Faltam 13 dias: Neymar não é o único lesionado da Copa, mas segue como principal alvo da crítica
Léo Carvalho
Publicado em 29 de maio de 2026 às 12:15 | Atualizado há 2 meses
Lesões musculares, cirurgias e desgaste físico colocam estrelas do futebol mundial sob monitoramento médico às vésperas da Copa de 2026 | Foto: Lucas Figueiredo/CBF
A situação de Neymar é a mais debatida do momento pela redes sociais e pela imprensa brasileira. O atacante do Santos sofreu uma lesão muscular grau 2 na panturrilha direita e pode perder a estreia da Seleção Brasileira na Copa. O problema se soma a uma sequência de contusões recentes que incluem ruptura do ligamento cruzado, lesões musculares na coxa e problemas no tornozelo desde o período em que defendia o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Nos últimos três anos, o brasileiro ficou mais de sete meses afastado por problemas musculares.
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Mesmo lesionado, Neymar segue sendo tratado como peça central do Brasil de Carlo Ancelotti. E é justamente nesse ponto que surge a discussão levantada nas redes sociais e na mídia: outros astros também convivem com problemas físicos, mas raramente enfrentam o mesmo nível de cobrança, desgaste de imagem e questionamentos pessoais direcionados ao camisa 10 brasileiro.
O goleiro Alisson, do Liverpool, por exemplo, também chega cercado por dúvidas físicas. O titular da Seleção Brasileira passou os últimos meses tratando uma lesão muscular na coxa direita e ficou afastado de jogos importantes na Inglaterra antes de retornar aos treinamentos. Apesar disso, a repercussão sobre sua condição física foi predominantemente esportiva, sem grande desgaste pessoal.

Raphinha, destaque do Barcelona e um dos principais nomes ofensivos da Seleção, sofreu lesão muscular na coxa direita durante amistoso do Brasil e virou preocupação tanto para o clube espanhol quanto para a comissão técnica brasileira. O atacante chegou a ser cortado de compromissos da Seleção e desfalcou o Barcelona por semanas na reta final da temporada europeia.

Na Argentina, Messi também chega à Copa administrando desgaste físico. O astro do Inter Miami enfrentou problemas musculares recentes e teve sua preparação monitorada pela comissão técnica argentina. No último domingo (24), o camisa 10 deixou a partida contra o Philadelphia Union após sentir a parte posterior da coxa. Em nota, o Inter Miami informou que o jogador apresentou uma “sobrecarga associada à fadiga muscular na posterior da coxa”, sem detalhar a gravidade da lesão. Ainda assim, a narrativa em torno de Messi costuma ser mais ligada à preservação física de um veterano multicampeão do que a críticas pessoais ou questionamentos públicos sobre comprometimento.

A França também vive preocupação com Kylian Mbappé, principal jogador do Real Madrid e da seleção francesa. O atacante enfrentou desgaste físico e controle de carga na reta final da temporada europeia, algo tratado como gerenciamento natural de um atleta decisivo às vésperas da Copa.

Na Espanha, o jovem Lamine Yamal, sensação do Barcelona, também chega à Copa cercado por preocupação física. O atacante sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda durante a partida contra o Celta de Vigo, em 22 de abril, e ficou afastado dos gramados por cerca de um mês. Desde então, iniciou um processo gradual de recuperação, passando do repouso absoluto para atividades na academia e, posteriormente, para trabalhos no campo.
Em recuperação, Yamal trabalha para estar à disposição da Espanha na estreia da Copa diante de Cabo Verde, segundo o jornal espanhol As. Mesmo assim, a abordagem da imprensa em torno do jogador foi voltada à proteção e ao cuidado com uma promessa de apenas 18 anos, sem a mesma carga de críticas pessoais vista em outros casos.

O uruguaio Arrascaeta, do Flamengo, também convive com problemas físicos às vésperas da Copa do Mundo. O meia passou por cirurgia no fim de abril após sofrer uma lesão na clavícula e precisou da fixação de uma placa na região. Em recuperação, o jogador se apresentou à Seleção Uruguaia para dar sequência ao tratamento e já iniciou trabalhos leves, incluindo atividades com bola de basquete.
Apesar da questão médica, Arrascaeta foi mantido na pré-lista de Marcelo Bielsa para o Mundial e trabalha para ficar à disposição do Uruguai durante a competição. Diferentemente do que ocorre em outros casos, a situação do camisa 10 uruguaio vem sendo tratada majoritariamente sob a ótica da recuperação física e da importância técnica para a seleção.

Já Achraf Hakimi, lateral do Paris Saint-Germain e principal nome da seleção de Marrocos, também chega à Copa cercado por preocupação física. O jogador sofreu uma ruptura nos músculos isquiotibiais da coxa direita no fim de abril, durante uma partida do PSG contra o Bayern de Munique, e virou dúvida para o torneio.
A lesão muscular grave tirou o atleta da reta final da Champions League, e desde então o departamento médico marroquino corre contra o tempo para recuperá-lo. Mesmo diante do quadro, Hakimi foi incluído pelo técnico de Marrocos na lista final da Copa, evidenciando a importância do lateral para a equipe africana.

O cenário mostra que a Copa de 2026 será disputada sob forte impacto físico nos principais elencos do mundo. A diferença, porém, está na forma como cada caso é interpretado.
Em Messi, Mbappé ou Alisson, a lesão costuma ser vista como consequência do calendário pesado do futebol mundial. Em Neymar, frequentemente a discussão ultrapassa o campo e se transforma em debate sobre comportamento, comprometimento e legado.
Parte das críticas ao brasileiro encontra respaldo no histórico recente de contusões e na dificuldade de manter sequência física nas últimas temporadas. Mas o contraste apontado nas redes sociais também revela como Neymar segue sendo a figura mais polarizadora do futebol brasileiro: mesmo lesionado, continua no centro de todas as discussões.
