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Por que o filme Pantera Negra incomoda tanta gente?

Redação DM

Publicado em 23 de fevereiro de 2018 às 05:44 | Atualizado há 8 anos

“Pantera Negra” faturou mais de 200 milhões de dólares em seus primeiros dias nos cinemas ame­ricanos.

O novo filme da Marvel também arrebentou em todos os mercados internacionais onde já estreou. In­clusive no Brasil: foi o mais visto do último fim de semana, com uma renda superior a 30 milhões de reais – quase o triplo do segundo coloca­do, “Cinquenta Tons de Liberdade”.

Como se não bastasse, “Pante­ra Negra” não só recebeu críticas ex­celentes, como também vem sendo saudado como um marco na história do cinema. Afinal, trata-se de um lon­ga sobre um super-herói negro, diri­gido por um negro (Ryan Coogler), com um elenco quase todo negro.

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É justamente por isto que o filme também vem sofrendo ataques des­de que seu primeiro trailer foi lan­çado, em meados do ano passado.

As primeiras reações negativas vieram de grupos da chamada “al­t-right”: direita supostamente mo­derna que vem pipocando nos Es­tados Unidos.

Essa garotada racista resolveu derrubar a cotação de “Pantera Ne­gra” no site “Rotten Tomatoes”, que faz uma ranking dos filmes melhor avaliados por crítica e público.

Detalhe: tentaram fazer isto sem sequer ver o filme. A definição cris­talina do preconceito, que é julgar sem conhecer.

Não deu certo, assim como não tinha dado quando quiseram fa­zer o mesmo com “Star Wars: o Úl­timo Jedi” no final de 2017. Os dois filmes estouraram nas bilheterias, e suas notas no “Rotten Tomatoes” continuaram altas. Pantera Negra, inclusive, aparece como o filme de super-herói melhor avaliado de to­dos os tempos.

Mas também existe um tipo de reação negativa mais discreta, me­nos explicitamente racista. É a da­quele pessoal que reclama da ima­ginária nação africana de Wakanda, onde se passa quase toda a ação de Pantera Negra.

No filme, Wakanda é o país mais moderno do mundo. Sua tecnologia ultrassofisticada foi proporcionada por vastas quantidades de um mi­neral meio mágico vindo num me­teorito. O povo de lá, inclusive, usa esta tecnologia para ocultar o país da cobiça do resto do planeta.

O simples fato de um oásis tec­nológico florescer no coração da África já ergue sobrancelhas. Tem até quem reclame que Wakanda não é uma democracia, já que seu sistema de governo é a monarquia absolutista.

Ora essa, os países imaginários costumam ser monarquias. Não me lembro de nenhum que tivesse par­lamento ou partidos políticos. Su­per-heróis são contos de fadas para adolescentes, e não há líderes eleitos pelo povo nesses contos. No máxi­mo, déspotas esclarecidos.

Se Wakanda parece irreal de­mais, o que dizer então de Valha­la, a morada dos deuses nórdicos de onde veio Thor? E da escola de mágica de Hogwarts, onde estudou Harry Potter? E do planeta Kryp­ton, onde nasceu Superman? Ape­sar de ficar a milhares de anos-luz da Terra, ele tinha uma população caucasiana idêntica à do centro­-oeste do EUA…

Todas essas fantasias são permi­tidas aos brancos. Estava mais do que na hora dos negros também te­rem as deles. Que, na verdade, são também as de muita gente – haja vista o sucesso avassalador de Pan­tera Negra em quase todos os seg­mentos sociais.

Menos entre os racistas.


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