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Experiência de dentro para fora

Redação DM

Publicado em 5 de maio de 2017 às 22:27 | Atualizado há 9 anos

Silvio Criciúma, é um treinador com identificação com o Goiás. Chegou ao time em 1996, onde permaneceu até 2001. Chegou no início da temporada, para comandar o time Sub-20. Com a saída de Gilson Kleina, Criciúma foi alçado ao time principal. Polivalente na época como jogador, ele mostrou também ser polivalente na função de treinador, já que enquanto treinava o profissional, também comandou jogos nas categorias de base.
No Goiás, conquistou Campeonato Brasileiro (1999), Campeonato Goiano (1997, 1998, 1999, 2000) e Copa Centro Oeste (2000 e 2001).
Além do Goiás, o treinador também passou por Criciúma, onde iniciou e terminou sua carreira de atleta profissional, Atlético-PR, Sport, Figueirense, Portuguesa e Santo André, foram outras equipes que Silvio Criciúma atuou em sua carreira.
São 9 jogos à frente do Goiás e a possibilidade de conquistar o seu primeiro título como profissional. Criciúma sabe que logo após o Goianão, vai voltar a comandar o Sub-20, no entanto, o projeto traçado pela diretoria do Goiás é ousado, e pretende que ele assuma a equipe mais adiante e seja por um longo período.

Entrevista – Silvio Criciúma

Pedro Hara: Você disputou finais contra o Vila Nova, de Goiano e também da Copa Centro Oeste. Qual era a sensação de jogar contra o Vila Nova?
Silvio Criciúma: Um jogo especial, como todo clássico. Como em todo estado tem sua grande rivalidade, aqui também é Goiás e Vila. Eu sou de um tempo que a gente teve certa superioridade nos confrontos contra o Vila Nova, em campeonatos importantes, marcantes. A Série B de 1999, o jogo que o Goiás subiu foi contra o Vila Nova. A (Copa) Centro-Oeste, conquistando título. Jogos tecnicamente muito bons, a torcida presente, essa final mostrou uma grande rivalidade novamente, não teve problemas de violência com a torcida. Que seja o recomeço daqueles grandes clássicos com estádio lotado

PH: Qual que é a sensação de talvez o primeiro título ser no time em que você fez história?
SC: O título tem uma representatividade muito grande, conquistar título é muito difícil para treinador e para atleta. Grandes profissionais, renomados, às vezes você vai olhar o currículo tem poucos títulos. Eu estou tendo essa oportunidade de disputar uma final de campeonato, e em um lugar de muita representatividade, porque é o Goiás, onde eu joguei por 5 anos, com conquistas, identificação. Tudo isso torna o sabor bem mais especial para poder conquistar o título.

PH: A passagem pelo Goiás foi a mais marcante da sua carreira ou o Criciúma tem um lugar maior no seu coração?
SC: O Goiás e o Criciúma são bem parecidos. No Criciúma eu comecei minha carreira profissional e a encerrei. Dei início na parte técnica, fiz 280 jogos com a camisa do Criciúma e participei de dois dos três títulos nacionais, além de conquistas regionais. No Goiás, foram cinco anos com sete títulos, com até então o primeiro título nacional, o tetra inédito, depois o penta. São dois times que representam muito na minha vida. Carrego o nome do Criciúma no futebol, sendo batizado aqui no Goiás. Eu recebi o nome de Criciúma aqui no Goiás. Nas duas equipes conquistei títulos, isso marca positivamente, além de ter um relacionamento profissional com imprensa, torcida, funcionários, muito bom.

PH: Quais as mudanças que você nota nos clássicos da década de 90, onde você atuou para os clássicos de hoje?
SC: Talvez um perfil diferente de atleta, não estou aqui para dizer se é melhor ou pior, existe uma diferença, hoje Goiás e Vila estão na Série B, o Atlético na Série A. Um nível de igualdade um pouco diferente, do que era a alguns anos atrás, quando o Goiás se mantinha na Série A, fazia boas campanhas na Copa do Brasil e ganhava a maioria dos estaduais. Hoje está havendo um nivelamento maior pela situação das equipes, principalmente a nível nacional. E talvez isso faça com que mude um pouco o perfil do atleta que vista a camisa. A rivalidade é saudável, desde que jogue pra frente, jamais querendo que uma equipe vá mal, para que fique encobrindo aquilo que não é o futebol melhor dentro de campo. Essas coisas fizeram essa mudança, mas que bom que a gente está resgatando, eu lembro que nos campeonatos anteriores o público era muito pequeno, na semifinal, na final. E agora é um atrativo Goiás e Vila na final, 22 mil pessoas no primeiro jogo. A expectativa é de um público bem maior, eu acredito muito em 40 mil pessoas, para a gente reviver os grandes tempos de Vila e Goiás.

PH: Em 1999 você foi campeão goiano defendendo a equipe do Goiás, mas a derrota que marca muito foi o 5 a 3. Quais as lembranças você tem desse jogo? Como vocês estavam naquela época?
SC: Esses 5 a 3, ele marca mais para o Vila Nova. Esses 5 a 3, ele foi um pouquinho falso no meu entendimento. Aos 11 minutos do segundo tempo, o jogo estava 3 a 1, em uma condição de igualdade dentro de campo. Vamos resumir para um 2 a 0, esse placar se tira a qualquer momento. Se voltar um pouco antes do 3 a 1 e imaginar que nós fizemos 2 a 0 no primeiro tempo, que o Vila teve um jogador expulso, que nós tivemos um pênalti que era para o atleta do Vila Nova ser expulso, e nós fizemos 3 a 0. No lance seguinte, o Antônio Pereira (árbitro do jogo), inventou um pênalti e expulsou um zagueiro nosso, até ali, tinha uma forte tendência para o Goiás fazer 4 a 0, 5 a 0, naquele jogo. Acho que tem motivo para comemorar realmente, mas eu faço a defesa daqueles 5 a 3, porque aquele foi o primeiro de cinco clássicos no ano de 1999. Aquele foi o primeiro, o Vila Nova estava a 2 pontos na nossa frente e com a vitória ficou a 5 pontos, em um campeonato de pontos corridos. No returno nós ganhamos e terminamos o campeonato sendo campeão com 10 pontos na frente do Vila Nova. Depois nós tivemos mais três clássicos na Série B. Um na fase classificatória, 1 a 0 para o Goiás. Depois mais dois no quadrangular final e nós vencemos ambos por 1 a 0. Então o 5 a 3 ficou pequeno, perto das outras grandes vitórias que a gente teve sobre o Vila.

PH: Você já passou algo para os seus comandados, sobre como não repetir os erros que o Goiás cometeu naquela época?
SC: Eu testemunhei para os atletas, porque imediatamente após a derrota, o Vila se agarrou a essa possibilidade do 5 a 3, a virada do Barcelona por 6 a 1 e tem seus motivos para buscar os argumentos para se fortalecer para a final. Eu relatei o 5 a 3 da forma que foi, os outros jogos que o Goiás mesmo sendo inferior, mesmo não apresentando um futebol melhor que o Vila Nova, ganhou o jogo. E final de campeonato é isso, é competitividade. O 3 a 0 nosso agora não retratou o que foi a partida, o jogo poderia ter sido 1 a 1, 2 a 2, 2 a 1 para qualquer lado, mas o Goiás foi efetivo, o Goiás cresce nas horas decisivas, cresceu e fez valer esse momento bom de decisão, sendo cirúrgico e matando esse primeiro jogo, construindo uma boa vantagem para a segunda partida.

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