Clássico atualizado
Redação DM
Publicado em 11 de março de 2018 às 00:18 | Atualizado há 1 ano
Até que ponto os indivíduos são jogadores da vida ou joguete do destino? Uma fatalidade torna seus envolvidos algozes ou vítimas? Quando é que uma pessoa se torna um ser abominável? São estas algumas das questões que “Édipo”, uma adaptação livre da tragédia grega de Sófocles, “Édipo Rei”, deseja tocar. Pois, a intenção da Cia Benedita de Teatro é de, a partir do texto centenário, invocar o questionamento, a respeito da sociedade globalizada e alienada pela mídia. A entrada para o espetáculo é franca.
Com este intuito, o espetáculo, que chegou aos palcos em 2007, reestreia hoje, às 20h, no Centro Cultural UFG, dentro do Gosto de Teatro IV. Tal projeto foi contemplado com o Prêmio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, e prevê a circulação de mais quatro espetáculos do grupo, além de Goiás, em cidades do Ceará, Tocantins, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Sob direção do reconhecido e premiado Hugo Rodas, a montagem retorna aos palcos, com uma mudança: juntamente com Adriana Veloso estará um novo ator, Leopoldo Rodriguez, ao contrário de Tiago Benetti, que atuou no espetáculo até o ano passado.
Mas, o caráter contestado dor roteiro de Adriana Veloso continua o mesmo, que mistura a Sófocles, escritos de Platão, Shakespeare, Nietzsche, Calderón de la Barca, Erasmo de Roterdan, Stendal, entre outros. Assim que traça um paralelo entre vida, jogo e tragédia humana.
A peça traz ainda uma mistura da linguagem circenses, como o tecido–que recebeu coreografia de Tetê Caetano–e assim consegue soar leve e lúdica ao público, mesmo tratando de questões espinhosas.

O DIRETOR
A presença do diretor, coreógrafo, bailarino e professor, Hugo Rodas é também motivo de sucesso. Radicado no Brasil há 30 anos, o artista uruguaio tornou-se reconhecido e respeitado por suas propostas polêmicas e inovadoras e se como um dos mais talentosos e importantes diretores de seu tempo.
Esteve durante muito tempo à frente do Grupo Pitu e realizou espetáculos antológicos como “Os Saltimbancos” (Prêmio do Serviço Nacional do Teatro, como melhor espetáculo infantil de 1977) que marcou o cenário artístico da cidade de Brasília, ajudando a consolidar uma atividade, então incipiente.
Rodas trabalhou ainda, de 1981 a 1984, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com o diretor Antônio Abujamra, e no Teatro Oficina, do diretor José Celso Martinez Corrêa.
Dono de alma inquieta, aos 77 anos é professor do Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da UnB e fundador do Teatro Universitário Candango (TUCAN). Dentre outras peças que dirigiu se destacam: “Mesfitofelis”, com Antônio Abujamra no elenco e apresentada no Teatro da FIESP, em São Paulo, e “Seis Personagens Em Busca de um Autor” – de Luigi Pirandello e participação do grupo TUCAN–que recebeu os seis prêmios, dentre os quais o de melhor diretor e espetáculo no Festival Universitário de Blumenau.
ATRIZ E ROTEIRISTA
A presença de Adriana Veloso no elenco também o segredo do sucesso, já que é a responsável pelo roteiro do espetáculo, e pela Cia. Benedita de Teatro que nasceu “Édipo”.
Adriana Veloso já atuou em mais de cinquenta espetáculos no Brasil e trabalhou com diretores, do calibre de: José Celso Martinez Corrêa, Larry Tramblay (Canadá) , Maurício Parroni (Itália), Marcos Fayad, Pedro Zorzetti, Sandro di Lima, Selma Ferreira, Júlio Vilela, entre outros.
Já estudou na Espanha na Sala Beckett, em Barcelona, com profissionais de diversas áreas teatrais. Atualmente faz parte da Esqueteria Macacos com Dionísio Bombinha, e com o presente espetáculo, inaugura a Cia. Benedita de Teatro. Leopoldo Rodriguez traz no seu currículo, entre outras coisas:
