Venda de jogadores rende R$ 2,8 bilhões ao Brasil e reforça receitas dos clubes
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 13 de julho de 2026 às 16:50 | Atualizado há 3 horas
Venda de atletas ao exterior gerou saldo positivo de R$ 1,65 bilhão para o país no ano passado | Foto: Reprodução
Em um cenário de crescente internacionalização do futebol, o Brasil manteve em 2025 a posição de maior exportador de jogadores do mundo. Dados do Banco Central (BC) mostram que a venda de atletas para clubes do exterior rendeu US$ 553,7 milhões (R$ 2,86 bilhões pela cotação atual) ao país no ano passado.
No mesmo período, os clubes brasileiros desembolsaram US$ 234,7 milhões (R$ 1,2 bilhão) para contratar atletas que atuavam fora do Brasil. Com isso, o saldo da balança ficou positivo em US$ 319 milhões (R$ 1,65 bilhão), valor equivalente a cerca de 15% das divisas obtidas pelo país com as exportações de carne suína, segundo o BC.
O desempenho foi semelhante ao registrado em 2018, quando o superávit chegou a US$ 319,8 milhões (R$ 1,65 bilhão na cotação atual). Naquele ano, entretanto, as receitas somaram US$ 383,7 milhões (R$ 1,98 bilhão), enquanto as despesas ficaram em US$ 63,9 milhões (R$ 330 milhões), uma diferença proporcionalmente maior entre entradas e saídas de recursos.
As operações são contabilizadas pelo Banco Central por meio de contratos de câmbio, mecanismo que permite converter moedas estrangeiras em reais e registrar oficialmente os valores na balança de pagamentos. Os direitos econômicos dos atletas são classificados como “ativos não financeiros não produzidos”, categoria que também inclui franquias, licenças de marca, direitos de exploração de recursos naturais e criptoativos.
Embora a estatística englobe atletas de diferentes modalidades esportivas, a comercialização de jogadores de futebol representa praticamente a totalidade dos recursos movimentados. O BC ressalta ainda que os clubes não são obrigados a internalizar imediatamente os valores obtidos nas transferências internacionais, podendo manter parte dos recursos em contas no exterior. Quando isso ocorre, essas quantias não entram na contabilização oficial, embora a prática seja considerada pouco frequente.
Venda de atletas impulsiona receitas dos clubes
Os dados históricos mostram que o Brasil mantém saldo positivo nas negociações internacionais de atletas desde o início da série do Banco Central, em 1995. Entre 2020 e 2025, as receitas provenientes da venda de jogadores continuaram superando as despesas com contratações internacionais.
Para o consultor de gestão e finanças do esporte e sócio da Convocados, Cesar Grafietti, a comercialização de atletas se consolidou como uma das principais fontes de receita dos clubes brasileiros. Segundo ele, quase 30% da arrecadação das equipes da Série A em 2025 veio da venda de jogadores.
O especialista destaca que o crescimento financeiro não ocorreu por um aumento na quantidade de atletas negociados, mas pelo maior valor pago pelos clubes estrangeiros. De acordo com Grafietti, jogadores brasileiros, cada vez mais jovens, passaram a ser negociados por cifras muito superiores às observadas anos atrás.
Ele explica que a mudança também está ligada à melhora na situação financeira de parte dos clubes. Antes, as vendas eram necessárias para cobrir déficits. Com contas mais equilibradas, as equipes passaram a negociar com maior poder de barganha e a exigir valores mais altos pelos atletas.
Brasil lidera mercado internacional de transferências
Relatório da Fifa aponta que o Brasil liderou tanto a saída quanto a chegada de jogadores no futebol masculino profissional em 2025. Ao longo do ano, foram registradas 1.005 transferências de atletas para o exterior e 1.190 chegadas ao país.
Entre os principais destinos dos jogadores brasileiros aparecem Portugal, com 184 transferências, seguido por Malta (35), Ucrânia (34), Japão (34) e Coreia do Sul (31). Já os atletas que chegaram ao Brasil vieram, principalmente, de Portugal (180), Paraguai (54), Colômbia (53), Argentina (49) e Bolívia (37).
Grafietti atribui o aumento das contratações internacionais a três fatores principais. O primeiro é a expansão das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), que atraíram investidores e ampliaram a capacidade financeira de diversos clubes.
O segundo fator é o poder de investimento de equipes como Palmeiras e Flamengo, que intensificaram tanto a contratação de estrangeiros quanto o retorno de brasileiros que atuavam na Europa. Entre os exemplos estão Andreas Pereira, contratado pelo Palmeiras após passagem pelo futebol inglês, e Lucas Paquetá, anunciado pelo Flamengo depois de defender o West Ham.
O especialista também aponta a entrada das casas de apostas como um elemento importante para fortalecer as finanças dos clubes. Segundo ele, o aumento das receitas provenientes de patrocínios permitiu ampliar os investimentos em reforços, inclusive para equipes que antes enfrentavam dificuldades financeiras.
Segundo o Transfermarkt, o Palmeiras foi o clube brasileiro que mais arrecadou com transferências em 2025, somando 145,9 milhões de euros (R$ 860 milhões) em vendas e empréstimos. O principal negócio foi a transferência de Estêvão para o Chelsea por 45 milhões de euros (R$ 265,5 milhões).
Na sequência aparecem Botafogo, com 119 milhões de euros (R$ 702 milhões), impulsionado pela venda de Luiz Henrique ao Zenit por 33 milhões de euros (R$ 194,7 milhões), e Flamengo, que arrecadou 82,6 milhões de euros (R$ 487 milhões), tendo como principal negociação a venda de Wesley para a Roma por 25 milhões de euros (R$ 147,5 milhões).
Entre as maiores contratações realizadas pelos clubes brasileiros em 2025, destacam-se a chegada de Vitor Roque ao Palmeiras, em negociação de 25,5 milhões de euros (R$ 150 milhões) junto ao Barcelona, e a contratação do volante Danilo pelo Botafogo, em operação estimada em 22 milhões de euros (R$ 129,8 milhões), após passagem pelo Nottingham Forest. (FOLHAPRESS/NATHALIA GARCIA)