Federação Argentina é investigada pelo FBI por suspeita de fraude durante Copa do Mundo
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 8 de julho de 2026 às 15:38 | Atualizado há 2 horas
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, ao lado de Claudio Tapia, que comanda a Federação Argentina | Foto: MICHAEL REAVES/Getty Images via AFP
As autoridades dos Estados Unidos abriram uma investigação para apurar possíveis irregularidades financeiras envolvendo a Associação do Futebol Argentino (AFA). O inquérito, conduzido pelo FBI e pelo Departamento de Justiça americano, analisa operações realizadas por meio do sistema bancário do país e busca identificar se houve crimes como fraude bancária e lavagem de dinheiro. As informações foram divulgadas pelo jornal argentino La Nación.
De acordo com a publicação, a apuração procura esclarecer como recursos ligados à entidade esportiva circularam por instituições financeiras norte-americanas e se parte dessas movimentações pode ter infringido a legislação dos Estados Unidos. O caso envolve valores que somam centenas de milhões de dólares.
Além da análise da documentação financeira, os investigadores começaram a ouvir pessoas que possam contribuir com o inquérito. Uma das oitivas já realizadas foi a do empresário Guillermo Tofoni, que prestou depoimento por videoconferência durante cerca de três horas a procuradores federais e agentes do FBI das unidades de Washington e Miami.
Os investigadores também buscam reunir informações sobre a administração da AFA, comandada por Claudio “Chiqui” Tapia, e sobre a atuação do dirigente Pablo Toviggino nas operações analisadas.
Empresa responsável pela gestão financeira entra na investigação
Uma das frentes do inquérito concentra-se na TourProdEnter LLC, empresa do produtor teatral Javier Faroni. A companhia era responsável por administrar a cobrança de contratos internacionais firmados pela Associação do Futebol Argentino com patrocinadores e parceiros comerciais.
Segundo a investigação, a empresa desempenhava papel estratégico na movimentação desses recursos, razão pela qual passou a ser considerada peça-chave para compreender o fluxo financeiro da entidade.
A análise é conduzida pelos procuradores Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, que também investigam operações realizadas pela sócia da empresa, Erica Gillette, utilizando bancos sediados nos Estados Unidos.
Investigadores analisam destino dos recursos
Os documentos reunidos até o momento apontam que a TourProdEnter LLC administrou pelo menos US$ 260 milhões, cerca de R$ 1,34 bilhão, em receitas vinculadas à AFA. As operações passaram por instituições como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Agora, as autoridades procuram rastrear o destino desses valores e verificar se as transferências apresentavam justificativas compatíveis com a atividade exercida pela entidade esportiva.
Parte das movimentações chamou a atenção dos investigadores. Conforme revelou o La Nación, aproximadamente US$ 57 milhões, o equivalente a cerca de R$ 294 milhões, foram destinados a empresas e outros beneficiários sem que a documentação analisada demonstrasse, até o momento, uma justificativa econômica considerada suficiente para essas operações.
Além da apuração financeira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avalia ouvir ex-integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei que tiveram acesso a informações relacionadas à AFA. A expectativa é que os depoimentos auxiliem na reconstrução da estrutura financeira utilizada pela entidade em seus contratos internacionais e contribuam para esclarecer se houve práticas que possam resultar em responsabilização criminal perante a Justiça norte-americana.