Economia

WEForum firma acordos com Índia e Moçambique

DM Redação

Publicado em 4 de março de 2026 às 15:48 | Atualizado há 3 meses

Ana Claudia Badra Cotait, presidente do CMEC Nacional durante abertura do WEForum 2026
Ana Claudia Badra Cotait, presidente do CMEC Nacional durante abertura do WEForum 2026

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS

 Melina Dias

Brasília sediou a 5ª edição do WEForum, nesta terça (3), realizado pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), ligado à ACSP, Facesp e CACB. E o Brasil deu um passo importante ao assinar acordos de cooperação com a Índia e Moçambique para fortalecer o empreendedorismo feminino internacional. O encontro buscou soluções para o fato de que somente 14% das exportadoras brasileiras têm liderança feminina, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Mais uma barreira, entre tantas, a ser quebrada pelo gênero, como destacaram as lideranças no evento. Segundo a presidente do CMEC, Ana Claudia Badra Cotait, a união global é o caminho para mudar esse cenário restrito. “É fundamental trazer CEOs internacionais para discutir assuntos com CEOs nacionais e gerar conhecimento, networking e parcerias estratégicas”, disse.

O acordo com Moçambique focará em capacitação e formalização, enquanto a parceria com a Índia mira em inovação e inteligência artificial. Essas medidas são urgentes, afirmaram as lideranças femininas no evento. O evento integra o Movimente 2026, do Sebrae-DF, e reforça o compromisso com a autonomia econômica e a igualdade de gênero nas transações globais. O cenário para a internacionalização de empresas lideradas por mulheres revela obstáculos estruturais que vão além da burocracia comum. Os dados do MDIC apontam que empreendedoras brasileiras enfrentam desafios com custos de exportação , muitas vezes por falta de acesso a redes de crédito facilitado e informação estratégica.

Nesse contexto, o fortalecimento de blocos como o Brics torna-se uma ferramenta de sobrevivência e expansão. Para Mônica Monteiro, presidente do capítulo brasileiro da Women’s Business Alliance (WBA) do Brics, a união global é a chave para mitigar esses custos e riscos. “O evento está consolidando o que buscamos: caminhar em rede para garantir proteção social na área financeira e de negócios”, afirmou. Sem essa estrutura de apoio, a tendência é que os impasses continuem a frear o potencial de crescimento de negócios femininos em mercados competitivos como o asiático e o africano. A rede de apoio internacional funciona como um mecanismo de compensação para as falhas de mercado, segundo Mônica.

A parceria estratégica estabelecida com a Índia foca na transferência de conhecimento em áreas de fronteira, como a inteligência artificial e a inovação tecnológica aplicada à educação empreendedora. Para as brasileiras, o acesso a essas ferramentas é vital para otimizar a gestão logística e reduzir os custos operacionais que hoje sobrecarregam as empresas lideradas por mulheres. Ao automatizar processos burocráticos e utilizar análise de dados para prospecção de mercados, as empreendedoras ganham a competitividade necessária para enfrentar gigantes globais. Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da FIRJAN, a diversidade de experiências entre os países é o que torna essa evolução possível no ambiente de negócios.

“A gente percebe que as dores são iguais no mundo e essa troca internacional é muito importante para nós”, disse. Esse intercâmbio tecnológico permite que micro e pequenas empresas brasileiras adotem padrões de eficiência indianos, conhecidos pela escalabilidade. Assim, a tecnologia deixa de ser um luxo para se tornar o motor que permitirá a essas mulheres romperem a barreira dos 14% de participação. Além das barreiras tecnológicas, o isolamento das lideranças femininas surge como um obstáculo invisível que o WEForum buscou combater por meio da cooperação com Moçambique.

O acordo firmado entre o CMEC e a empresa Kumera foca no associativismo, um modelo que permite que pequenas produtoras se unam para ganhar escala e dividir riscos, algo essencial em mercados com menor proteção social. Para a especialista Amrita Bahr, integrante da Organização Mundial do Comércio (OMC), o valor desses encontros reside justamente na quebra desse isolamento que enfraquece a mulher no comércio. “Fóruns como este dizem que não estamos sozinhas e que somos um grupo forte de especialistas e gestoras”, disse. Ela também disse que ao exportar a experiência brasileira de organização em conselhos de mulheres, o Brasil ajuda a criar em Moçambique um ecossistema mais resiliente e formalizado.

Essa proteção em rede é o que permite que a empreendedora se sinta segura para arriscar a internacionalização, sabendo que faz parte de um coletivo que compartilha inteligência e suporte mútuo para crescer. O encerramento da etapa presencial do WEForum em Brasília reforça que a autonomia financeira das mulheres não é apenas uma pauta social, mas uma urgência para o crescimento do PIB global. Dentro do cronograma do Movimente 2026, as ações de março servem como um chamado para que as políticas de incentivo à exportação se tornem permanentes e escaláveis. A consultora e conselheira Roseane Santos enfatizou que o momento atual exige um compromisso mais agressivo com a mudança dos indicadores de liderança no país. “Cabe a nós, de maneira exponencial e estratégica, escalar esses números em pés de igualdade para termos mulheres na liderança”, afirmou.

De acordo com o CMEC, com a continuidade dos debates em formato digital até o dia 6, e as rodadas de negócios na plataforma ConnectAmericas, a expectativa é que os acordos com Índia e Moçambique gerem frutos imediatos. Ao atacar o custo de gênero e investir em inovação, o Brasil pavimenta um caminho onde a presença feminina no comércio exterior deixe de ser uma exceção estatística para se tornar uma força motriz consolidada.

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