Acordo com Marrocos garante 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 11:48 | Atualizado há 57 minutos
Acordo busca reforçar o abastecimento de fertilizantes no Brasil para a próxima safra | Foto: Embrapa
O Brasil deve contar com um reforço importante no abastecimento de fertilizantes fosfatados para a safra 2026/2027. O Marrocos se comprometeu a fornecer cerca de 3,8 milhões de toneladas do insumo ao país, volume que representa aproximadamente 76% do déficit estimado pelo governo brasileiro.
A necessidade brasileira é calculada em 5 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados. A ampliação do fornecimento busca reduzir o risco de falta do produto e dar mais segurança aos produtores em um período de instabilidade no mercado internacional.
O compromisso deverá avançar oficialmente durante uma viagem do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a Rabat, capital marroquina, prevista para o início da próxima semana. A negociação ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelo mercado global, que tem sido afetado por conflitos geopolíticos, problemas logísticos e aumento dos custos das matérias-primas utilizadas na produção dos fertilizantes.
Acordo também prevê abertura para carne bovina
A negociação entre Brasil e Marrocos não se limita ao setor de fertilizantes. O entendimento também prevê uma mudança nas condições de entrada da carne bovina brasileira no mercado marroquino.
O país africano deverá retirar a tarifa de importação aplicada à proteína brasileira. A medida pode melhorar a competitividade dos exportadores nacionais e ampliar o espaço da carne brasileira no mercado do Marrocos.
A expectativa é que a redução da barreira comercial contribua para aumentar o fluxo de negócios entre os dois países, criando novas possibilidades para empresas brasileiras do setor de carnes.
Dependência de importações mantém setor em alerta
A busca por novos fornecedores ocorre porque o agronegócio brasileiro ainda depende fortemente do mercado externo para garantir os fertilizantes utilizados nas lavouras. Mais de 80% dos insumos consumidos no país são importados.
Entre eles estão os fertilizantes fosfatados, fundamentais para o desenvolvimento das plantas e para o rendimento de culturas como soja, milho, algodão, trigo e cana-de-açúcar. Uma interrupção na oferta pode elevar os custos para os produtores e, consequentemente, aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos.
Nesse cenário, o Marrocos ocupa uma posição estratégica. O país possui algumas das maiores reservas de fosfato do mundo, matéria-prima utilizada na fabricação dos fertilizantes, e está entre os principais fornecedores internacionais desse produto.
O novo compromisso também acontece enquanto os preços dos fertilizantes permanecem pressionados. Algumas cotações tiveram quedas pontuais, mas a oferta de matérias-primas, incluindo o enxofre, continua limitada, enquanto as instabilidades no comércio internacional dificultam uma redução mais ampla dos custos.
Para o Brasil, ampliar a relação comercial com o Marrocos pode ajudar a diversificar as fontes de importação e diminuir a dependência de determinados mercados. A estratégia também pode reduzir a exposição dos produtores às oscilações de preços e a eventuais crises de abastecimento.
Para que o volume anunciado tenha impacto efetivo na próxima safra, entretanto, ainda será necessário colocar em prática as etapas comerciais e logísticas da negociação. O cumprimento do calendário de entrega será fundamental para garantir que os fertilizantes cheguem ao país no período necessário para atender os produtores.