Desemprego fica em 5,4% no trimestre até janeiro. É o menor nível comparável
Léo Carvalho
Publicado em 5 de março de 2026 às 14:32 | Atualizado há 3 meses
Levantamento da Pnad Contínua aponta 5,9 milhões de pessoas em busca de trabalho no país | Foto: Amanda Perobelli/Reuters
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026. O índice repete o resultado registrado nos três meses encerrados em outubro, período usado como base de comparação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, esse é o menor nível da série comparável da Pnad Contínua.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira. A pesquisa considera tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. A mediana das projeções do mercado financeiro também indicava taxa de 5,4%.
De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os resultados apontam estabilidade nos indicadores de ocupação. Segundo ela, o desempenho positivo observado no fim de 2025 compensou o efeito sazonal de demissões temporárias comuns no início do ano.
“Esse valor de 5,4% configura uma estabilidade estatística em relação ao trimestre anterior. É a menor taxa da série comparável, não a menor taxa de toda a série histórica”, afirmou.
Ela explica que o mês de janeiro costuma registrar redução no número de trabalhadores ocupados devido ao encerramento de contratos temporários. Ainda assim, o impacto foi atenuado pelos resultados favoráveis de novembro e dezembro.
Queda no número de desocupados
No trimestre até janeiro, o levantamento estimou 5,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho. No mesmo período de 2025, eram 7,1 milhões. A redução foi de 17,1% em um ano.
Na série da Pnad Contínua, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados ocorreu no trimestre encerrado em março de 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando o país chegou a quase 15 milhões de pessoas sem emprego.
Os indicadores de subutilização da força de trabalho também atingiram o menor nível da série comparável. A taxa ficou em 13,8%, considerando pessoas que procuram trabalho, trabalham menos horas do que gostariam ou que têm disponibilidade para trabalhar, mas não estão buscando vaga.
População ocupada
O número de pessoas ocupadas alcançou 102,7 milhões no trimestre encerrado em janeiro. Houve aumento de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, o equivalente a 1,7 milhão de trabalhadores a mais.
O nível de ocupação foi de 58,7%. O indicador ficou praticamente estável no trimestre anterior, quando era de 58,8%, e subiu 0,5 ponto percentual em relação ao ano passado.
A taxa de informalidade foi de 37,5%, abaixo dos 37,8% registrados no trimestre encerrado em outubro e dos 38,4% observados um ano antes. Segundo o IBGE, a informalidade apresenta trajetória de queda desde 2022, com aceleração a partir de 2023.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, o recuo está associado à redução do emprego sem carteira no setor privado e ao aumento do registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria.
Renda média
O rendimento médio do trabalho chegou a R$ 3.652 por mês no trimestre até janeiro. O valor representa aumento de 2,8% em relação ao trimestre anterior e de 5,4% na comparação anual. Trata-se do maior patamar da série em termos reais, já considerando o ajuste pela inflação.
A massa de rendimento real atingiu R$ 370,3 bilhões, alta de 2,9% no trimestre e de 7,3% no período de um ano.
Segundo o IBGE, o crescimento da renda tanto no setor formal quanto no informal contribuiu para a expansão contínua da massa salarial nos últimos anos.
Projeções para 2026
Analistas do setor privado avaliam que o mercado de trabalho segue resistente, mas projetam perda gradual de dinamismo ao longo de 2026.
O economista sênior do banco Inter, André Valério, afirma que os indicadores estão próximos do limite de melhora e já apresentam sinais de desaceleração.
Ele projeta que a taxa de desemprego deve subir levemente ao longo do ano e encerrar 2026 em torno de 5,5%.
Rafael Perez, economista da Suno Research, também prevê aumento gradual da desocupação nos próximos meses, influenciado por fatores sazonais e pela desaceleração da atividade econômica. A estimativa da instituição é de que a taxa termine o ano em cerca de 6%.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o mercado de trabalho deve permanecer aquecido, embora com ritmo mais moderado de criação de vagas. A projeção é de desemprego pouco acima de 5% no final de 2026. (EDUARDO CUCOLO/Folhapress)