Revolução preto e branco
Redação DM
Publicado em 6 de janeiro de 2018 às 23:38 | Atualizado há 1 ano
Sistema de zonas – Como seria a exposição e o processamento ideal de um filme preto e branco? O fotógrafo e ambientalista norte-americano Ansel Adams ajudou a solucionar esse dilema. Em mais de 60 anos de carreira (entre os anos 20 e os anos 1980), o fotógrafo respondeu progressivamente a questão através da prática. Ao lado de Fred Archer, Ansel Adams desenvolveu o chamado Zone System, uma forma de determinar a exposição ideal e o ajuste de contraste perfeito para a imagem final. A profundidade e claridade resultantes dessa técnica caracterizam o charme especial de suas fotografias. Com esse conhecimento em mãos, registrou como ninguém o oeste dos Estados Unidos, e deixou para as futuras gerações um legado de valor inestimável.
Adams sempre teve um carinho especial ao oeste americano, com suas formas e relevo exuberantes. Seu primeiro portfólio, Parmelian Prints of the High Sierras, editado em 1927, traz uma de suas fotos mais conhecidas, e a primeira a dar grande visibilidade a seu trabalho: Monolith, the Face of Half Dome. No artigo ‘A história por trás da fotografia que tornou Ansel Adams Famoso’, para o site Artsy, a autora Abigail Cain traz detalhes de uma das primeiras expedições fotográficas daquele que mais tarde seria consagrado como um dos fotógrafos mais influentes da história. Tudo aconteceu há mais de 80 anos, no dia 10 de abril de 1927, quando Adams tinha apenas 25 anos. Ao lado de quatro amigos, partiu para o Parque Nacional Yosemite na Califórnia.
O principal atrativo do Parque é a famosa Half Dome, uma cúpula de granito que fica há quase 1500 metros acima do nível do vale. “O aspirante a fotógrafo já havia feito esse caminha antes. Uma vez com o tio, e mais tarde com um conhecido pintor, que quase quebrou o pescoço no percurso de volta – uma traiçoeira descida do estreito barranco”, conta Abigail. Desta vez, no entanto, o objetivo de Adams era mais específico que nunca: colocar em prática a tão pensada cereja do bolo em sua galeria de êxitos, algo que mostrasse a verdadeira grandiosidade de Half Dome. “Ele tinha a intenção de capturar a foto perfeita do Half Dome para adicionar ao portfólio – uma foto que lançaria sua carreira como um dos mais importantes fotógrafos do século passado”.
Antes de conseguir realizar a foto que o imortalizou, Adams tinha outras pretensões artísticas. “Na maioria dos seus 25 anos, Adams considerava-se mais músico que fotógrafo. Ele era um pianista dedicado, e havia passado um inverno em São Francisco lecionando música e performando como parte do Milanvi Trio. Mas para ele, logo ficou claro que seu nível de talento seria suficiente apenas para que ele fosse reconhecido regionalmente”. Depois de abandonar o sonho musical, decidiu encarar um curso de fotografia. Recebeu de seu mentor, Albert Bender, um patrono das artes de São Francisco, encarregou-lhe da missão de produzir um portfólio largo, com fotos de montanhas em preto e branco, sendo o êxito de Adams uma condição de patrocínio.
A EXPEDIÇÃO
No momento da proposta, Adams já possuía boa parte das fotografias para preencher o portfólio, mas ainda não sentia-se satisfeito com os registros de Half Dome que já tinha. “Ele já tinha feito algumas fotos do Half Dome antes. Algumas eram resultado de suas primeiras experiências com uma câmera, depois de ter sido presenteado com uma Kodak Brownie quando tinha 14 anos durante uma viagem para o Parque Yosemite”, explica Abigail Caim. Ele também já havia fotografado o efeito do luar na montanha, em um local do parque chamado Glacier Point, famoso por sua versão panorâmica. Mas, segundo a autora, “na foto resultante, com a face da rocha encapuzada pela sombra, ainda faltava o drama das fotografias posteriores de Adams”.
Durante a expedição, uma mudança de planos fez com que a missão se tornasse ainda mais difícil. “Ele concluiu que precisaria chegar mais perto do Half Dome. Assim Adams e seus amigos saíram rumo ao Diving Board, uma laje de pedra pendurada a cerca de 3500 pés acima do vale. Não foi uma caminhada fácil, e Adams carregava o peso de uma bagagem de 18 quilos, contendo sua câmera, um punhado de filtros e lentes, e 12 negativos de placa de vidro”. A dificuldade e o êxito que ela proporcionou determinariam o comportamento profissional de Adams até o fim de sua carreira. “Essa dedicação única tornaria-se típica nos processos futuro do fotógrafo, nos quais ele passaria, algumas vezes, semanas nas montanhas, procurando pelo local ideal para uma única fotografia”.




