John Green troca ficção por realidade e aborda impacto da tuberculose em novo livro
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 26 de março de 2026 às 11:04 | Atualizado há 4 meses
John Green lança livro de não ficção inspirado em história real vivida na África | Foto: Reprodução
O escritor americano John Green ficou mundialmente conhecido pelo best-seller A Culpa é das Estrelas, que narra a história de dois adolescentes que se conhecem em um grupo de apoio para jovens com câncer. Agora, ele lança um livro bastante diferente de suas obras anteriores: Tudo é Tuberculose.
Diferentemente de seus romances, o novo trabalho é uma obra de não ficção. No livro, o autor explora como a tuberculose influenciou grandes eventos históricos, desde o início da Primeira Guerra Mundial até aspectos culturais inesperados, como a popularização do chapéu de caubói. Esta é a primeira vez que Green dedica um livro inteiro a um único tema, após estrear no gênero com Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra, em 2021.

A ideia para o livro surgiu após uma experiência pessoal do autor em Serra Leoa. Há cerca de dez anos, Green iniciou um projeto voltado à redução da mortalidade materna no país. Durante uma visita a um hospital local, em 2019, conheceu um jovem que aparentava ter menos de dez anos e que o guiou pelo local.
Posteriormente, o escritor descobriu que o rapaz, chamado Henry, tinha 17 anos. A aparência infantil era consequência da desnutrição e da tuberculose agravada pela falta de acesso a diagnóstico e tratamento adequados. Segundo Green, o jovem pediu que sua história fosse contada com base na realidade, e não na ficção.
O autor destaca que, enquanto em países ricos a tuberculose é frequentemente vista como uma doença do passado, em regiões mais pobres ela continua sendo um problema atual, devido à falta de exames precisos e medicamentos modernos.
“Henry ficou doente por causa de forças históricas que permitem que a tuberculose ainda exista, apesar de ter cura desde os anos 1950”, afirma Green.
Apesar da mudança de formato, o escritor ressalta que o livro ainda dialoga com temas recorrentes em sua obra, como juventude e doença. Ele cita a autora Virginia Woolf ao refletir sobre a importância da doença como tema literário, ao lado de questões como amor e guerra.
Segundo Green, abordar doenças também é uma forma de explorar experiências intensas da juventude. Ele relembra que, em “A Culpa é das Estrelas”, os protagonistas vivem um primeiro amor sob a consciência da finitude, questionando se uma vida curta pode, ainda assim, ser significativa.
O autor afirma que gosta de escrever sobre adolescentes justamente por vivenciarem experiências marcantes pela primeira vez, com intensidade única.
Após a publicação do novo livro, Green relata ter recebido mensagens de leitores inspirados a lutar por maior acesso à saúde. Ele alerta, no entanto, que a tuberculose pode voltar a se agravar globalmente devido à redução de investimentos por parte de países ricos.
Ainda assim, demonstra otimismo: acredita que é possível construir um cenário em que a doença seja rara e não fatal — uma realidade que, segundo ele, pode ser alcançada ainda em sua vida.
(Luiza Míssil/Folhapress)