Esportes

Ruim com bola no pé, prodígio com taco na mão

Redação DM

Publicado em 16 de janeiro de 2016 às 07:05 | Atualizado há 10 anos

La Romana, República Dominicana Na infância em Santana do Livramento, a cidade gaúcha fronteiriça com Rivera, no Uruguai, Herik Machado não gostava muito de jogar pelada porque “era ruim de bola”. Em trajetória nem tão incomum no golfe, cruzou uma fronteira mais difícil de superar que a de simplesmente atravessar a aduana e mudar de país: praticar o esporte conhecido como o dos meninos ricos, e se destacar neste seleto clube.

O clube, no caso, era o Campestre de Santana do Livramento, perto da casa de Herik, uma família de classe média baixa, com a mãe e mais oito irmãos (o pai faleceu ainda na sua infância). Com dez anos, entrou num projeto social do clube, onde também passou a trabalhar como caddie (carregador de tacos).

O talento que faltava no futebol logo apareceu com a bolinha menor: aos 18 anos, é bicampeão brasileiro e campeão sul-americano juvenil, e tido como a principal promessa do futuro do golfe brasileiro. Desde 2014, mora na capital Porto Alegre, onde recebe Bolsa Atleta e um salário para defender o Belém Novo Golfe Clube nos torneios nacionais.

— Minha mãe não queria que eu fosse para Porto Alegre, a convenci, sonhava em jogar golfe. Acho que agora ela já aceita melhor — brinca, após se classificar para a rodada final do Campeonato Latino-Americano amador (LAAC) de golfe, que termina amanhã na República Dominicana.

Promovido pela R&A e pela Associação de Golfe dos Estados Unidos (USGA), o LAAC reúne, em sua segunda edição, 107 dos melhores golfistas jovens de 29 países da América Latina atrás do grande prêmio: uma vaga no Masters de golfe, principal torneio do mundo, disputado no Augusta National Golf Club, nos EUA.

Da delegação de seis brasileiros, quatro sobreviveram ao corte que levou os 50 melhores para a final do LAAC, hoje e amanhã. Herik liderou o torneio durante parte do primeiro dia, na quinta-feira, até cometer erros nos buracos 16 e 17, já no final do campo.

— Precisei de três tacadas a mais no 16 (a bola caiu nas pedras junto ao mar caribenho). Tentei recuperar a calma, mas errei no 17. Paciência é decisivo — analisa Herik, que leva a experiência dos tempos de caddie. — O caddie é importante, é a pessoa com quem você conversa no campo, te acalma. Mas se falar muito, também pode te deixar nervoso.

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