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Boogarins recria Clube da Esquina em show no Bananada nesta sexta (21)

Redação Online

Publicado em 20 de agosto de 2026 às 21:10 | Atualizado há 1 hora

Banda se apresenta na madrugada de sexta para sábado em Goiânia | Foto: Gabriel Rolim
Banda se apresenta na madrugada de sexta para sábado em Goiânia | Foto: Gabriel Rolim

Marcus Vinícius Beck

O Bananada volta nesta sexta (21) ao Oscar Niemeyer, em Goiânia, com programação plural. A noite tem como uma das atrações esperadas o show no qual o Boogarins vai recriar, à sua maneira, aquele repertório doido do Clube da Esquina. É tudo o que você podia querer.

A festa começa na Arena Bananada às 17h, com os goianos Tobeats e sua música. Jonabug, Chococorn & The Sugarcanes, Supervão e OttoPapi tocam na sequência, enquanto o Palco Bananada será inaugurado, às 20h, ao som dos Jovens Ateus. Uma hora depois, Rancore abre para Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro chegarem ali às 23h10. Aí, enfim, vem o Boogarins.

Entre 0h20 e 1h30, madrugada de sexta pra sábado, esse espetáculo chegará à cidade. Ainda bem. Por onde passaram, os goianos deixaram ótimas impressões: no Rio de Janeiro, Circo Voador, chamaram ao palco Toninho Horta, lenda da guitarra mineira. Em Belo Horizonte, berço do Clube da Esquina, os caras se saíram bem — casa cheia, todo mundo alegre e feliz. 

“É o seu vestido cor de maravilha nua…” Dinho, do Boogarins, solta a voz no Youtube, em “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, gravada no disco de 1972. As guitarras, a certa altura, começam a se entrelaçar ao sintetizador — como dois quadris apaixonados numa noitada. 

Chega aos tímpanos a voz calma, quase sussurrante, vinda do som. É Dinho Almeida, ouça bem, entoando os versos do letrista Márcio Borges sobre a pessoa amada. A pele, arrepiada, sassarica-se e psicodeliza-se: foda essa lisergia. À jornalista Laura Portugal, do “Le Monde Diplomatique”, Dinho diz que enxerga a música como uma “ferramenta de sensibilidade”.

‘Como vai você?’

“Ainda moro na mesma rua. Como vai você?” O cantor vocaliza e toca guitarra, enquanto Benke Ferraz desenha melodias na outra guita. A cozinha encaixa Raphael Vaz Costa, no baixo e synth, além de Ynaiã Benthroldo, o baterista. Os acordes percorrem as memórias daquele vestido. No ar, ressoa o velho desejo: “Você vem? Ou será que é tarde demais?”

Este jornalista está hipnotizado. Talvez seja essa lisergia sexy-sonora, cujos decibéis ecoam pelas gavetas da lembrança. Simples como a diástole e a sístole de um coração feliz. Entre tons e ecos, faz pensar no nome Boogarins, de origem botânica — uma flor de amor puro.

Rebobinada a gravação, volta-se ao início. Showzaço, aliás. O Boogarins olha pra noite azul, pedra e chão, com os amigos além do céu. Nada a temer, nada a conquistar, apenas a música espalhando meditações docemente morosas. Tudo é, digamos, ciciante: “Trem de Doido”. 

A letra, sem ir muito além dessa estrada, é assinada por Lô e Márcio Borges. Dinho recria a guitarra-base de Lô Borges, no que Benke reinventa as linhas da guitarra-solo dedilhada por Beto Guedes. Nesta faixa, bem como nas demais, Raphael grooveia e Ynaiã conduz o tempo. 

Boogarins recria Clube da Esquina com sotaque goiano

Voz de Dinho Almeida (segundo à direita) emerge clara em releituras | Foto: Gabriel Rolim

O amigo aí há de entender o interesse que se criou pelo especial “Boogarins toca “Clube da Esquina”. Foi disponibilizado no Youtube em maio de 2021. A galera apreciou-o e o sentiu mil vezes, ou quase isso. O Boogarins subiu a um palco para tocá-lo pela primeira vez em 2022, no MECAInhotim. Em 2023, diante da boa recepção, os caras expandiram o projeto. 

Quando esteve em BH, em 2023, Dinho teve um lampejo que trouxe sua infância. Conforme disse ao “Estado de Minas”, artistas lhe foram apresentados como sendo Clube da Esquina, dentre os quais Lô Borges, Flávio Venturini e Toninho Horta. “Então, no nosso show, tem várias canções do disco ‘Clube da Esquina’, mas também colocamos outros álbuns”, disse.

“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada…” A voz de Dinho Almeida emerge clara nessa releitura da música de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, gravada em 1975, no LP “Minas”. O artista, em interpretação convincente, fecha os olhos e solta a voz: “Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo. Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo.” 

Evocações

No som, ecoa o clássico “Fé Cega, Faca Amolada”. O autor deste texto lembra da entrevista que leu no “Estado de Minas”. Para Dinho, o mítico disco de 72 revela “essa coisa Goiás em Minas”. “Quando ouvimos o disco de novo, vimos as nossas raízes ali. A coisa da textura, da fluidez e de serem músicas que te levam pra uma viagem conversa com nosso estilo”, disse.

Sonho e transe — essa é a sensação ao ouvir Boogarins. As frases abstratas convergem para estados oníricos, como uma justaposição entre razão e delírio. Irresistível não pensar que os goianos e sua arte são o Clube da Esquina caindo na loucura com os Mutantes na madruga.

Para o show no Oscar Niemeyer, não há certeza de nada. Pode acontecer tudo, até mesmo “Trem Azul” e “Tudo o Que Você Podia Ser” estarem no espetáculo, ou pode também haver uma ou outra — quem sabe mais do que isso — música do Boogarins. Como o leitor verá daqui a pouco, a noite deixará saudade em quem a viver. É o tipo de coisa que vale sentir.


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