Inflação desacelera e registra 0,09% em outubro, menor taxa em quase três décadas
DM Redação
Publicado em 11 de novembro de 2025 às 12:46 | Atualizado há 7 meses
A inflação oficial do país desacelerou de forma expressiva em outubro e registrou alta de apenas 0,09%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. É o menor resultado para o mês desde 1998. Em setembro, o índice havia sido de 0,48%.
A principal contribuição para a desaceleração veio da energia elétrica residencial, que caiu 2,39% no mês e teve impacto direto de redução de 0,10 ponto percentual sobre o IPCA. A queda reflete a mudança nas bandeiras tarifárias, com o retorno da bandeira amarela após meses de bandeira vermelha, o que aliviou as contas de luz nas famílias.
O grupo alimentação e bebidas, que costuma ter forte influência sobre a percepção de preços, praticamente não variou: alta de apenas 0,01%. Dentro dele, a alimentação no domicílio caiu 0,16%, puxada por recuos no preço do arroz, do leite longa vida e do frango. Em contrapartida, batata-inglesa e óleo de soja tiveram aumentos relevantes, mas sem força suficiente para reverter a tendência geral de estabilidade.
Outros itens também contribuíram para o alívio inflacionário. O preço de aparelhos telefônicos caiu 2,54%, enquanto o seguro voluntário de veículos recuou 2,13%.
Por outro lado, alguns setores ainda apresentaram altas. O grupo vestuário subiu 0,51%, com destaque para calçados e acessórios. Despesas pessoais avançaram 0,45%, impulsionadas por serviços e pacotes turísticos. O grupo transportes teve variação positiva de 0,14%, influenciado pelo aumento nas passagens aéreas e combustíveis.
No acumulado de 2025, o IPCA chega a 3,73%. Já em 12 meses, o índice marca 4,68%, mantendo-se dentro do intervalo de meta definido pelo Conselho Monetário Nacional.
O resultado reforça um cenário de inflação sob controle, mas ainda sensível a oscilações nos preços administrados e nos alimentos. Economistas avaliam que a redução das tarifas de energia elétrica e a estabilidade dos alimentos devem contribuir para aliviar as expectativas de preços no curto prazo, permitindo maior previsibilidade na política monetária do Banco Central.
A leitura de outubro, embora pontual, reforça a tendência de moderação observada ao longo do segundo semestre. O desafio, agora, será manter esse equilíbrio diante das pressões sazonais do fim do ano e dos reajustes previstos em serviços e combustíveis.