Mostra percorre quatro décadas de carreira do artista plástico Nonatto Coelho
Redação Online
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 19:31 | Atualizado há 5 meses
O artista plástico Nonatto Coelho
Com cerca de 70 telas, uma instalação e dois objetos feitos entre 1983 e 2025, o artista Nonatto Coelho inaugura a exposição “Quatro Décadas de Arte”, nesta terça-feira (27/1), a partir das 19h, no Museu de Arte de Goiânia (MAG), Setor Oeste. A visitação é gratuita.
Nonatto inquire o público com suas inquietações, como se seus traços firmes e elegantes refinassem as velhas formas do viver. Narra as últimas quatro décadas entre pincéis e telas, cores e estéticas — um tempo dedicado a vencer desafios e a driblar percalços existenciais.
Sob curadoria de Sanatan, a mostra revela a produção artística existente desde os tempos alegóricos das cavernas até os dias atuais. Nonatto montou exposições aqui e no exterior, abrindo-se ao mundo das ideias e às possibilidades da arte que lhe foram apresentadas.
Mineiro de nascimento e goiano por opção, mudou-se para a Grécia em 1990 e viveu no país mediterrâneo até 2002. Duas décadas antes de se restabelecer em Goiás, classificara-se para o V Salão Nacional das Artes, promovido pela Fundação Nacional das Artes (Funarte).

Há mais de 40 anos, introduziu o graffiti “de forma espontânea” no estado. “Na época, eu e Edney Antunes tínhamos o grupo ‘Pincel Atômico’. Além da pintura de cavalete no ateliê, eu ‘carimbava’ com spray e stencil os muros de Inhumas, Goiânia, Uberaba”, orgulha-se.
Agora, ao ver tudo isso pelo espelho da memória, rebobina o filme da carreira: “Celebro quatro décadas de trajetória artística, desde a minha primeira participação profissional no V Salão Nacional de Arte, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1982.”
Logo depois, como que guiado por um espírito aventureiro, Nonatto excursionou Oriente Médio adentro, tendo grafitado no deserto de Neguev, localizado em Israel, bem como em Kibutz, situado no país judeu. Na capital Tel-Aviv, chegou a abrir exposições individuais.
De lá, passou por Atenas, Bolonha e Paris. Além da andança, estudou História da Arte no Instituto Likavitôs, de Atenas. Quando retornou ao Brasil, depois da peregrinação europeia, montou seu estúdio em Inhumas, a 45 km de Goiânia, onde está instalado seu famoso ateliê.
De acordo com Nonatto, o tempo escorre rápido se se exerce uma atividade para a qual se tem vocação. “O tempo na arte é outro, pelo menos na minha visão. A arte, a meu ver, tem um parentesco com a religião e a ciência”, compara o artista plástico, cuja saga foi narrada pelo escritor e poeta José Domingo em artigo publicado no DM em fevereiro de 2016.
“A cada década temos uma conquista”, diz artista

Aqueles tempos atenienses seguem vivos em Nonatto Coelho. Também pudera: a Grécia, país em que morou, ensinou-lhe que os gregos contam o tempo de dez em dez anos. “A cada década temos uma conquista, uma responsabilidade antropológica, que nos reveste de responsabilidades pessoais e eventualmente sociais”, observa esse ilustre inhumense.
Para alguns, como disse o poeta Charles Baudelaire, o relógio é um deus sinistro, assustador e calvo, cujo dedo em riste nos ameaça e, impiedosamente, nos cobra: “recorda”. O maldito concentrava suas energias em busca do prazer, essa bruma que morria na onda mais fria.
Os gregos, porém, pensavam diferente. Por volta de 450 a.C., Atenas converteu-se no centro cultural do mundo grego. Na obra “Apologia de Sócrates”, o filósofo grego Platão afirma que a dialética socrática defendia que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”.
Baudelaire e Sócrates? Sim. Tal e qual um bom vinho, Nonatto decanta com sua arte o tempo. Decerto é por isso que ele, aos 62 anos, ainda se sente jovem e deseja continuar a flanar. Para o artista, o momento importante está no agora e hoje é melhor que ontem.
Nonatto Coelho não elege qual foi sua exposição mais relevante nem se preocupa demais. Segundo ele, a vida é cíclica e, assim, a arte traz uma “nova roupagem”, que se transforma conforme a vida cotidiana, os fatos sociais e políticos, embora haja, na visão do artista, uma onda conservadora cuja finalidade é frear “emoções” artísticas. E daí? Não se pode parar.
No quesito labor, pega leve. Já não trabalhava 12 horas por dia — prefere um ritmo comedido. “Mas a emoção é a mesma”, diz. Se fosse possível voltar ao passado, talvez aconselhasse o jovem Nonatto sobre os humanos, pois nascem, na visão do artista, para serem bons e se tornam melhores a cada dia. Nonatto Coelho vaticina: sonhe. Não tenha medo.
“Nonatto Coelho 4 Décadas de Arte”
Quando: terça-feira (27/01), às 19h
Onde: MAG – Museu de Arte de Goiânia
Endereço: Rua 01, 605, Setor Oeste
Entrada franca