Novo tarifaço de 25% dos EUA leva governo Lula a acionar Lei de Reciprocidade e responsabilizar família Bolsonaro
Redação Online
Publicado em 16 de julho de 2026 às 03:09 | Atualizado há 48 minutos
Lula com Trump: Governo dos Estados Unidos confirmou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, enquanto o Planalto anunciou reação por meio da Lei de Reciprocidade | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo dos Estados Unidos oficializou a imposição de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ao concluir a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida entrará em vigor na quarta-feira (22/07) e representa um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países.
A decisão do presidente Donald Trump consolidou uma nova escalada nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Ao confirmar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo norte-americano reforçou sua estratégia de utilizar medidas tarifárias como instrumento de pressão econômica e política nas negociações internacionais.
Apesar da sobretaxa, o governo americano manteve cerca de 2,1 mil produtos fora da medida. Carne, café, laranja, suco de laranja, componentes aeronáuticos, medicamentos, insumos farmacêuticos e outros itens estratégicos permaneceram isentos por serem considerados relevantes para a cadeia produtiva dos EUA.
A investigação citou questionamentos sobre o Pix, o tratamento tarifário ao etanol, decisões judiciais envolvendo empresas de tecnologia e temas ligados à propriedade intelectual. Segundo o USTR, esses fatores fundamentaram a adoção da tarifa sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro informou que avaliará a aplicação da Lei de Reciprocidade após a entrada em vigor da medida. Com a nova tarifa, o Brasil passou a ocupar a segunda posição entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota oficial nesta quinta-feira (16/07), classificou a medida como um marco negativo nas relações bilaterais e afirmou que não reconhece a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais do comércio.
O Palácio do Planalto informou que iniciará imediatamente os trâmites para aplicar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o Executivo, as sobretaxas não impediram a continuidade das negociações entre os dois países.
Na avaliação do governo, não há fundamento para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil. A nota ressaltou que, conforme estatísticas do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
A manifestação oficial também responsabilizou a família Bolsonaro pelo agravamento da crise comercial. O texto afirma que integrantes do grupo político colaboraram para a adoção das medidas ao defenderem ações contra o Brasil durante o processo conduzido pelo governo norte-americano.