Solidão compartilhada
Redação DM
Publicado em 8 de março de 2018 às 22:49 | Atualizado há 1 ano
A artista plástica norte-americana Nicole Eisenman é conhecida principalmente por suas pinturas, e se destaca como um dos grandes nomes da geração. Suas telas lidam com a sexualidade, comédia e caricatura, abordando temas atuais. Ela também cria instalações, desenhos, gravuras e esculturas. Foi professora no Bard College, tradicional escola de Nova Iorque, de 2003 a 2009. Ganhou prêmios como o Guggenheim Fellowship (1996), o Prêmio Carnegie (2013), e foi duas vezes incluída na Bienal Whitney (1995 e 2012). Em setembro de 2015 ela venceu o prêmio MacArthus Genius Grant por “restaurar” a representação humana através de significados culturais – atitude que diminuiu durante a ascensão da abstração no século XX. A artista vive e trabalha atualmente no Brooklyn.
No site Hyperallergic, um fórum dedicado às perspectivas lúdicas, sérias e radicais sobre arte e cultura no mundo atual, o articulista John Yau descreve Eisenman como “uma artista verdadeiramente grande”, qualificando-a como uma narradora do modo de vida contemporâneo. “Nicole Eisenman é uma contadora de histórias, retratista, cronista social, alegorista, fantasista, sonhadora utópica e pintora documental, para citar apenas uma parcela de suas muitas identidades artísticas.” Yau também ressalta a unicidade de Eisenman. “Poucos de seus contemporâneos abraçam essas possibilidades de gênero com tanta convicção quanto ela, ou lidam com a pintura tão bem como ela faz.”
A sensibilidade e a capacidade de expressão da artista são, segundo John Yau, um verdadeiro fenômeno na arte do século XXI. A forma como ela se deixa levar pela criatividade, sentindo-se estimulada por coisas corriqueiras que fluem em sua imaginação, é uma qualidade ímpar, segundo o articulista. “Eisenman é fascinada pelo desafio de criar pinturas e desenhos sobre qualquer coisa que cruzar sua mente: que faça cócegas em suas fantasias, faça-a sentir-se chateada, desafiada, preocupada, deprimida, alegre, ou teste sua capacidade.” A coragem e a franqueza de Eisenman também são lembradas por Yau. “Ela não se sente intimidada em expor seus impulsos contraditórios e pensamentos. Mais importante que isso: ela não esconde seus sentimentos.”
VISÃO GERAL
Uma pequena biografia/resenha de Nicole Eisenman e de seu trabalho encontra-se disponível no site Artsy, especializado em artistas contemporâneos. Segundo o texto, as pinturas da artista comportam-se de forma corporal: os personagens encontram-se em seus devidos lugares impulsionados pelo físico. “Trabalhando com o coração e dirigida pelo corpo, Nicole Eisenman explora a condição humana em suas aclamadas e abrangentes gravuras, pinturas, desenhos e trabalhos mesclados. Como ela mesma explica: ‘Eu transmito um certo desejo no meu trabalho, eu quero que ele seja autêntico e reflexivo em relação ao meu corpo. A obra não é nada se não for baseada em sentimentos’”.
O lado emotivo das figuras retratadas por Eisenman é uma das características mais marcantes de seus trabalhos, pois, apesar de eles parecerem dispersos e perdidos, transbordam sentimentos reclusos. No site Artsy, a página de Nicole Eisenman está associada às seguintes palavras-chave: falha, isolação/alienação, gênero, cartoon, cultura popular e pós-punk. A análise da página cita ainda suas influências, e faz uma breve descrição de suas criações. “Influenciada pelo expressionismo, impressionismo e Pablo Picasso, Eisenman transborda seus quadros com emoção ressonante, figuras cartoonescas, formadas à base do exagero, linhas pictóricas e cores intensas.” Todas os rostos e corpos na obra de Eisenman parecem procurar por um local onde possam existir de fato.
A inspiração da artista surge de acontecimentos corriqueiros da vida, como um encontro de amigos regado ao consumo de álcool, descobertas sexuais e devaneios que tentam definir o que ocorre durante a intensidade do contato físico. “Repletos de páthos e críticas, suas obras são retratos de amigos, ou personagens imaginários baseados em sua observação crítica da vida contemporânea e da cultura. Remetem a um jardim de cerveja, ou em reuniões sonhadoras, em grupos ou solitários”, complementa o site Artsy. Os retratos também guardam algo de provocativo, referências super atuais que colocam-nos em contato com nosso próprio íntimo. “Todas as figuras de Eisenman parecem isoladas e contemplativas, produtos de nosso tempo, reflexos de nós mesmos”, conclui o site.







