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Teatro, literatura e inclusão social

Redação DM

Publicado em 17 de maio de 2018 às 22:44 | Atualizado há 1 ano

A companhia de teatro Grupo Carroça encerra hoje mais uma série de apresenta­ções para a comunidade escolar da rede pública de ensino. O espe­táculo da vez, As aventuras do Ca­valeiro Andante e seu fiel escudeiro, é uma adaptação do clássico Dom Quixote de la Mancha, escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes no século XVII. Um dos destaques des­sa releitura é a parceria inédita com o diretor Júlio Maciel, que é mem­bro do Grupo Galpão, de Belo Ho­rizonte – uma das mais importan­tes companhias de teatro do Brasil, criado no ano de 1982. O público poderá assistir ao espetáculo a par­tir das 19h, no Centro de Educação em Período Integral Dom Abel, que fica na Rua 260, no Setor Universi­tário. A entrada é franca.

Formado há mais de 13 anos, o Grupo Carroça vem ganhando reconhecimento pelas pesquisas que desenvolve com estilos e au­tores consagrados no teatro mun­dial. Além do teatro, os membros do grupo, que são formados em esco­las de teatro de renome na capital, também já participaram de alguns projetos audiovisuais. Christian Ma­riano, produtor e ator do Grupo Car­roça, e Júlio Maciel, diretor da peça e membro do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, falam exclusivamente sobre o processo de criação do es­petáculo As aventuras do Cavaleiro Andante e seu fiel escudeiro. A parce­ria teve início ainda em 2017, e levou cerca de 10 meses para que se che­gasse ao resultado que vem sendo apresentado nas escolas.

O PROCESSO

De acordo com Christian Maria­no, a opção por um diretor com a ex­periência de Júlio Maciel faz parte da busca por novas perspectivas no amplo universo do teatro. “Ser diri­gido pelo Júlio foi talvez a melhor es­colha que fizemos em 2017, quan­do estávamos cheios de vontade de beber na fonte de algum diretor que pudesse acrescentar novas perspec­tivas ao grupo, e isso de fato ocorreu de forma plena e definitiva”, conta. O produtor acrescenta que, apesar dos obstáculos logísticos, o compro­metimento da equipe com a parce­ria prevaleceu durante o processo. “Mesmo sabendo das dificuldades que a distância e o tempo acarreta­riam, Júlio não deixou esmorecer nem o seu trabalho enquanto dire­tor, nem o nosso trabalho enquan­to atores-pesquisadores”.

Para Christian, o legado da par­ceria traz inúmeros benefícios para o teatro realizado em Goiás, e demonstra a seriedade do traba­lho do grupo na concepção de cada novo espetáculo. “A disciplina, a ge­nerosidade, a inteligência, a ousa­dia, a paciência e, acima de tudo, a perseverança em nosso labor são o que ficam de toda essa experiência vivida tão intensamente nesses 10 meses de trabalho ininterrupto em torno da obra de Cervantes, e que se materializa no palco como um belo espetáculo”. O produtor explica ain­da que o Grupo Galpão sempre foi uma referência para os membros do Carroça, e que através da parceria com Júlio Maciel puderam absor­ver mais diretamente o modo de tra­balho desenvolvido em mais de 30 anos de história do grupo mineiro.

O DIRETOR

De acordo com Júlio Maciel, uma ampla pesquisa foi realizada para que a essência da obra fosse preservada durante a adaptação. “Sabíamos que nosso Dom Qui­xote era para a rua e escolas, com o foco no público jovem, então tínha­mos de buscar uma maneira de nos aproximar deste público através do teatro popular, sem perder a poesia contida no romance”, explica o dire­tor. “No processo estudamos filmes de cavalaria, grupos como Monty Python, gags circenses e o cinema mudo. Através de exercícios de dra­maturgia e jogos de improviso dos atores fomos construindo nosso en­redo, tentando preservar as aventu­ras mais importantes e centrando nossa história na relação de Quixo­te com seu escudeiro Sancho Pança”.

Várias dúvidas surgiram dian­te da responsabilidade de adaptar um dos maiores clássicos da litera­tura de todos os tempos, como con­ta Júlio Maciel. “Quixote leva con­sigo, além de um elaborado jogo entre humor e poesia, uma miría­de de histórias paralelas que não caberiam em nossas pretensões. Tínhamos de fazer opções. Trazer a história para o nosso tempo? Trans­formar nosso Quixote em um herói brasileiro? Usar o romance como inspiração para uma criação origi­nal? Após vários experimentos dra­matúrgicos optamos por comprimir o romance e tentar de forma verti­ginosa acompanhar toda a traves­sia do nosso anti-herói, no intuito de fazer com que nosso jovem es­pectador se visse compelido a bus­car o romance e se deleitar com a sua leitura integral”.

Além da parceria com Júlio, o Grupo Carroça contou com vários outros esforços durante o perío­do que transitaram entre Goiânia e Belo Horizonte para dar vida à peça, como Diego Bagagal, ator mi­neiro radicado na Europa, e a fi­gurinista do grupo, Elmira Inácio, que, segundo Christian, “trabalhou incansavelmente dentro da con­cepção imagética que a obra suge­re e o resultado foi inevitavelmente um figurino primoroso e impecá­vel, que dialoga com toda a propos­ta desta adaptação”. Por fim, Chris­tian lembra o dramaturgo goiano Hugo Zorzetti, que faleceu em de­zembro do ano passado. Zorzetti e o Grupo Carroça já trabalharam juntos em várias ocasiões, como no espetáculo Tartufo, mais uma vez, que foi apresentado em várias escolas em maio do ano passado.

“AS AVENTURAS DO CAVALEIRO ANDANTE E SEU FIEL ESCUDEIRO”

Onde: Centro de Educação em Período Integral Dom Abel (Rua 260, Setor Universitário)

Quando: Hoje (sexta-feira, dia 18 de maio)

Horário: 19h

Entrada Franca

 

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