas iniciais para formar o acrônimo CARDE, mas também são os pilares que representam o que esse museu genuinamente é. São ambientes imersivos, divididos de acordo com as décadas dos anos 1900, com fatos e histórias marcantes. Cada ambiente foi montado a partir de detalhado estudo histórico para somar referências de época.
O CARDE conta com centenas de obras de arte espalhadas pelo museu, entre quadros, gravuras, joias e esculturas, de artistas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, José Zanine Caldas, Frans Krajcberg, Vik Muniz, Oswaldo Teixeira, Djanira da Motta e Silva, Agostinho Batista de Freitas, Heitor dos Prazeres, José Antônio da Silva, Niccolò Frangipane, Yutaka Toyota, entre outros, que auxiliam na construção de uma visão clara sobre cada momento de nossa sociedade no século 20.
O detalhismo do cenário, complementado pela iluminação teatral e vídeos que misturam beleza, riqueza e informação, transformam o CARDE em algo único.
Com o intuito de tornar a visita ampla em conhecimento, o museu conta com duas dezenas de monitores, jovens egressos da Fundação Lia Maria Aguiar, que estudaram em detalhes cada peça apresentada. Eles acompanham o visitante pelo percurso, oferecendo informações precisas e conduzindo-o entre automóveis, obras de arte e objetos que carregam importantes capítulos da história.
Museu já conta com três relevantes reconhecimentos internacionais
Mesmo recente, o CARDE já é reconhecido internacionalmente com premiações importantes. Nos últimos dois anos, obteve três vitórias em dois dos mais relevantes eventos de antigomobilismo do mundo. Na Monterey Car Week, na Califórnia (EUA), o museu foi triplamente premiado.

Em 2025 o CARDE representou o País de forma pioneira no Pebble Beach Concours d’Elegance, um dos principais eventos de antigomobilismo do mundo, e saiu de lá com o troféu “Lap of Luxury”, que reconheceu o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928, como o veículo mais luxuoso entre os participantes. Na mesma semana, durante o The Quail, outro evento de classe internacional, a Ferrari F50 1995 levou o prêmio máximo na categoria que celebra os 30 anos do superesportivo italiano.
Além da rigorosa originalidade e do estado de conservação impecável, o exemplar exposto no museu CARDE se destacou diante de outros 16 representantes do modelo por sua exclusividade, já que se trata do segundo de três protótipos construídos antes da produção das 349 unidades destinadas ao mercado.
Já em 2026, o carro do CARDE premiado na 75ª edição do concurso de elegância de Pebble Beach foi o italiano Isotta Fraschini Tipo 8A Cabriolet d´Orsay, de 1925, com o segundo lugar em Clássicos Europeus acima de 4 litros, categoria pré-guerra das mais concorridas do evento.

Serviço – Exposição Romi-Isetta 70 anos
Data: até 12 de outubro
Serviço – CARDE
Abertura ao público: 28/11/2024
Horário de funcionamento: das 10h às 18h, com entrada permitida até 16h30
Fechado: terças e quartas-feiras
Ingressos: R$ 160,00 (entrada inteira) e R$ 80,00 (meia entrada)
Endereço: Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Alto da Boa Vista,
Campos do Jordão – SP, CEP: 12.472-610
Site: www.carde.org
E-mail: [email protected]
Instagram: @carde.museu
Telefone: (12) 3512-3547