Educação

Dia Nacional da Alfabetização: Processo requer mediação e intervenção do professor

A família também é muito importante no processo e desenvolvimento da criança

diario da manha
Foto: Pixabay

Em 14 de novembro é comemorado o  Dia Nacional da Alfabetização, data importante para discutirmos os desafios diante da alfabetização no Brasil que foram potencializados pela pandemia da Covid-19.

Segundo a professora do curso de Pedagogia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), Evelyn Camponucci Cassillo, a alfabetização é um processo que requer mediação e intervenção do professor o tempo todo e, com o ensino remoto, isso não foi possível ser feito.

“Na educação infantil, precisamos trabalhar a consciência fonológica (a consciência dos sons da língua) com a criança, e fazer um trabalho com muita oralidade, onde é preciso acompanhar de perto, ajudar e ensinar a criança sobre o sistema de escrita”, afirma.

Para a estudante de pedagogia Tatiane Soares Gil, ser alfabetizado envolve humanização e cidadania. “É preciso empregar amor ao aprendizado e estar atento às dificuldades de cada aluno, as causas da lentidão ou maior dificuldade em assimilar as orientações. O professor alfabetizador será lembrado pelo aluno por toda sua vida, e esse argumento sozinho já é um privilégio e um prazer para um professor dedicado”, afirma.

De acordo com Tatiane a família é muito importante no processo da Alfabetização e para o desenvolvimento da criança.

Tatiane Soares Gil, estudante de pedagogia
Foto: Arquivo pessoal

“A escola é o espelho de casa, o que torna as relações familiares essenciais no comportamento da criança perante coleguinhas ou professores. O ambiente escolar é uma extensão do domiciliar e, ao contrário do que muitos imaginam, deve ser visto pelos alunos como um local alegre e estimulante. Para isso, os educadores contam principalmente com os pais, a fim de que seus filhos estejam dispostos, desde casa a fazer parte da sociedade”, explica.

Sara Lorena é mãe da Luíza de dois anos, ela conta que desde cedo começou a ensinar a filha algumas coisas mais básicas para ajudar nesse processo.

“Eu comecei a ensiná-la as cores, números e letras quando ela tinha um ano, hoje com apenas dois anos, ela já sabe contar e falar as cores em inglês e português. Precisei colocá-la no berçário esse ano e todos lá ficaram encantados com a quantidade de coisa que ela já sabe fazer”, relata Sara.

Porém Evelyn alerta “o isolamento social causado pela pandemia, acentuou ainda mais a desigualdade social no Brasil, afetando negativamente os processos de alfabetização. Temos crianças que não tiveram o mínimo de acesso às aulas em casa e acabaram prejudicadas, além disso, tivemos as que não estavam matriculadas nas escolas e ficaram ainda mais distantes de usufruir o direito que elas têm”, afirma.

A professora orienta que nesse retorno presencial, as escolas precisam realizar um planejamento e um trabalho diagnóstico de cada aluno, de forma cuidadosa para dar andamento no processo de ensino dessas crianças.

“Os professores precisam manter a calma para não atropelar os processos de recuperação da alfabetização. A impressão que a sociedade tem, é que agora os profissionais devem atingir em um mês, todos os objetivos que foram perdidos em um ano, o que não é bem assim, visto que as etapas de alfabetização não acontecem de uma hora para outra, e devem ser feitas individualmente. A partir da análise diagnóstica, será possível realizar um trabalho intenso com cada aluno, sendo importante muita leitura e reflexão para aprofundar a alfabetização dessas crianças”, finaliza.

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