Entretenimento

Encontro de Cultuas celebra as raízes do Brasil na Vila de São Jorge, em Goiás

Redação Online

Publicado em 14 de outubro de 2026 às 20:22 | Atualizado há 29 minutos

Mestres da cultura popular mostram a ancestralidade e a diversidade
brasileira na Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás | Michelly Matos
Mestres da cultura popular mostram a ancestralidade e a diversidade brasileira na Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás | Michelly Matos

Alto Paraíso de Goiás (GO) – O som não para. A música não se aquieta. Os tambores ressoam pela Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás, a 426 km de Goiânia, expandindo até o sábado (17) as raízes ancestrais na Chapada dos Veadeiros. É o 26º Encontro de Culturas Tradicionais.

Durante 12 dias, mestres da cultura popular, comunidades quilombolas, povos originários e artistas de diferentes regiões do país passaram pela vila. Só coisa fina. Tem shows, rodas de conversa, exposições e feiras nas ruas e espaços culturais de São Jorge, no nordeste goiano.

Desde terça-feira (6), o horizonte do Cerrado abraçou os encantos de um Brasil profundo e belo, acolhendo a linhagem que sustenta a nossa identidade. Na programação, as reflexões acadêmicas se misturaram aos ensinamentos populares. Sem hierarquia, restou o diálogo.

É o que acredita o produtor Juliano George Basso, idealizador do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada. Desde 2001, ano em que instituiu o evento, ele atua na criação de espaços de convivência, circulação e reconhecimento para culturas populares e tradicionais.

“O Encontro celebra a pluralidade que nos constitui como país”, salienta Juliano, também coordenador da Aldeia Multiétnica e ativo na articulação da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge junto aos mestres, povos indígenas, comunidades e parceiros públicos e privados.

Para ele, o Encontro de Culturas é um espaço em que diferentes grupos compartilham seus conhecimentos. O passado, crê Juliano, lança pontes ao futuro. “Enquanto houver memória, haverá caminhos para seguir”, atesta o curador, enfatizando a importância da oralidade.

Com cerca de 600 moradores, o distrito de São Jorge situa-se a 36 km de Alto Paraíso. Suas ruas são de terra vermelha. Na vila, os sotaques e as línguas estrangeiras misturam-se, encantados diante da beleza cerratense. Há fartura de pousadas, restaurantes e ecoturismo.

Dali também se chega ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, um imenso relicário ecológico criado por meio de decreto do presidente Juscelino Kubitschek, em 1961. Batizado à época como Parque Nacional do Tocantins, a área atualmente é administrada pelo ICMBio.

Encontro de Culturas congrega mestres e mestras em uma celebração da diversidade ancestral que formou a sociedade brasileira | Foto: Michelly Matos

Santuário

O Encontro de Culturas, portanto, acontece neste santuário ecológico-ancestral. Entre socioeducação e oportunidades sustentáveis, as atividades incluem a Escola do Povoado de São Jorge, até sábado (17), das 8h às 17h. No palco principal, shows emocionaram a todos.

A noite derradeira, em ritmo folk rural, teve a viola do músico Renato Teixeira. Por minutos, talvez uma hora e tanto, o artista dedilhou acordes que entoaram os sons caipiras. Teixeira, na segunda (12), cantou: “Como eu não sei rezar/ Só queria mostrar/ Meu olhar, meu olhar.”

Nos próximos dias, o Encontro alcança o fim. A arte, porém, segue: com início ontem, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge recebe Encontros Transformadores, nos quais haverá diálogo, roda de prosa e aula-espetáculo. A agenda prossegue e, sendo assim, o público se deleita.

Muitos contemplam a mostra “Garimpeiros de Cristal de São Jorge”. Este repórter, enquanto batuca as sílabas da civilização, se acha ouvindo o samba-funk-soul do inigualável Jorge Ben Jor: “Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge.” Só a arte e a música salvam.

Ao congregar mestres e mestras das culturas tradicionais, Juliano George Basso acentua a força do Encontro de Culturas. Segundo ele, cujo trabalho conecta cultura e educação, a iniciativa tem sua força tanto nas manifestações artísticas quanto nos vínculos construídos.

“O Encontro é um lugar onde o Brasil reconhece a riqueza de suas próprias raízes. Cada povo traz seus conhecimentos, suas músicas e suas histórias, e dessa partilha nascem novas possibilidades”, diz. “Queremos que os mestres sejam ouvidos, que os jovens se reconheçam nessas tradições e que cada pessoa leve consigo a experiência de aprender com o outro.”

De carro, siga até Brasília e depois pegue a BR-020 em direção a Formosa. Em seguida, vá pela BR-010 e pela GO-118 até Alto Paraíso. Ao chegar em Alto Paraíso, acesse a GO-239 até São Jorge. O som não para. A música não se aquieta. Os tambores ressoam. É só curtir.

Tambores ressoam pela vila e dão o tom para o encontro cultural que ocorre na Chapada dos Veadeiros, em Goiás | Foto: Michelly Matos

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia