Basquete sob sol e chuva
Redação DM
Publicado em 8 de abril de 2017 às 02:44 | Atualizado há 9 anos
Faça chuva ou faça sol. Todas as terças e quintas-feiras, a professora de basquete Wagnér de Oliveira Pinto pega os seus materiais, abarrota o seu veículo e passa os seus ensinamentos da modalidade para crianças de todas as idades. A profissional comanda um dos projetos de iniciação esportiva mantidos pelo governo estadual, que é oferecido gratuitamente para a população.
Até o ano passado, Wagnér, 68 anos,conhecida por seus alunos e pela comunidade do basquete como “Da Roça”, comandava as suas aulas no Ginásio Rio Vermelho, na Avenida Paranaíba. No começo do ano, a professora foi surpreendida com a notícia de que seria transferida, por uma questão de ajustes de horário.
“Eu não entendi o motivo da mudança. A quadra do Rio Vermelho sempre foi destinada ao basquete. Para mim daria para organizar os horários sem ter que tirar nenhuma atividade de lá. Faltou vontade”, ressaltou Da Roça.
Atualmente, são ministradas no Rio Vermelho aulas de futsal, vôlei e karatê. Wagnér foi transferida pela admnistração da Seduce para o Ginásio do Setor dos Funcionários, mas preferiu ocupar a quadra em frente à entrada do Parque Mutirama, sobre o Túnel Jaime Câmara, espaço público sob responsabilidade da admnistração municipal.
O espaço não tem cobertura, e os alunos são expostos ao sol das 15h, ou às chuvas torrenciais do primeiro semestre. Além disso, a falta de segurança incomoda os pais dos alunos: “No Ginásio nós tínhamos segurança para deixar nosso filho e ir buscar depois. Aqui em cima do túnel não. O local é muito isolado, aberto, não tem vigilância. Toda vez que passa alguém pela mata nós ficamos um pouco apreensivos”, ressalta Hariane Tassara,29 anos, mãe do aluno Matheus Henrique, 11 anos.
“Eu até pensei em tirar ele do projeto. Mas ele ama basquete. Primeiro ele fez futsal, fez um pouco de karatê, mas hoje em dia ele só fala em basquete”, completou Hariane.
Segundo Wagnér, no Rio Vermelho eram atendidas mais de 50 crianças. Após a transferência, pouco mais de 10 continuam nas aulas de basquete. Ainda assim, ela garante que existe uma lista de espera de 96 crianças, que querem ser atendidas pelo projeto, desde que as aulas retornem ao Ginásio Rio Vermelho
“Nós temos um grupo no WhatsApp com pais e mães das crianças que faziam aula no Rio Vermelho. Todos nós queríamos que o projeto continuasse lá. Até tentamos uma resposta na Seduce, mas não adiantou”, finalizou Hariane.