BBB26 é apontado como o Big Brother mais branco da história nas redes sociais
Léo Carvalho
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 01:19 | Atualizado há 6 meses
Durante a fase das Casas de Vidro, cada região do país contou com quatro candidatos, sendo dois homens e duas mulheres | Foto: Divulgação
O Big Brother Brasil 2026 estreou com um grupo Pipoca formado por dez participantes escolhidos diretamente pelo público por meio das Casas de Vidro. A composição do elenco gerou repercusão negativa nas redes sociais devido à predominância de participantes brancos, levando parte do público a apontar o BBB26 como um dos elencos menos diversos racialmente da história do programa.
Entre os dez integrantes do grupo Pipoca, oito são pessoas autodeclaradas brancas. Duas participantes são negras: Milena, do Sudeste, e Marciele, do Norte, que possui ascendência indígena do povo Munduruku.
Quem são Milena e Marciele
Milena, de 26 anos, é de Minas Gerais e atua como recreadora de festas infantis e babá. Ela relatou ter vivido parte da infância em um abrigo e afirmou que um de seus objetivos é reencontrar a irmã gêmea, que atualmente mora nos Estados Unidos.
Marciele, de 32 anos, é do Pará e tem trajetória ligada à cultura popular do Norte do país. Ela é dançarina, influenciadora e já atuou como Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, em Parintins. Marciele possui ascendência indígena Munduruku.

Durante a fase das Casas de Vidro, cada região do país contou com quatro candidatos, sendo dois homens e duas mulheres. Entre os homens, quatro participantes negros disputaram vagas no grupo Pipoca: Leandro, do Nordeste, Ricardo, do Centro-Oeste, Breno, do Sudeste, e Matheus, do Sul. Nenhum dos quatro homens negros foi escolhido pelo público.
Nenhum deles foi selecionado pelo voto popular para entrar na casa principal. O resultado gerou críticas nas redes sociais, com apontamentos de que o processo de escolha reproduziu padrões já observados em outras edições do reality.
Reações nas redes sociais
A formação do elenco foi alvo de comentários que mencionaram racismo estrutural e baixa representatividade. Usuários destacaram que, apesar da diversidade regional apresentada nas Casas de Vidro, o resultado final concentrou participantes com perfis semelhantes em termos raciais.
Publicações questionaram o fato de os quatro homens negros não terem sido escolhidos, além de apontarem que as duas participantes negras do elenco passaram a ser alvo de críticas logo nos primeiros dias de programa.
Levantamento realizado pelo Jornal Diário da Manhã reuniu manifestações publicadas nas redes sociais após a divulgação do elenco Pipoca do BBB26:
- “Já podemos começar a falar de BBB? Os quatro homens negros que estavam na casa de vidro não entraram através do voto popular. Não basta não ser racista, você precisa ser antirracista”, escreveu um seguidor.
- “Preconceito absurdo! Todos brancos. Negros só a Milena. Esse BBB 26 está com os dias contados”, comentou outra internauta.
- “Coincidentemente, o elenco é composto por nove brancos e a única negra escolhida está sendo criticada nas redes sociais”, apontou outra, referindo‑se a Milena, que já havia gerado polêmica na Casa de Vidro.
BBB reflete padrões sociais
Para o professor Paulino Cardoso, especialista em História e Culturas Africanas e afro-brasileiras, o Big Brother Brasil funciona como um espelho da sociedade brasileira. Segundo ele, o programa expõe padrões de valorização social presentes fora da televisão, incluindo critérios raciais associados à aceitação pública.
Na avaliação do pesquisador, o debate em torno do elenco do BBB26 evidencia uma discussão concentrada na representatividade midiática, enquanto questões estruturais relacionadas à desigualdade racial permanecem pouco abordadas.
O debate sobre diversidade racial no BBB não é novo. Em temporadas recentes, a presença de participantes negros entre finalistas e vencedores foi inferior à proporção da população brasileira. Entre 2020 e 2025, apenas 6 dos 15 finalistas do BBB eram negros, e apenas 2 ganharam o prêmio.
