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“Sinto que não estamos sozinhos”, afirma Wagner Moura

Redação Online

Publicado em 23 de novembro de 2025 às 19:03 | Atualizado há 8 meses

De olho no Oscar: ator baiano emerge como favorito para Melhor Ator
De olho no Oscar: ator baiano emerge como favorito para Melhor Ator

Vitor Moreno

(Folhapress) – No Oscar passado, Fernanda Torres disse que não queria que o público brasileiro criasse muitas expectativas, mas Wagner Moura escolheu um caminho diferente para a campanha de “O Agente Secreto” rumo a Hollywood. O ator diz que ter a torcida jogando a favor é algo que o impulsiona.

“Faz eu sentir que não estamos sozinhos”, diz o ator. “Faz eu lembrar que não somos apenas nós dois aqui [ele aponta para o diretor Kleber Mendonça Filho, ao seu lado]. Estamos cercados por um país que é conhecido em todo o mundo por sua cultura única. Então, me sinto ótimo com isso.”

Ele também destaca a importância de mostrar o país para os outros. “Adoro quando plateias de todo o mundo reagem à ‘perna cabeluda’ e coisas assim”, diz, referindo-se à lenda urbana que ganha status de coadjuvante no longa.

“Isso faz parte da nossa cultura, e está sendo exibido em outros países”, afirma. “Mas ainda melhor do que isso é quando os brasileiros olham para si mesmos, quando colocamos um espelho na nossa frente, com teatro, com livros, com arte… E então podemos refletir sobre que tipo de pessoas somos. Acho que precisamos disso.”

Democracia

 “Nós dois [ele e Kleber Mendonça Filho, diretor] nascemos durante a ditadura, então crescemos com pessoas nos dizendo que nossa democracia é jovem e nossa democracia é frágil”, lembra o ator. “Acho que o que acabamos de fazer foi notável. O fato de termos mandado militares para a prisão e de Bolsonaro ter sido julgado é uma demonstração da força da nossa democracia.”

Wagner Moura brinca com o fato de que seu Marcelo/Armando, seu personagem, conhece várias pessoas que vão transformá-lo ao longo do caminho. “Me senti como a Dorothy em ‘O Mágico de Oz’, sabe?”, comenta.

O ator também diz que a experiência foi ainda melhor por ter trabalhado com diversos atores nordestinos. “[Tinha] muitos atores da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe, da Bahia… Grandes atores, todos eles. E esse é o maior prazer que tenho”, diz. “Talvez seja um clichê, mas o que me excita em termos de atuação é simplesmente olhar para o outro e pensar: você pularia no abismo com eles?”

Ele destaca Tânia Maria, que tem ganhado elogios como dona Sebastiana no filme e até entrou no radar das listas de apostas ao Oscar de atriz coadjuvante. “A primeira vez que filmei com ela foi a cena em que ela me mostra o apartamento e, se você olhar bem o filme, você pode ver que sou eu, Wagner, pensando: ‘Essa mulher é simplesmente maravilhosa, ela é incrível’.”

Sobre o final algo aberto, que incomodou parte do público, Kleber Mendonça Filho explicou por que escolheu ser menos explícito. “Na verdade, tentei ser convencional com uma cena de morte, uma cena de assassinato, mas não consegui nem passar da segunda linha”, afirmou. “Não estava interessado. Não queria ir por aí.

Foto: CinemaScópio


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