Petrobras nega defasagem nos combustíveis e diz não seguir paridade internacional
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 3 de abril de 2026 às 16:59 | Atualizado há 2 meses
Empresa nega preços abaixo da paridade internacional e reforça estratégia atual | Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)
A Petrobras afirmou na última quinta-feira (2) que não há defasagem nos preços dos combustíveis e reforçou que sua política de reajustes não segue uma periodicidade definida em relação ao mercado internacional.
A declaração foi feita em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que questionou a estatal após a divulgação de dados sobre o tema.
Segundo a empresa, os ajustes continuam sendo realizados com base em análises técnicas, levando em conta fatores como condições de refino, logística e cenário econômico, sem repassar automaticamente a volatilidade externa ao mercado interno.
Questionamento sobre preços e mercado internacional
O posicionamento da Petrobras ocorre após reportagem do portal Brazil Journal, que citou dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom).
De acordo com a entidade, o diesel estaria sendo vendido com diferença de 86% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentaria defasagem de 64%.
A estatal, no entanto, afirmou não reconhecer os cálculos apresentados pela Abicom e destacou que segue sua própria estratégia comercial, mesmo diante de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã.
Reajustes recentes e programa de subvenção
No comunicado, a Petrobras também mencionou reajustes recentes, incluindo o aumento de R$ 0,38 por litro no diesel A vendido às distribuidoras. Além disso, ressaltou a adesão ao programa de subvenção do governo federal, que prevê pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
Segundo a companhia, o efeito combinado dessas medidas equivale a R$ 0,70 por litro, reforçando o compromisso com a sustentabilidade financeira e o equilíbrio de mercado.
Pressão política e mudança na política de preços
O questionamento da CVM ocorre em meio à preocupação de investidores sobre possíveis interferências do governo federal na política de preços da estatal.
Também nesta quinta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um leilão de gás de cozinha realizado pela Petrobras, classificando-o como “bandidagem”, após o certame registrar ágios superiores a 100%. Ele afirmou que o leilão será anulado e que a população de baixa renda não pode arcar com os impactos da alta de preços.
Desde 2023, a Petrobras deixou de adotar a política de paridade internacional (PPI), que alinhava os preços internos às cotações externas. A atual estratégia prevê reajustes graduais, sem acompanhar de forma imediata as oscilações do mercado internacional.
(Folhapress/Pedro Lovisi)