Paul McCartney garante disco de estúdio em maio. Ouça single
Redação Online
Publicado em 27 de março de 2026 às 21:51 | Atualizado há 4 meses
Ex-beatle fez show em Brasília, em 30 de novembro de 2023 - Foto: MPL Communications/Divulgação
Marcus Vinícius Beck
Paul McCartney lançou nesta semana o single “Days We Left Behind”. Com arranjo acústico, a canção anuncia o novo disco do músico britânico, que será publicado nas plataformas de streaming em 29 de maio. Até lá, a faixa há de ser ouvida à exaustão nos tocadores digitais.
Ao citar “bares esfumaçados e guitarras baratas”, Paul recorda a juventude em Liverpool. Bons tempos, curtia a vida. Só que nada fica igual, tudo se transforma. Sem saudosismos: “E ninguém precisa chorar/ E ninguém tem culpa/ Pelos dias que deixamos para trás.”
Pura nostalgia, pensando bem. O velho beatle volta às origens em seu 18º álbum de estúdio, “The Boys of Dungeon Lane”. Quatorze faixas em que o músico regressa a seus anos de formação, tempo que moldou não apenas a sua vida, mas também a cultura popular.
No player virtual, a voz ressoa: “Olhando para trás, para o branco e o preto/ Lembranças do meu passado.” Boa hora pra colocar Paul, esse melodista intuitivo. Ótimo instante pra ouvir esse compositor que alcança a poeira cerratense das vidas esquecidas. Paul é Paul e pronto.
Sir Paul McCartney está em um estado de espírito sincero. Vulnerável e reflexivo, ele fala com franqueza sobre a infância em Liverpool no pós-guerra, além de rememorar seus pais e suas primeiras aventuras ao lado de Lennon e Harrison — antes de o grupo mudar o pop.
Há uma canção dos Beatles para cada momento da vida. Foram eles que, entre os anos 1950 e 1960, lançaram as bases do pop. A dupla Lennon & McCartney produziu um som global, uma aldeia de harmonias e melodias. O mundo se unificou na eletricidade beatlemaníaca.
Memória
Para Paul, esses anos tranquilos e despreocupados mudaram a sua vida. Por isso, ele os revisita não como mito ou folclore, mas com suas próprias memórias. Pense num mundo sem Paul McCartney, sem suas melodias e ternura, sem sonho. Como seria? Um porre.
Ele e os Beatles são o maior exemplo para entender o conceito formulado pelo filósofo canadense Marshall McLuhan, a aldeia global. O desvario mundial por esses besouros se espalhou mundo afora a partir dos meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão.
Em tempos pré-internet, a TV permitia a um país receber imagens do dia a dia de outro país. Na sexta-feira, 9 de fevereiro de 1964, a CBS, às oito da noite, iniciava o programa Ed Sullivan Show. Os Beatles se apresentariam para 73 milhões de espectadores na América.
Antes disso, em agosto de 1960, os rapazes fizeram bonito pela primeira vez em Hamburgo, onde moraram numa espelunca, cultivaram dívidas em bares ou cafés e chegaram a tocar sete horas por noite — menos aos sábados, quando a carga horária aumentava uma hora.
Os shows na cidade portuária alemã ocorreram entre 1961 e 1962. Ao se encerrarem, o grupo lançou “Love Me Do”, primeiro hit da carreira. Daí em diante, já tendo adquirido a poeira da estrada, os Beatles se tornariam, nos anos seguintes, um marco da cultura no século 20.
Paul criou música que ecoa por todos os lados

Ecos da música do beatle estão por todos os lados. Isso revela que, para soar contemporâneo, Paul McCartney precisa ser Paul McCartney. A julgar pelo single “Days We Left Behind”, o artista permanece no topo, embora com um traço: oferecer memórias jamais compartilhadas.
“The Boys of Dungeon Lane” foi produzido por Andrew Watt. Ele possui 35 anos, mas é querido por roqueiros das antigas. Já trabalhou com os Rolling Stones no disco “Hackney Diamonds”, de 2023. Paul, inclusive, esteve nos estúdios com Mick Jagger e Keith Richards.
Sobre o novo disco, Paul diz: “O título do álbum, ‘The Boys of Dungeon Lane’, vem de um verso desta música. Eu estava pensando exatamente nisso, nos dias que deixei para trás.” Ele continua: “Muitas vezes me pergunto se estou apenas escrevendo sobre o passado.”
Segundo o músico, são muitas lembranças de Liverpool. “Há uma parte no meio que fala sobre John e a Forthlin Road, que é a rua onde eu morava. Dungeon Lane fica perto dali”, lembra, acrescentando que morava em um lugar chamado Speke. “Era bem operário.”

Tal como em sua estreia solo, em 1970, e em sua contraparte, dez anos depois, Paul tocou a maioria dos instrumentos. É o seu primeiro trabalho desde “Paul McCartney III”, lançado em 2020. As gravações ocorreram em Los Angeles e Sussex, na Inglaterra, entre turnês.
Paul compõe sons. Assim é desde os anos 1960. Quando brigou com Lennon — muita pressão —, ele anunciou o fim dos Beatles. O antigo parceiro foi para um lado, McCartney pra outro, Harrison se lançou em carreira solo e Ringo saiu em sua jornada sentimental.
“The thrill is gone”, caríssimo B.B. King. O baixista, então, pegou seu Höfner, cuja silhueta parece um violino Stradivarius, e criou um novo grupo. Depois, meteu-se em um ônibus, andando pelo Reino Unido e fazendo shows doidões em universidades. On the road total.
Tudo funcionou como nos velhos tempos. No estúdio, entre 1971 e 1979, os Wings criaram sete discos, todos com bons desempenhos nas paradas de sucesso. É desse período, por exemplo, o LP “Band On The Run”, gravado em Lagos, na Nigéria. A música não para.