Prévia da inflação acelera para 0,20% em novembro e atinge teto da meta anual
Gabriel Maia - Estágio DM
Publicado em 26 de novembro de 2025 às 11:57 | Atualizado há 8 meses
Indicadores do IPCA-15 mostram alta de 0,20% em novembro e acumulado em 12 meses no limite superior da meta de inflação | Foto: Agência Brasil
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,20% em novembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, dia 26. O resultado representa uma leve aceleração em relação a outubro, quando a taxa foi de 0,18%. Economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,18% para o mê
No acumulado de 12 meses, o indicador recuou de 4,94% para 4,50%, atingindo o teto da meta de inflação definida pelo Banco Central, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual. O mercado estimava 4,49%.
Na terça-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o objetivo da instituição é perseguir o centro da meta, e não o seu limite superior. Segundo ele, a banda de tolerância existe apenas para absorver oscilações pontuais. “De maneira nenhuma a meta é de 4,5%. Tenho que perseguir 3%”, disse durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Galípolo também declarou que o BC ainda vê a inflação em um nível insatisfatório, motivo pelo qual mantém a taxa básica de juros em 15%. A autoridade monetária volta a se reunir para definir a política de juros nos dias 9 e 10 de dezembro, com expectativa de nova manutenção da Selic.
O IBGE destacou que o grupo Despesas pessoais registrou a maior alta em novembro, com avanço de 0,85%, impulsionado principalmente pelos aumentos nas hospedagens, de 4,18%, e nos pacotes turísticos, de 3,90%. Saúde e cuidados pessoais subiu 0,29%, influenciada pelo reajuste de 0,50% nos planos de saúde. Já Transportes registrou alta de 0,22%, puxada pelo aumento de 11,87% nas passagens aéreas, que compensou a queda de 0,46% nos combustíveis.
O economista André Valério, do Inter, calculou que a inflação de serviços subiu 0,66% no mês. Sem o impacto das passagens aéreas, a taxa seria de 0,45%. Para ele, o resultado confirma o processo de desinflação, apesar de uma piora na composição. Valério avalia que a inflação seguirá desacelerando e deve encerrar 2025 dentro do teto da meta, permitindo ao BC iniciar um ciclo de queda da Selic em janeiro, com corte de 0,25 ponto.
O grupo Alimentação e bebidas, o mais relevante no índice, voltou a subir após cinco meses de recuo, com avanço de 0,09%. A alimentação fora do domicílio acelerou para 0,68%. Mesmo assim, os preços dos alimentos continuam abaixo do esperado, segundo Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos.
A pesquisa Focus do Banco Central, divulgada na segunda-feira, dia 24, mostra expectativa de inflação de 4,45% em 2024 e de 4,18% para 2026. Para Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas, o resultado de novembro indica convergência ao centro da meta, ainda que ligeiramente acima das expectativas do mercado.