Crise no Banco Master expõe suspeitas de fraude e fragilidades na regulação de bancos médios
Léo Carvalho
Publicado em 19 de novembro de 2025 às 11:05 | Atualizado há 7 meses
O Banco Central decretou, nesta terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida acompanha a Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que levou à prisão de Daniel Bueno Vorcaro, de 42 anos, principal controlador da instituição, por suspeita de emissão fraudulenta de títulos e gestão irregular.
De acordo com o Banco Central (BC), a crise de liquidez do Master é grave e há “violação significativa” das normas do sistema financeiro. A instituição havia emitido CDBs com remuneração muito elevada, algumas aplicações chegavam a 140% do CDI, o que atraiu muitos investidores, mas também despertou suspeitas regulatórias.
A PF cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, e bloqueou mais de R$ 12 bilhões em bens relacionados a Vorcaro. Foram apreendidos carros de luxo, obras de arte, relógios e grande quantia em dinheiro. As investigações apontam para “carteiras de crédito insubsistentes”. Segundo a polícia, algumas operações seriam fictícias, usadas para lastrear títulos emitidos pelo banco.
Prisão de Daniel Bueno Vorcaro
Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de segunda-feira (17), quando tentava deixar o país a bordo de uma aeronave particular. A prisão foi decretada com base em suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e gestão temerária.
Para conduzir a liquidação, o BC nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante. A empresa será responsável por avaliar os ativos do banco, levantar os credores e definir como será feito o pagamento.
Ressarcimento pelo FGC
O episódio gira atenção para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e estima-se que, para cobrir os valores garantidos pelo fundo, poderá haver desembolso de até R$ 41 bilhões. Aproximadamente 1,6 milhão de correntistas e investidores podem ter direitos a ressarcimento dentro do limite legal, mas aqueles com aplicações superiores ao teto (R$ 250 mil por CPF ou CNPJ) correm o risco de não receber tudo.
A negociação entre o Master e o BRB, que pretendia comprar parte do banco, já havia sido alvo de investigações. A proposta incluiu a aquisição de 49% das ações ordinárias e todas as preferenciais, mas não avançou devido à resistência regulatória. Há ainda dúvidas sobre a solidez das carteiras de crédito que sustentavam os ativos do banco.
Essa crise expõe fragilidades na regulação de bancos médios, modelo agressivo de captação, ativos de difícil avaliação e elevada alavancagem. O desfecho da liquidação, como e quanto será pago aos credores, dependerá agora dos laudos do liquidante e das investigações em curso pela Polícia Federal.