Economia

R$ 25 milhões viabilizados para construção

Redação DM

Publicado em 16 de abril de 2015 às 01:46 | Atualizado há 11 anos

Da assessoria

Cerca de 25% do custo de viabilização do Parque do Cerrado, um complexo ambiental, cultural, esportivo, de lazer e serviços que será construído no Parque Lozandes, bairro situado à região Sul da Capital; estão garantidos por meio de Parceria Público-Privada (PPP) ou em avançado processo de negociação. Até agora, está certo que R$ 12,5 milhões serão empregados pela EuroAmérica Incorporações para custeio de aproximadamente um oitavo do parque. O mesmo valor deve ser investido pelo governo do Estado, que anunciou apoio à Prefeitura de Goiânia para a execução de igual quantitativo no projeto. Dos, em média, R$ 100 milhões demandados para materializar os 706 mil metros quadrados do espaço urbano ambiental, R$ 25 milhões devem ser obtidos como resultado dessas duas negociações.

“Devolver a cidade às pessoas é o que está ocorrendo no mundo todo e é o que tentamos fazer, mesmo com as nossas limitações, com as nossas dificuldades, reconhecendo os obstáculos que temos que superar, as demandas que precisam ser respondidas. Mas temos que dar os primeiros passos, como estão sendo dados com esse projeto executivo e com a construção de um oitavo da obra. Espero que nós consigamos os recursos totais para construção completa do parque. É esse o nosso desejo”, afirma o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. O projeto executivo do Parque do Cerrado, elaborado arquiteto gaúcho Guilherme Takeda a partir da colaboração de 100 goianienses, foi apresentado à Prefeitura de Goiânia na última terça-feira, 14, e está disponível no site da prefeitura.

O poder público municipal buscará outros acordos para aquisição da totalidade dos recursos. O prefeito da Capital antecipou, inclusive, que articulará adesão do governo federal à viabilização do parque. O vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, que, segundo Paulo Garcia, foi quem iniciou as negociações com os empreendedores para investimento no projeto, também foi incumbido de contribuir com o processo de captação de outros financiadores. “Essa parceria entre a iniciativa privada e o poder público municipal foi o que nos proporcionou a oportunidade de termos hoje um projeto executivo definitivo para essa área. Nosso desejo é que, assim como a elaboração do projeto, que foi colaborativa, que também seja coletiva a execução desse parque”, acrescenta o prefeito Paulo Garcia.

Além da PPP já firmada, o governo de Goiás garantiu à Prefeitura de Goiânia que contribuirá financeiramente com a construção do Parque do Cerrado. O governador Marconi Perillo pediu ao secretário estadual de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, Vilmar Rocha, que avalie a possibilidade de utilização de recursos do Fundo de Compensação Ambiental para destinação de R$ 12,5 milhões à obra. Para isso, o governador sugeriu que a Área de Preservação Permanente (PPP) também seja configurada em um parque de compensação ambiental. “Isso justificaria os investimentos do Fundo de Compensação numa obra como essa. De qualquer maneira, com recursos do Fundo, que seria mais fácil para nós, ou de outras áreas, pelo menos mais um oitavo a gente garante”, afirma o governador.

Vilmar Rocha e o presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Pedro Wilson, ficaram incumbidos de encontrar a melhor alternativa para captação da verba estadual e de acertar os detalhes para operacionalizar a destinação dos recursos. “Um oitavo está garantido. Um parque tão bonito como esse, que vai ser tão importante para a cidade, precisa ter o apoio do poder público. E se nós pudermos colaborar com mais recursos, com certeza, nós o faremos para apressar a entrega de uma obra tão majestosa, tão importante, tão sustentável como essa para a cidade. É uma iniciativa que merece cumprimentos porque valoriza nossa cidade. Deixo o meu comprometimento”, diz Marconi Perillo.

