Sally Rooney terá livros retirados do Reino Unido após decisão de apoiar grupo pró-palestino
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 12:10 | Atualizado há 47 minutos
Sally Rooney, autora de “Pessoas Normais” e “Conversas entre Amigos”, deixará de ter seus livros comercializados no Reino Unido | Foto: David Levenson/Getty Images
Os livros da escritora irlandesa Sally Rooney deixarão de ser vendidos no Reino Unido após a autora manifestar a intenção de destinar os rendimentos de suas obras à Palestine Action, grupo pró-palestino classificado pelo governo britânico como organização terrorista. A decisão foi anunciada na quarta-feira (15) pela romancista e por sua editora, a Faber.
Conhecida internacionalmente pelos romances “Pessoas Normais” e “Conversas entre Amigos”, Rooney mantém apoio público à organização mesmo após sua proibição no país, determinada com base na legislação antiterrorismo.
Em comunicado, a Faber informou que chegou a um acordo com a escritora para interromper o fornecimento de seus títulos no mercado britânico, em todos os formatos. As obras, no entanto, continuarão disponíveis em outros países.
A editora explicou que as leis atualmente em vigor impedem o repasse a Rooney dos valores arrecadados com a venda de seus livros no Reino Unido. Segundo a empresa, comercializar as publicações sem transferir à autora os rendimentos correspondentes seria incompatível com sua atuação editorial.
A própria escritora já havia alertado para a possibilidade de retirada de seus livros das lojas britânicas. Em uma declaração apresentada à Alta Corte de Londres, durante a contestação judicial da proibição da Palestine Action, ela mencionou as consequências que sua decisão poderia provocar.
“Fiz todo o possível para ser honesta com o público sobre minhas convicções e intenções e estou inteiramente disposta a aceitar as consequências”, afirmou Rooney em nota.
Entenda a proibição da Palestine Action
A Palestine Action intensificou ações contra empresas do setor de defesa ligadas a Israel. Em junho de 2025, o grupo foi proibido pouco depois de uma invasão à base da Força Aérea Real britânica de Brize Norton.
A decisão do governo passou a ser alvo de questionamentos judiciais. Huda Ammori, cofundadora da organização, contestou a medida e obteve uma decisão favorável na Alta Corte em fevereiro. Em junho, porém, o Tribunal de Apelação reverteu o entendimento.
Um novo capítulo da disputa está previsto para o próximo mês, quando a Suprema Corte britânica deverá analisar um recurso relacionado ao caso.
Prisões e críticas à classificação do grupo
Desde a proibição, mais de 3 mil pessoas foram presas por exibir cartazes em apoio à Palestine Action, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
A classificação da organização como grupo proscrito também provocou críticas de entidades que defendem as liberdades civis. O debate envolve os limites da legislação antiterrorismo e as consequências legais de manifestações públicas de apoio à organização.
A decisão envolvendo os livros de Sally Rooney acrescenta uma dimensão cultural à controvérsia, ao afetar a distribuição das obras de uma autora internacionalmente conhecida em um dos mercados editoriais mais importantes do mundo.
