Salário mínimo terá aumento real de 2,3% em 2027 e pode ficar perto de R$ 1.725
Léo Carvalho
Publicado em 9 de março de 2026 às 11:29 | Atualizado há 4 meses
Valor final do salário mínimo de 2027 dependerá da inflação acumulada até novembro de 2026 | Foto: Reprodução/Montagem/TV Foco
O salário mínimo terá reajuste acima da inflação de 2,3% em 2027, percentual equivalente ao crescimento do Produto Interno Bruto registrado em 2025. O aumento anual do piso considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulada em 12 meses até novembro deste ano, somada ao crescimento do PIB do ano anterior.
O avanço de 2,3% da economia em 2025 foi o menor registrado nos últimos cinco anos. O PIB havia crescido 4,8% em 2021, 3% em 2022, 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. Antes desse período, o resultado mais baixo havia sido a retração de 3,3% em 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19.
O valor final do salário mínimo em 2027 ainda dependerá do comportamento do INPC acumulado até novembro de 2026. O índice será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de 2027. Com base nas projeções atuais do governo, o piso nacional pode ficar próximo de R$ 1.724 ou R$ 1.725.
Em 2026 teve aumento de R$ 103
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621, aumento de R$ 103 em relação a 2025, quando o piso era de R$ 1.518. O reajuste total foi de 6,79%, sendo 4,18% correspondentes à inflação medida pelo INPC.
De acordo com a regra adotada pelo Ministério da Fazenda, o ganho real do salário mínimo está sujeito aos limites definidos pelo arcabouço fiscal. O mecanismo prevê aumento acima da inflação dentro de um intervalo entre 0,6% e 2,5%.
Como o PIB cresceu 2,3% em 2025, o percentual poderá ser incorporado integralmente ao reajuste do salário mínimo, por estar abaixo do teto de 2,5%. Nos anos anteriores, quando o crescimento econômico superou esse limite, o aumento real ficou restrito ao teto estabelecido.
Caso o PIB registrasse crescimento inferior a 0,6%, a regra garantiria ainda assim um aumento real mínimo de 0,6% no piso nacional.
Definição do aumento
Os limites foram definidos no arcabouço fiscal como forma de controlar o ritmo de crescimento das despesas públicas. A regra estabelece um piso e um teto para o aumento real do salário mínimo, buscando conciliar a política de valorização do piso com as metas de equilíbrio das contas públicas.
A medida também preserva espaço no Orçamento para despesas discricionárias, que são aquelas em que o governo possui maior liberdade para definir a aplicação dos recursos.
O salário mínimo representa o menor valor mensal que um trabalhador pode receber no país por uma jornada regular. O reajuste impacta diretamente as contas públicas, pois serve de referência para aposentadorias, benefícios assistenciais e outras despesas obrigatórias do governo federal.
Benefícios previdenciários pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social não podem ter valor inferior ao salário mínimo. Sempre que ocorre reajuste, os beneficiários que recebem o piso passam a receber automaticamente o novo valor.
Outro benefício vinculado ao salário mínimo é o Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Estados podem estabelecer pisos regionais superiores ao salário mínimo nacional, mas não podem fixar valores abaixo dele. (Com informações de JÚLIA GALVÃO/Folhapress)