A construção, que será gerida pela administração municipal, tem estimativa de entrega em cinco anos. A expectativa de Paulo Garcia, no entanto, é de que o um oitavo da obra que já tem recursos garantidos por meio de Parceria Público-Privada seja concluído até o final de 2016. “Se Deus nos permitir a alegria de executar mais, melhor. Senão, tenho certeza que aqueles que nos sucederem, seja um homem ou uma mulher, o farão com muito gosto porque esse não é um projeto do prefeito de Goiânia. Esse não é um projeto exclusivo da Prefeitura de Goiânia. Esse é um projeto da comunidade goianiense”, defende o prefeito da Capital.

Colaboração não passa só por ter ideias, mas por materializá-las, diz arquiteto

Da assessoria

Para o arquiteto Guilherme Takeda, diretor do escritório responsável pelo projeto urbanístico do Parque do Cerrado, além do envolvimento de diferentes esferas do poder público e da iniciativa privada, o 35º espaço urbano-ambiental de Goiânia pode ser viabilizado de forma mais célere se tiver apoio dos cidadãos. Ele citou como exemplo emblemático a cidade de Roterdã, na Holanda, onde uma passarela suspensa sobre uma avenida e um trilho de trem foi executada por meio de pequenas doações de cidadãos cientes da falta de recursos da administração local para custear a totalidade da obra.

“Eles tinham essa ideia, mas não tinham recursos para a execução. Então, fizeram o projeto coletivamente e o propuseram comunitariamente, como no tempo da igreja em que se doava banco, banco de praça. Eles fizeram da mesma forma. Colocaram um valor para cada pedacinho da passarela e propuseram construí-la em conjunto, de forma comunitária”, conta o urbanista. A passarela de 350 metros foi dividida em 17 mil segmentos de madeira. O sistema de financiamento coletivo estipulou em 25 euros as colaborações iniciais. Em contrapartida, os nomes dos moradores da cidade que apoiaram a ideia foram talhados na madeira. Em três meses, a administração pública de Roterdã arrecadou 100 mil euros.

“A colaboração não passa só por ter ideias, mas por materializar essas ideias e as obras necessárias. O problema da área pública não deve ser um problema só da prefeitura, do governo do Estado ou de quem está governando hoje. Nossa convicção é a de que temos que dar as mãos ao Executivo, ao Legislativo, ao Judiciário, à comunidade, aos empresários, para que a gente possa fazer como Roterdã, fazer com que os espaços públicos sejam uma obrigação de todo cidadão. Seja não só um direito, mas uma obrigação de todos colaborarem e construírem essa nova sociedade que a gente quer”, pondera.

Após construído, os custos de manutenção do parque poderão ser obtido por meio de locação de espaços comerciais que integram o complexo. No projeto desenvolvido por Takeda há, por exemplo, área de alimentação com locais para restaurantes, foods truck e feira orgânica; e Bike Share, sistema de aluguel de bicicletas.

 

Projeto colaborativo

O projeto colaborativo foi oferecido pela Euroamérica Incorporações, presente em Goiânia desde 2005 e integrante do grupo espanhol Euroinvest. “Temos um projeto de longo prazo para a Goiânia e, por isso, acreditamos que o nosso papel é contribuir com o desenvolvimento da cidade”, disse Juan Zamora, presidente do grupo. No momento, a incorporadora está desenvolvendo o EuroPark, projeto imobiliário de frente ao Parque do Cerrado e, para induzir o desenvolvimento deste espaço público, propôs à prefeitura a realização das charretes, que visa o envolvimento da sociedade na elaboração do projeto e também para sua concretização. O arquiteto paisagista Guilherme Takeda, do Rio Grande do Sul, foi convidado para conduzir as oficinas colaborativas, uma vez que é um dos principais aplicadores desta metodologia internacional em cidades brasileiras.

A parceria entre prefeitura e a Euroamérica Incorporações já previa a execução das obras, o que equivale a aproximadamente ao tamanho do Parque Vaca Brava – a empresa custeará os materiais e a prefeitura custeará a mão de obra. A boa surpresa foi o anúncio do governador Marconi Perilo, em resposta à sugestão do prefeito: de que pelo menos uma parte da obra será financiada pelo governo do Estado.

