Economia

Consultor alerta: dólar a R$ 3,30 pode estar barato

Redação DM

Publicado em 7 de abril de 2015 às 03:00 | Atualizado há 11 anos

Nos últimos dias, as manchetes dos jornais e o noticiário de rádios e televisões deixaram bem claro: vivemos uma explosão do dólar, que alcançou a marca de R$ 3,30 esta semana. Mas será? Qual é o valor correto para o dólar? Está alto demais, ou ainda baixo? Uma boa maneira de entender se a cotação do dólar está realmente muito alta é analisar um pouco o passado do câmbio no Brasil. Segundo Marcelo Maron, consultor de finanças pessoais e diretor do Grupo PAR, em 1994, com a implantação do Plano Real, a cotação do dólar no Brasil passou a ter paridade com a do dólar. Um real equivalia a um dólar:

“Calculando a inflação nos Estados Unidos entre 1994 e 2015, chegamos a um índice de 57,7%, o que significa hoje que precisaríamos de US$ 1,58 para comprar a mesma coisa que comprávamos em 1994 com apenas 1 dólar. Já a inflação brasileira de 1994 a 2015, segundo o IGPM da FGV, chegou a 511,35%, o que significa que hoje preciso de R$ 6,11 para comprar o que eu comprava com 1 real em 1994. Fazendo essas contas, e preservando os poderes de compra dessas moedas em 1994, o valor “justo” para o dólar hoje, em março de 2015, seria de R$ 3,87. Portanto, por estas métricas, o dólar hoje poderia ser considerado ainda barato”, explica Maron.

Segundo o consultor, a percepção de que o dólar está caro se deve, em boa medida, ao fato de que a moeda norte-americana andou barata demais por muito tempo, o que criou uma certa ilusão nas pessoas:

“Com a enxurrada de dólares no mercado, provocada pela emissão maciça de moeda feita pelo governo dos EUA para aplacar a crise de 2008, o valor da moeda caiu não só aqui no Brasil, mas no mundo. Hoje vivenciamos um movimento reverso, ou seja, com as medidas norte-americanas para cessar a emissão maciça de dólar, começamos a ver o encarecimento dessa moeda no Brasil e no mundo”, explica.

No caso brasileiro, assinala Maron, há ainda a considerar o desequilíbrio das contas públicas, que leva muita incerteza ao mercado financeiro: “Até alguns meses atrás, muitas empresas trouxeram dólares para investir no Brasil. Imagine uma empresa que trouxe US$ 1 milhão quando a cotação era R$ 2,00. Neste caso, a empresa investiu no Brasil o equivalente a R$ 2 milhões. Com a alta do dólar para R$ 3,30, se a empresa quisesse repatriar esses R$ 2 milhões, compraria apenas US$ 606 mil, o que significaria uma perda de recursos superior a 30%. Essa pressão está levando muitas empresas a comprarem dólares para diminuir o tamanho do prejuízo no futuro, caso o real perca ainda mais valor”, explica Maron.

Segundo Maron, o pior para essas empresas não é se o dólar está caro ou barato, mas a alta volatilidade em um cenário onde o Brasil pode, ainda, perder o grau de investimento, o que fatalmente levaria a uma saída ainda maior de dólares e, portanto, o aumento do valor da moeda dos EUA: “Seria melhor ter um dólar alto com estabilidade e confiança do investidor, do que assistirmos a uma desvalorização de mais de 20% em apenas 3 semanas, sem ainda ter ideia de onde é o fundo do poço”, alerta Maron.

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