Marrocos busca nova semifinal na Copa com projeto da monarquia e base forte
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 9 de julho de 2026 às 12:02 | Atualizado há 1 hora
Seleção do Marrocos comemora classificação e tenta repetir campanha histórica da Copa do Mundo de 2022 | Foto: Sebastian Frej/Getty Images
O Marrocos está nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 e enfrenta a seleção da França nesta quinta-feira (9), a partir das 17h (de Brasília). A equipe é a única africana ainda viva na competição e tenta repetir ao menos o desempenho da última edição, quando chegou à semifinal e perdeu justamente para os franceses, por 2 a 0.
O sucesso recente e a ascensão dos Leões do Atlas têm relação com a monarquia local e o investimento nas categorias de base.
Um projeto do rei
O forte investimento de Marrocos no futebol nacional teve início a partir de 2007, quando o rei Mohammed 6º investiu milhões de euros na construção de um complexo. O projeto serviu como base para formar novos talentos e melhorar a qualidade da seleção.
Inaugurado em 2009 e ampliado em 2019, o Complexo Mohammed 6º de Futebol foi construído na região metropolitana de Rabat, capital do país. Atualmente, o espaço conta com 11 campos de futebol, hotéis de luxo, hospital e museu e se tornou sede oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol) na África.
As instalações já foram utilizadas por gigantes europeus, como o Real Madrid, no Mundial de Clubes de 2022.
Dentro de campo, quem comandou o processo de captação e formação de atletas foi o marroquino Nasser Larguet, com larga história no Olympique de Marselha, clube francês. O profissional foi escolhido a dedo pelo rei e passou meses viajando pelo país para recrutar os primeiros nomes.
Foi Larguet o grande responsável por convencer Hakimi a defender a seleção de Marrocos, por exemplo. O lateral formado no Real Madrid nasceu na capital espanhola e foi abordado pelo ex-jogador.
O marroquino também trabalhou com outros atletas, como Brahim Díaz, do Real Madrid, e Azzedine Ounahi, do Girona — autor de dois gols nas oitavas de final contra o Canadá na atual edição da Copa do Mundo.
O projeto cresceu e minicentros foram sendo criados em todo o país. Nesta quinta-feira (9), existem núcleos de formação de atletas em Marrakech, Casablanca, Fez e Tânger.
Os resultados na base e profissional
A seleção de Marrocos fez história na Copa de 2022 ao chegar à semifinal. O desempenho se tornou o melhor da história entre os africanos na competição e pode se repetir em 2026.
Para a atual edição, a federação trocou de comando técnico e apostou em Mohamed Ouahbi, que estava na seleção sub-20. A expectativa era trocar um estilo de jogo reativo para algo mais propositivo.
“Para ter jogadores muito bons, você precisa de treinadores muito bons e educadores muito bons”, afirmou Nasser Larguet ao The Athletic, braço esportivo do jornal The New York Times.
Ouahbi nasceu na Bélgica e atua na formação de jogadores. Jeremy Doku e Youri Tielemans, por exemplo, foram nomes que passaram por seu trabalho e nesta quinta-feira (9) estão na Copa do Mundo, pela seleção belga.
O futebol profissional marroquino se tornou um reflexo do trabalho desenvolvido nas categorias de base pela federação — e do qual o próprio Ouahbi participou. O treinador chegou ao posto máximo da seleção após vencer a Copa do Mundo sub-20 em 2025, com um 2 a 0 sobre a Argentina na final.
Desde 2018, Marrocos tem enfileirado campanhas de sucesso nas categorias de base. O país foi tricampeão do Campeonato das Nações Africanas (2018, 2020 e 2024), além de vencer a Copa Africana sub-23 (2023) e sub-17 (2025) e o Mundial sub-20 (2025).
Outras campanhas foram as quartas de final do Mundial sub-17 (2023) e o bronze nos Jogos Olímpicos de Paris (2024). (UOL/FOLHAPRESS)