“Se pudermos contribuir com ainda mais, certamente o faremos. O que quero é ver nossa capital reconhecida por ser sustentável, criativa e boa para se viver”, disse. O governador afirmou que será aa forma de operacionalizar o repasse dos recursos. Uma alternativa é que sejam recursos do Fundo de Compensação Ambiental.

 

Passarela emblemática

O arquiteto Guilherme Takeda participou da solenidade e apresentou o projeto, que dividiu a área em células, inspiradas no formato do pequi – símbolo do bioma Cerrado. Cada célula será uma setor com atividades distintas, que serão diversificadas em razão da grande extensão do parque, incluindo lago com pedalinho, pista de skate, arena de teatro, a manutenção da pista de montain bike – uma solicitação de um grupo de ciclistas que participou das oficinas colaborativas – cinema ao ar livre, iniciativas de educação ambiental como a horta comunitária. “Esta é uma tendência mundial para estimular a criança a ter contato com a natureza e ver que alface vem da terra e não do supermercado”, disse.

A cada perspectiva projetada para os futuros espaços, Takeda mostrava alguns desenhos produzidos pelos participantes das oficinas de Goiânia que a inspiraram, uma forma de explicar o processo das charretes, que teve até mesmo o seu grito de guerra, inspirado nas lutas orientais, repetido pelas autoridades durante a solenidade: “Kiai! Energia!” O desenho era o instrumento de materialização das sugestões, mais de 1.000 foram produzidos durante os dois dias de oficinas que aconteceram em março no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A escolha final dos equipamentos foi um consenso do grupo. “Não houve votação”, ressaltou.

Uma das grandes novidades do projeto será a construção de uma passarela que unirá o Centro Cultural Oscar Niemeyer, espaço que se tornou um ponto de lazer do goianiense, ao Parque do Cerrado. A ideia, conforme já a própria essência das charretes, partiu do próprios participantes, mas serviu como símbolo à união entre governo do Estado e Prefeitura de Goiânia para a execução do Parque do Cerrado.

Marconi lembrou que, ao ser convidado pelo prefeito ontem para conhecer a iniciativa, imediatamente aceitou. Ressaltou que, a cada dia, a relação entre prefeitura e Estado tem se aprimorado e, como exemplo, citou a revitalização da Praça Cívica que está acontecendo neste momento, fruto de uma união de esforços entre os dois poderes para angariar recursos junto ao Ministério do Planalto. “Agora, o contrário acontece”, disse.

O próximo passo é partir para o detalhamento técnico do projeto e o levantamento de custos, que deverão ser entregues em até 50 dias. “Os orçamentos agilizarão a busca de recursos, por parte da prefeitura, tanto na iniciativa privada quanto nos programas de governo”, esclarece Takeda. As parcerias são importantes para se viabilizar a obra de grande extensão: a área do Parque do Cerrado corresponde ao tamanho de oito parques Vaca Brava ou cinco Parque Flamboyant.

A Euroamérica Incorporações foi a indutora do processo, mas a ideia é que mais empresas se tornem parceiras do projeto. Presente na solenidade, o presidente da Agência Ambiental de Meio Ambiente, Pedro Wilson, considerou a noite como “memorável” porque indicava um caminho de parcerias saudáveis. “Vimos que a Euroamérica quer ver seu empreendimento vitorioso, mas quer levar a cidade junto, nesta mesma direção”, elogiou e adiantou que já há um grupo hoteleiro interessado em também aderir à iniciativa.

O projeto colaborativo do Parque do Cerrado também tem o apoio institucional do Fórum Goiano de Habitação (integrado pelas instituições do setor imobiliário Ademi, Secovi e Sinduscon), Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), SecoviCred, Instituto Cidades, Inplant e Lins Galvão Arquitetura e Esper.

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