Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 4.561 e mais de 17 mil seguem desabrigados
Léo Carvalho
Publicado em 13 de julho de 2026 às 17:30 | Atualizado há 2 horas
Novo balanço divulgado pelo governo venezuelano aponta aumento no total de vítimas fatais | Foto: Divulgação
O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho subiu para 4.561, segundo novo balanço divulgado pelo governo do país nesta segunda-feira (13).
De acordo com o comunicado oficial, o número de feridos permanece em 16.740, enquanto 17.907 pessoas continuam desabrigadas. Além disso, cerca de 19,5 mil venezuelanos precisaram deixar suas casas e foram encaminhados para acampamentos temporários. O governo informou que a entrega de moradias para as famílias afetadas deve começar ainda nesta semana.

A situação nos abrigos preocupa organismos internacionais. Na última quinta-feira (9), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a falta de saneamento básico, o acesso limitado à água potável, a superlotação e a infraestrutura precária dos mais de 80 abrigos podem favorecer a disseminação de doenças como cólera, tuberculose, tétano e sarampo.
A entidade também destacou que a cobertura vacinal entre a população desalojada tende a cair significativamente, aumentando o risco de surtos e colocando em perigo a vida de dezenas de milhares de sobreviventes.

Segundo a OMS, equipes trabalham em conjunto com o Ministério da Saúde da Venezuela para conter o avanço de doenças respiratórias e intestinais. O organismo ainda avalia a instalação de novos hospitais de campanha nas regiões de Caracas e La Guaira, consideradas as áreas mais afetadas pelos terremotos.

As Nações Unidas estimam que aproximadamente 1,3 milhão de venezuelanos necessitam de ajuda humanitária após o desastre natural. Para atender à emergência, cerca de US$ 300 milhões — o equivalente a aproximadamente R$ 1,5 bilhão — foram mobilizados para operações de assistência no país.
A atuação do governo diante da tragédia tem sido alvo de críticas de parte da população, que considera lentas as medidas de resposta à emergência. Em resposta, a presidente interina Delcy Rodríguez rejeitou as acusações e afirmou, sem apresentar provas, que “laboratórios midiáticos” estariam tentando desacreditar o trabalho das equipes de resgate.
Delcy Rodríguez assumiu o comando do governo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos. Na última terça-feira, o governo norte-americano manifestou apoio à atuação das autoridades venezuelanas na crise humanitária.
“O governo interino está cooperando totalmente com nossos pedidos para avançar a resposta humanitária massiva”, declarou à imprensa o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Caracas, John Barrett.
