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‘Mar Branco’ faz sucesso com sexo, cenas de ação e referências ao pop

Redação

Publicado em 25 de novembro de 2025 às 21:06 | Atualizado há 6 meses

Paolla Oliveira vive chefe do tráfico que tem origens açorianas
Paolla Oliveira vive chefe do tráfico que tem origens açorianas

João Gabriel de Lima

(Folhapress) – Uma tempestade empurra um veleiro carregado de cocaína para uma ilha no Oceano Atlântico. O dono do barco tenta esconder a carga entre rochedos da costa, mas a maré sobe e leva os pacotes de droga para a praia. O episódio muda a vida dos moradores da ilha — entre eles, um grupo de quatro jovens, Eduardo, Carlinhos, Sílvia e Rafael, que enxergam a oportunidade de alterar um futuro sem perspectivas.

Este é o ponto de partida de “Mar Branco”, série portuguesa da Netflix que começa com um naufrágio, como uma comédia de William Shakespeare, e aos poucos se transforma num enredo de ação frenética ao som de música pop.

Além de sexo, drogas e rock and roll, há dilemas éticos e a paisagem luxuriante dos Açores, arquipélago onde se passa a trama, agora em sua segunda temporada. Sua primeira temporada foi exibida em 192 países e ficou entre as dez mais vistas em 33 mercados.

“O sucesso internacional se deve, entre outras coisas, à linguagem pop da série”, diz Pandora da Cunha Telles, uma das produtoras. “Quando o espectador vê o personagem Carlinhos de botas cor-de-rosa ou Sílvia com o cabelo roxo descolorido, sabe que está num universo gráfico que não é pautado pela lógica da realidade”.

O enredo fantasioso é baseado num fato bastante noticiado na imprensa portuguesa e espanhola. Em junho de 2001, o veleiro Sun Kiss 47 aportou na ilha de São Miguel, nos Açores. Pilotada pelo traficante siciliano Antonino Quinci, a embarcação carregava, segundo estimativas da polícia, 700 quilos de cocaína com 95% de pureza — na época, o pó branco vendido na Europa raramente chegava ao índice de 25%.

Junto com a segunda temporada, a Netflix exibe um documentário sobre a história real que inspirou “Mar Branco”. Ele se baseia em reportagens que as jornalistas espanholas Macarena Lozano e Rebeca Queimaliños fizeram para o jornal El País.

Trama é protagonizada por brasileiros

A nova temporada tem dois atores brasileiros, Paolla Oliveira e Caio Blat. “A personagem de Paolla é uma das mais complexas da série. Ela interpreta uma chefe do tráfico que tem origens açorianas e sente nostalgia de sua terra natal”, conta Telles. “Este elo com o Brasil é uma coisa que eu gostaria de explorar mais. É possível fazer muitas séries interessantes combinando histórias e atores dos dois países.”

Além do documentário, a série motivou um livro que se tornou best-seller em Portugal. Nascido em Rabo de Peixe, o escritor Rúben Pacheco Correia, de 27 anos, resolveu ir atrás do enredo que capturou sua imaginação na infância.

“Cresci ouvindo o nome e as histórias do Italiano, como o mafioso era chamado na minha cidade”, ele conta. O protagonista de seu livro é o traficante Antonino Quinci, que inspirou na série o personagem Francesco Bonino.

Foto: Netflix/ Divulgação


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