Critics Choice deixa mal-estar após premiação constrangedora
Redação Online
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 20:16 | Atualizado há 5 meses
Diretor pernambucano soube que levara o Melhor Filme Internacional de supetão - Foto: Reprodução
Marcus Vinícius Beck
Longe de ser um termômetro para o Oscar, o Critics Choice Awards deixou, na noite de domingo (04/01), uma péssima impressão entre os cinéfilos. No tapete vermelho, próximo à entrada da cerimônia, em Los Angeles (EUA), o cineasta Kleber Mendonça Filho foi pego de surpresa pela apresentadora sorridente, que lhe entregou ali mesmo uma estatueta.
“Filmamos no ano passado, nos divertimos muito. Tivemos um elenco enorme. Ele foi muito importante para fazer todos ali conseguirem se sentir à vontade e fazer parte do filme”, dizia o diretor de “O Agente Secreto”, em conversa com o canal E!, especializado em cultura pop.
Ao lado dele estava a esposa e produtora Emilie Lesclaux. Ambos foram surpreendidos — pelo prêmio e pela situação em si. Mendonça Filho até tentou agradecer. “Uau, obrigado”, disse ele. Instantes depois, a apresentadora afirmou que muitos troféus ainda seriam entregues naquela noite. O diretor não conseguiu expressar um agradecimento formal.
Uma coisa é certa, porém: isso não é habitual no Critics Choice. No ano passado, por exemplo, o longa francês “Emilia Pérez” saiu premiado de Los Angeles, com o tradicional discurso dos vencedores diante da plateia. Por que mudou dessa vez? Para os brasileiros, o episódio reforça a centralidade do cinema anglófono, que seria algo próprio dos americanos.
Seja como for, o assunto pegou mal na web. Cinéfilos no X, antigo Twitter, descrevem a sequência como um desrespeito aos nossos conterrâneos ali presentes, pois a categoria de Melhor Filme Internacional teria sido considerada menor em comparação às outras.
Deboche
Os brasileiros, pelo menos, se vingaram ao fim da cerimônia. O pernambucano Kleber Mendonça Filho e o baiano Wagner Moura caminharam até o palco para anunciar o troféu de Melhor Filme da noite. Bem-humorado, leve como uma pluma, Moura alfinetou: “[É] o que no Brasil chamamos de melhor filme estrangeiro.” A piada cutucou Hollywood.
Quem faturou o prêmio foi “Uma Batalha Após a Outra”. Na definição do respeitado crítico Inácio Araujo, trata-se de um verdadeiro “espetáculo das contradições americanas”. O longa, possível pedra no sapato de “O Agente Secreto”, foi dirigido por Paul Thomas Anderson.
Estrelado por Leonardo DiCaprio, o filme se atira no coração da civilização estadunidense — para que fiquemos na tese de Araujo. Ou seja, para o especialista, banha-se de violência, racismo e humor. Não parece uma bola fora premiá-lo.
Mas o Critics Choice, lembremos, prefere o cinema anglo-saxão. Ao contrário do Globo de Ouro (atento à diversidade cultural), o corpo de votantes daquele reúne jornalistas americanos e canadenses. Acalme-se: “O Agente Secreto” segue favorito ao Oscar.