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A resistência do folclore

Redação DM

Publicado em 17 de agosto de 2018 às 20:40 | Atualizado há 1 ano

Goiás é essencialmente um estado rico em cultura. A mistura entre campo e ci­dade por aqui rendeu tradições continuadas pelas gerações futu­ras. Assim é possível ainda apreciar grupos de folias, catiras e aconte­cimentos como as cavalhadas de Pirenópolis ou a Procissão do Fo­garéu, da cidade de Goiás. É bem verdade que estas manifestações estão mais fortes no interior do que na Capital e, nas cidades peque­nas, cultura popular é mantida por esforços, tanto das comunidades, como de entidades que lutam para que este patrimônio imaterial não se perca no tempo. Uma das forças que atuam a favor destas preciosi­dades é a Comissão Goiana de Fol­clore, que amanhã irá realizar uma iniciativa importante em prol das tradições. Trata-se da II Semana de Folclore Itinerante, que vai aconte­cer das 8h30 às 16 horas, no Clube Recreativo, de Nova Veneza.

O encontro, que tem como ob­jetivo celebrar a semana do folclo­re–lembrada entre os dias 15 e 22 de agosto–irá reunir cerca de 17 Comissões de Folclore espalhadas pelo Estado. Durante o evento es­tão previstas apresentações de gru­pos de folia de reis, catira, contado­res de causos, moda viola e ainda a exposição de artesanatos. “Tere­mos apresentações de grupos tra­dicionais de sussa vindo de Mon­te Alegre e da Banda 13 de Maio de Corumbá”, conta a presidente da Comissão Goiana de Folclore, Izabel Signoreli.

Mais um destaque da progra­mação do encontro será a ben­ção das bandeiras das comissões dos municípios. Isso porque, de acordo com Izabel, cada cidade foi convidada a confeccionar a sua própria bandeira. “Baseada nas cores da bandeira da Comissão Goiana de Folclore, cada muni­cípio produziu a sua, de acordo com as tradições do local. A de Damolândia, por exemplo, optou em homenagear os carros de bois”, conta a presidente da comissão.

O objetivo da II Semana de Fol­clore Itinerante, de acordo com Iza­bel compactua com os propósitos da Comissão Goiana de Folclore, que é de promover, defender, divul­gar o folclore de Goiás e colaborar com os poderes públicos, entidades estatais, paraestatais e privadas nos atos cívico-culturais. E esta, para a presidente da comissão é uma ta­refa difícil em tempos modernos.

“Vou usar uma frase de Bariani Ortencio que resume a nossa luta a favor da cultura popular: a tecno­logia está engolindo tudo. Não que­remos dizer que a inovação não é boa, mas também temos que man­ter as nossas raízes”, argumenta.

Para que essa cultura não se perca, a presidente da comissão explica que eventos como II Se­mana de Folclore Itinerante estão carentes de mais apoio do poder público. Segundo a presidente, esta edição do evento, foi organi­zada apenas por recursos e mo­bilizações da própria entidade, com exceção do apoio da prefei­tura de Nova Veneza. “Acredito que os governantes devem olhar com mais carinho para a cultura popular”, clama.

Durante a segunda edição do evento irá acontecer ainda o I En­contro de Benzedeira e Benzedo­res, que a partir deste ano irá tam­bém se fixar de forma definitiva à programação do da II Semana de Folclore Itinerante. Isso por­que conforme Izabel, esta tradi­ção se configura como um ato de fé, que hoje em dia, em tempos de pesquisas e avanços da medicina, vem se enfraquecendo.

“Os benzedores e benzedei­ras eram os médicos de antiga­mente. Eles eram com quem a população podia contar quando adoeciam, principalmente nas fa­zendas, que ficavam mais aban­donadas. O ato de benzer é uma prática muito bonita, em que é preciso ter dom, solidariedade e fé. Então, a intenção deste encon­tro é de preservar algo tão precio­so, que não tem sido encarado com tanta atenção pela socieda­de moderna”, disse a presidente.

O DIA DO FOLCLORE

Apesar do evento celebrar a Se­mana do Folclore, o data oficial do Folclore é celebra na próxima quarta-feira (22). Esta celebração, foi criada por meio do Decreto nº 56.747, de 17 de agosto de 1965, pelo Congresso Nacional. Segun­do este documento, a data data foi criada pela: “importância dos es­tudos e pesquisas do Folclore, em seus aspectos antropológico, social e artístico, inclusive como fator le­gítimo para o maior conhecimento e mais ampla divulgação da cultu­ra popular brasileira”.

A criação desta celebração se deu no lançamento da própria pa­lavra folclore: que foi usada pela primeira vez, em 1846. Já em 1951 aconteceu um evento importante para causa: foi aprovada a chama­da Carta do Folclore Brasileiro, no “I Congresso Brasileiro de Folclore”, que foi realizado no Rio de Janeiro.

Dentre outras coisas, a Car­ta do Folclore abordou o “fato folclórico”, conceito elaborado pelos folcloristas da época, que dizia que: “Constitui o fato fol­clórico a maneira de pensar, sen­tir e agir de um povo, preserva­da pela tradição popular e pela imitação, e que não seja direta­mente influenciada pelos círcu­los eruditos e instituições que se dedicam, ou à renovação e con­servação do patrimônio científi­co humano, ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica”.

 

SERVIÇO

III Semana de Folclore Itinerante

Quando: amanhã das 8h30 às 16 horas

Onde: Clube Recreativo de Nova Veneza (Av. Moacir Tavares Canto, 518-632, Nova Veneza – GO)

 

 

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