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Leandro Menezes dribla algoritmos em livro que lança no Rensga Café, em Goiânia

Redação Online

Publicado em 12 de dezembro de 2025 às 10:43 | Atualizado há 7 meses

Garimpeiro: Leandro Menezes aglutina elepês na obra “Diário de um Colecionador para Colecionadores”
Garimpeiro: Leandro Menezes aglutina elepês na obra “Diário de um Colecionador para Colecionadores”

Marcus Vinícius Beck

O filósofo e historiador Leandro Menezes indica 365 discos para serem ouvidos durante os próximos 12 meses. Ele assina a curadoria da página “LP Todo Dia”, que desfruta de 12 mil seguidores no Instagram alcançados com pequenos textos sobre o poder afetivo da música.

“LP Todo Dia” soma cerca de 1,6 mil vinis indicados, entre clássicos, lançamentos e raridades. Os textos trazem histórias, análises críticas e depoimentos acerca de sua relação com os álbuns. Agora, o pesquisador avança ao aglutinar essas informações em livro-diário.

Goiano de quase 40 anos e professor há mais de duas décadas, Leandro lança pela editora Garota FM Books a obra “LP Todo Dia”. O escritor autografa exemplares daqui a oito dias, no sábado (20/12), a partir das 11h, na cafeteria Rensga Café (R. C-264, 300 — Nova Suíça).

É um discófilo de carteirinha, além de carimbeiro profissional e, claro, homem das palavras. Desde a infância, a música compõe memórias: prazer e conforto. Foi moldado, em termos sonoros, pelos discos dos irmãos mais velhos, que o despertaram para a escuta precoce.

Embora veja a arte como enigma e revelação, Leandro não se diz crítico musical. Na rede social, limita-se ao serviço: ajudar o leitor cansado da mesmice algorítmica a escolher um som, ao mesmo tempo em que lhe mostra curiosidades existenciais a respeito das obras.

Tem dias que é foda saber o que ouvir — a máquina, essa armadilha pós-moderna, sugere os mesmos estilos. É preciso apagar as luzes e, ao fundo, escutar a vitrola. Quando repousar a agulha, ouvindo crepitações e chiados, haverá de ter repassado a vida — saímos do tempo.

Historiador ajuda leitor cansado da mesmice algorítmica a escolher o que ouvir – Foto: Acervo Pessoal/ Instagram

Dica para hoje

Em “Diário de um Colecionador para Colecionadores”, Leandro sugere a audição de um disco por dia — do rock à MPB. Ao longo do livro, além de conhecer elepês gravados nos últimos 100 anos, o leitor sonoriza-se ao percorrer memórias de um melômano goiano.

“Este compilado em vinil que indico hoje, além das parcerias com o maestro Don Costa e o arranjador brasileiro Eumir Deodato, apresenta também parte do legado incrível do nosso bossanovista [Tom Jobim]”, sublinha o escritor, aguçando a percepção auditiva do repórter.

É a trilha sugerida para hoje (12/12): “Sinatra & Company”. Mais do que isso, trata-se de uma obra evocativa. Conta-se que, em certo dia de 1966, Jobim sorvia canecas de chope enquanto o garçom do bar Veloso, em Ipanema, lhe dissera que um gringo o requisitava.

O maestro soberano, meio borracho, levantou-se de sua cadeira e caminhou até o telefone. “Era um convite para gravar um dos discos mais importantes da história da música, o clássico de nascença ‘Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim’”, narra Leandro.

Para o autor, o lado A revela apreço de Sinatra pelo maestro soberano, enquanto o B altera a rota musical. “Ouvimos uma espécie de soft rock, à luz das obras de John Denver, músico que conheci através do meu pai”, realça o historiador, ao tecer um depoimento subjetivo.

“Joe Cocker”: pesquisador afirma que obra deve ser lembrada pela intensidade — Foto: Divulgação

Memórias

No prefácio, a escritora Ana Alberton explica por que a música rebobina a vida. Com os anos, salienta, os discos acumulados marcam datas pessoais, mas atravessam o nascimento dos filhos, a memória da infância, o aniversário de alguém querido e aquele show especial.

“É verdade, eu sei, as coisas mudam de lugar. As pessoas envelhecem. O tempo passa. A memória se reinventa. Mas, de fato, teimo em dizer que as músicas ficam”, escreve Ana. “A música é agente ativo de quem não tem intenção de ficar passivo perante o mundo.”

Rouco e feroz em Woodstock, Joe Cocker surge em “Diário de um Colecionador para Colecionadores”. Em decibéis arrepiantes, o cantor garganteia a força bruta da soul music. A voz de Cocker, essa lâmina afiada, corta a caretice numa madrugada de discos e biritas.

Cocker integrou-se ao olimpo da contracultura. Soulman feroz, transformou “With a Little Help From My Friends” em hino alucinado. Como carregava a emoção nas cordas vocais, adaptou a canção à sua região de canto, mais grave do que na versão feita pelos Beatles.

Trilha natalina

Sobre “Joe Cocker”, disco para se ouvir na segunda-feira (22/12), Leandro Menezes rememora o Mercado da 74, no antigo Bairro Popular, onde o comprou. “Jamais esquecerei quando o ouvi pela primeira vez, foi vendo ‘Anos Incríveis’, na TV Cultura, o tema de abertura era justamente sua versão histórica da música dos Beatles”, lembra o escritor.

Leandro recomenda, para o dia 24, véspera de Natal, o disco “Máximo de Sucessos n.° 3”, de 1969. A coletânea capta a efervescência cultural que havia no Brasil à época. No repertório, Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa e Jair Rodrigues garantem bons momentos.

Por fim, o pesquisador aconselha que o feriado natalino seja ao som de “Very She & Him Christmas”, de 2011. “Trata-se de um LP delicado, bonito, calmo, singelo, acessível a qualquer ouvido, recomendado para escutar relaxado, sentado ou dançando”, preconiza.

LP Todo Dia

Autor: Leandro Menezes

Editora: Garota FM

Quando: sábado (20/12)

Onde: Rensga Café, Setor Nova Suíça

Preço: R$ 65

Foto destaque: Acervo Pessoal/ Instagram


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