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Brasil contra os “diabos vermelhos”

Redação DM

Publicado em 5 de julho de 2018 às 22:58 | Atualizado há 1 ano

A Bélgica é um país milenar que passou a ser habitado antes da era cristã. Já este­ve sob o domínio das civilizações celta e romana, e conquistou a independência total apenas em 1830. Seu território, assim como o dos países vizinhos (Luxemburgo e Países Baixos), já passou por vá­rias reconfigurações ao longo dos séculos. Possui 11,3 milhões de habitantes e três idiomas oficiais (francês, alemão e neerlandês). É conhecido como um polo de in­dústrias de chocolates, chegando às 170 mil toneladas do produto por ano. Também é de lá que vem o saxofone, instrumento criado por Adolphe Sax nos anos 1940. A imagem de uma criança urinan­do, a Manneken Pis, instalada na capital há mais de 600 anos, é con­siderada um dos símbolos mais famosos do país.

No futebol, é um país com relati­va tradição. Já participou de 12 edi­ções da Copa do Mundo Fifa, sendo suas melhor colocação um quar­to lugar conquistado em 1986. O maior goleador da história do time está atualmente no elenco. Romelu Lukaku, de 25 anos, já fez 40 gols pela Bélgica em competições ofi­ciais. O atacante Paul Van Himst, que participou da copa de 1970 (e como técnico na de 1994), é consi­derado o maior ídolo do futebol bel­ga no século XX.

MONUMENTO

A imagem do pequeno rapaz uri­nando em um chafariz é bastan­te comum graças a uma escultura símbolo da cidade de Bruxelas, ca­pital da Bélgica. O nome da estátua, Manneken pis, vem do holandês, e significa “o garoto [que] mija”. Os pri­meiros registros da estátua reme­tem ao ano de 1338, o que significa que ela tem mais de 600 anos. A es­tátua original foi substituída no ano de 1619 por uma versão de bron­ze criada por Jérôme Duquesnoy. O valor simbólico do monumento para a Bélgica é tão grande que, em ocasiões como a invasão francesa de 1665, ela foi retirada de seu pe­destal e guardada em local seguro para não sofrer danos. Já foi rouba­da e recuperada várias vezes. A últi­ma delas na década de 1960.

O tamanho da escultura sur­preende os turistas. Apesar de parecer grande nas fotos, ela não tem mais que 60 centímetros de altura. Várias histórias sugerem a origem da estátua, cuja verda­deira origem precisa é desco­nhecida. Alguns acreditam que a história de um bebê que du­rante uma invasão inimiga te­ria colocado-se a urinar do ber­ço seria a fonte de inspiração do artefato, representando a cora­gem e soberania do país diante dos inimigos. Outra lenda narra que um bebê havia urinado no pavio de uma bomba, impedin­do a destruição da cidade. Existe ainda a história do homem bom que colocou a estátua para pro­teger um bebê do feitiço de uma bruxa que queria congelá-lo.

CINEMA

A cineasta belga Chantal Aker­man nasceu em Bruxelas, 1950, e viveu o auge de sua carreira nas décadas de 1970 e 1980, lançan­do filmes que propõem visibilida­de a questões simples e corriquei­ras da vida. A sensação que se tem durante uma visita aos filmes da autora é de que ela promove um boicote a tensões e momentos ex­plosivos, buscando nas horas de introspecção imagens que colo­quem o público numa atmosfe­ra de tempo real, diante de cenas palpáveis, que poderiam aconte­cer a qualquer momento: numa ida ao mercado, ao banheiro ou à sacada. Mais tarde esse estilo ganharia como definição o ter­mo “slow cinema” (cinema lento). Akerman suicidou-se em 2015, aos 65 anos, depois de lutar du­rante anos contra a depressão. Sua obra vem ganhando visibili­dade pela sensibilidade com que retrata a figura da mulher.

A diretora sempre se recusou a lidar com estereótipos pré-conce­bidos, e nunca permitiu que seus filmes fossem exibidos em mos­tras exclusivas, como as de cinema LGBT. Ela não gostava de lançar vi­sões “conclusivas” ao teor de seus filmes em geral. Queria que eles fossem tratados como filmes co­muns, e não vistos como taxativos. Tal ponto de vista pode ser com­provado em um comentário da au­tora sobre seu filme Eu, tu, ele, ela, de 1976, que mostra o amor entre duas mulheres: “Escrevi uma his­tória que eu gostei. Todo mundo pensava que era algo político, mas era uma história de amor normal. Não estou dizendo que é um fil­me gay, ou feminista. Se eu disser que é, você pode procurá-lo com noções pré-concebidas”.

A dupla de irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, que nasceu na cidade de Liège, no leste da Bél­gica, é considerada expoente do cinema europeu nos anos 1990 e 2000. Juntos eles escrevem, pro­duzem e dirigem seus filmes. Já es­tiveram envolvidos na realização mais de 30 filmes, além de 15 do­cumentários. A obra mais famosa da dupla é o longa Rosetta, lança­do em 1999. No filme, a protago­nista é uma adolescente que vive num trailer com sua mãe alcoólatra em uma relação conturbada. Elas enfrentam problemas financeiros, e Rosetta está disposta a fazer de tudo para dar um novo rumo à sua vida. O filme foi premiado em Can­nes com a Palma de Ouro e Émilie Dequenne venceu como melhor atriz. Além de Rosetta, filmes como O Filho (2002) e A Criança (2005) são considerados clássicos recen­tes do cinema europeu.


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