Fica 2026: Xande de Pilares solta a voz após jogo da Seleção Brasileira
Redação Online
Publicado em 18 de junho de 2026 às 21:32 | Atualizado há 1 hora
Sambista traz a Goiás repertório criado em décadas - Foto: Facebook/ Xande de Pilares
Marcus Vinícius Beck
Antes do samba, a Seleção Brasileira entra em campo. Será um jogo decisivo, hoje, às 21h30 (horário de Brasília), contra o Haiti, pelo grupo C da Copa do Mundo. Findada a partida, o Xande de Pilares leva seus hits à Praça de Eventos, na Cidade de Goiás, durante o Fica 2026.
Xande vocaliza os tons da brasilidade. É artista popular, devoto ao ritmo e à música, algo que o atraiu na adolescência. Foi aí que o carioca de 56 anos escolheu a música como forma de vida, indo morar com uma tia — a mãe o autorizava a frequentar as rodas de bamba.
Para o artista, todo sambista tem o seu espaço, aquele local onde se iniciou na arte. O Fundo de Quintal, por exemplo, se acha em casa no Cacique de Ramos. Noel Rosa, mesmo hoje, é o poeta de Vila Isabel. Já Xande, de sua parte, gosta de lembrar daqueles Pagodes da tia Gessy.
Sente-se bem, em suma, por estar nos braços do povo. Inclusive, assim se chama seu recente disco ao vivo, já disponível nas plataformas. Nesta obra, Xande repassa seus 35 anos entre o pagode carioca dos anos 80 e a faceta romântica de São Paulo, popularizada na década de 90.
Do início ao fim, “Nos Braços do Povo” celebra às rodas de samba do Grupo Riacho, Sambola, Pagode do Boleiro e Compasso da Vila. O artista revelou, em janeiro deste ano, que o repertório traz lado A e lado B. Só há um critério: boa música. E existem muitas por aí.
Não há por que duvidar disso. Xande se mostra ao público artista em sintonia com suas raízes afro-brasileiras, dividindo-se entre a cura pela natureza e espiritualidade. Difícil não se comover. Basta ouvir a regravação de “Banho de Flores”, de Luedji Luna e Emillie Lapa.
No toca-discos
Voz rouca, rasgada, como um bamba. O cavaco, flutuando, chora no toca-discos. Começa “Muito Romântico”. Agora “Xande Canta Caetano” reimagina clássicos do tropicalista. Os arranjos, sem perder a energia sincopada do samba, são assinados por Pretinho da Serrinha.
Que sorte: esse disco foi editado em LP pelo Três Selos. Mas, claro, não é preciso adquirir o bolachão para degustar a sonoridade da obra, cuja terceira faixa, “Qualquer Coisa”, exibe o bandolim do músico Hamilton de Holanda. Os ouvidos se assanham, os corpos sassaricam.
Quando cai em si, você já tá pra lá de Marrakesh. Enquanto isso, em meio ao timbre fino e metálico do trompete, passa a ressoar a canção-amor “Tigresa”. O disco, lançado pela Gold Records, traz ainda “Lua de São Jorge” e “Gente”, cânticos sobre um acorde perfeito maior.
Mais uma vez, Xande atravessa memórias. Recorda-se, entre o violão sete cordas de Rogério Caetano e a gaita de Gabriel Grossi, do cantor Moreira da Silva que ouvia quando criança. Belíssimo samba-choro, samba-maculelê (“Trilhos Urbanos”), samba-alegria (“O Amor”).
“Xande Canta Caetano” acabou eleito o Melhor Álbum do Ano no Prêmio Multishow de 2023. Também foi o único disco brasileiro indicado na categoria Melhor Álbum do Ano no 25º Grammy Latino. Trata-se, isto sim, de uma celebração à música brasileira e à brasilidade.
Vanessa da Mata leva turnê ‘Todas Elas’ ao Fica

O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) recebe a cantora Vanessa da Mata, 50. Uma das vozes mais conhecidas do Brasil, a artista chega à antiga capital goiana com a turnê “Todas Elas”, na qual apresenta sucessos criados em duas décadas de carreira.
Sob direção de Jorge Farjalla, Vanessa percorre uma jornada barroca da Santa à Maria Sem Vergonha. No show, a artista fala sobre uma mulher em busca do amor — ou, quem sabe, apenas o enfrentando. Segundo a artista, o concerto mostra o Brasil e sua cultura popular.
Vanessa começa pela sua origem. Uma moda de viola transporta o público para o Mato Grosso, donde saiu para encantar o Brasil com sua suavidade murmurante. Depois disso, músicas autorais tomam conta do espetáculo, como “Eu Te Apoio em Sua Fé” e “Ciranda”.
Se o repertório não mudar, o show deve dedicar espaço para festejar Chico Buarque. Na capital paulista, em março deste ano, houve uma versão para “História de Uma Gata”, que Chico fez para o musical “Os Saltimbancos”. Vanessa, como esperado, encantou a todos.
Entre o samba-rock (“Quem Mandou”) e a cadência latina (“Um passeio com Robert Glasper pelo Brasil”), “Todas Elas” desvenda o amadurecimento que a cantora experimentou nos últimos anos. A começar, é certo, pelo ótimo disco homônimo lançado no ano passado.
Desejo
Vanessa quer todos escutando o álbum, disponível nas plataformas, e assistindo ao show. Ela confessa ao Diário da Manhã que seu desejo é ver as músicas de ‘Todas Elas’ serem compreendidas pelo público. “Que se divirtam, cantem e dancem durante o show”, diz.
Identificando-se como “cantora de MPB”, a artista começa seu novo disco, de mesmo nome de seu concerto, com uma crítica ao machismo em “Maria Sem Vergonha”: “É uma crítica sobre uma visão ultrapassada que algumas pessoas ainda têm sobre o que é ser mulher.”
“Nascida em Alto Garças (MT), sempre estive em contato com ritmos que vão além dos que chegam no Sudeste. Eu acho que a geografia ajuda muito nessa coisa polirrítmica. Essa modalidade polirrítmica é muito minha desde sempre e me sustenta muito nessa variedade do canto, que me faz muito bem. Eu busco parceiros que me acrescentem”, explica.
No domingo (21), o cantor Marcelo Falcão fecha o Fica, a partir das 20h, no palco Beira Rio. O artista, ex-O Rappa, vai cantar para o público canções que marcaram a música brasileira nos anos 1990. Em 2019, ele lançou seu primeiro disco solo, “Viver (Mais Leve que o Air)”.