Reduto da arte contemporânea
Redação DM
Publicado em 14 de março de 2018 às 00:05 | Atualizado há 1 ano
Mal acabou a exposição ABC Confaloni – Modernidade Inaugural e Outras Obras, e o Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC-GO), localizado no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), já está pronto para receber mais uma mostra. Uma não, três. O espaço goiano será o primeiro acolher a itinerância nacional do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça. As mostras serão acolhidas pela galerias D.J. Oliveira e Cléber Gouvêa, localizadas no subsolo do museu e todas possuem entrada gratuita.
Goiânia é ainda a única no Centro-Oeste a receber tal projeto, que é realizado pela parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria (Sesi), e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). As mostras mostras vão ficar em cartaz no MAC até 29 de abril, quando seguem então para Fortaleza (maio e junho), Rio de Janeiro (julho a setembro) e Florianópolis (outubro a fevereiro de 2019).

OS PREMIADOS
Nesta inciativa, foram premiados seis artistas e um curador vencedores, que foram agraciados pelo juri formado por: Anna Bella Geiger, Marcus Lontra, Paulo Herkenhoff, Ricardo Resende e Wagner Barja. Os criadores receberam uma premiação em dinheiro, além do acompanhamento de um curador ou crítico de arte ao longo de um ano.
Entre os premiados que vão mostrar sua arte em Goiânia está o inventivo Daniel Lanner. Nascido em Niterói e morador do Rio de Janeiro, sua pintura pretende trazer dúvidas e questões sobre a forma como brasileiro é lido no mundo. Tendo em vista a ressaltada sexualidade e malemolência latentes dos brasileiros, o artista cria uma crônica visual, através dos clichês nacionais, comportamentos e relações de poder e classes.
“É como seu jogasse minhas dúvidas na tela. É uma questão de criar algo maravilhoso e atraente pelo desconforto. Tenho uma obra chamada “Cúpula”, por exemplo, que é uma espécie de encontro de dois universos aparentemente diferentes. Eu peguei uma cena, que eu achei de um sebo de uma reunião de políticos nos anos 70, no Brasil, que tem toda uma atmosfera política carregada. Em cima dessa cena eu inseri uma espécie uma projeção erótica, em um ambiente tão austero e kafkiano”, analisou o artista, em um vídeo produzido pelo prêmio.
No MAC, expõe suas obras também o artista visual catarinense Fernando Lindote, que começou a carreira como cartunista de jornais diários do sul do Brasil. E uma característica que o acompanha desde o início da trajetória é a riqueza de linguagens. “Meu traço, estilo, concepção e técnica precisam estar ligados com aquilo que estou criando”, disse o artista que trabalha com instalações, performances, pintura, fotografia, vídeo, desenho e escultura.
Nesta mostra, traz uma série de autoretratos com porcos, que nasceu de uma instação, na qual o artista perambulou pelo laboratorio de uma galeria em Criciúma, usado na ditadura como um laboratório de tortura, com uma máscara de porco. “Cada vez eu tenho menos hierarquia dentro do meu modo de olhar para tradição. O que me interessa é aquilo o que me desperta”, comentou Fernando Lindote, no mesmo vídeo.
Urbano e consciente dos problemas históricos e sociais do Brasil, o artista paulista Jaime Lauriano é outro nome premiado no projeto. Sua criação engloba audovisual, instalação e textos críticos, com o objetivo de examinar as estruturas de poder contidas na produção da história, revelando as relações violentas entre as forças de poder e controle do Estado e os sujeitos sociais. “Acredito muito que a arte tem uma função de transformação e de falar que a história e a cultura são transmitidas e transpassadas pelo corpo”, diz o artista.
Já o mineiro Pedro Motta, também ganhador do prêmio, usa a fotografia como suporte para seus trabalhos. Em 2013, recebeu o principal prêmio da fotografia de Portugal, o “BES Photo”, 2013, quando seu trabalho foi exposto no Museu Coleção Berardo, em Lisboa. Artista tenta deixar se aquilo é ou não é manipulado. “Uma vez que a paisagem está em constante transformação pela ação do homem, e eu trago isso para o meu trabalho, com as intervenções digitais”.
Outra vencedora do prêmio é a fotógrafa e artista multimídia Rochelle Coste, que vive e trabalha em São Paulo, mas naceu em Porto Alegre. O artista tem um trabalho que une fotografias e instalações. Em sua obra há, registros de ambientes domésticos, que a artista considera “instalações espontânea” e fotografia em movimento, que vem trabalhando com uma vigor atualmente. “Acredito que a função da arte é ativar outras realidades.Uma outra camada da existência”, analisa.
PRÊMIO DE CURADORIA
A mostra traz ainda ao MAC-GO a exposição curada pelo ganhador do Prêmio curadores da 6ª edição do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, “Verzuimd Braziel–Brasil Desamparado”, do curador e historiador Josué Mattos. Ele, desde 2010, realiza ateliês de acompanhamento de projetos de arte, debates e júris de salão de artes e é editor da Revista Binômios.
“Verzuimd Braziel – Brasil Desamparado” reune obras de: André Parente, Anna Bella Geiger, Carla Zaccagnini, Cildo Meireles, Clara Ianni, Dalton Paula, Daniel Jablonski e Camila Goulart, Daniel Santiago, Ivan Grilo, Lourival Cuquinha, Regina Parra, Regina Silveira, Santarosa Barreto, Thiago Honório, Thiago Martins de Melo e Vitor Cesar.
INTENÇÃO DO GESTO
Paralemente às mostras do prêmio, é realizada ainda a exposição “A Intenção e o Gesto”, que integra o projeto chamado Arte e Indústria. A iniciativa homenageia artistas com processos de criação relacionados à produção industrial.
Em sua terceira edição, este projeto tem a curadoria de Marcus Lontra e reúne trabalhos do escultor, gravador, ilustrador e pintor cearence Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), homenageado desta edição, e de mais 10 artistas contemporâneos que dialogam com sua produção.
Estão presentes na mostra: Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchoa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira.
PRÊMIO CNI SESI SENAI MARCANTONIO VILAÇA PARA AS ARTES PLÁSTICAS
Quando: de 14 de março a 29 de abril
Onde: Museu de Arte Contemporânea (MAC) / Centro Cultural Oscar Niemeyer (Avenida Deputado Jamel Cecílio nº 4.490, Setor Fazenda Gameleira)
Visitação: das 9h às 17h (de terça-feira a sexta-feira) e das 11h às 17h (sábados, domingos e feriados)
ENTRADA FRANCA
AÇÃO EDUCATIVA

O Prêmio também se destaca pela ênfase no programa educativo realizado em paralelo às exposições, que contempla visitas mediadas, cursos, ateliês e ações poéticas direcionadas aos diversos públicos que frequentam as mostras, entre eles professores, alunos das redes públicas e particulares, estudantes universitários e famílias. Os agendamentos para as visitas e outras atividades promovidas pelo Educativo poderão ser realizados a partir do dia 6 de março. Informações no telefone: (62) 3201-4923 e no e-mail: educa[email protected].
