Seleção do Irã terá restrições de entrada nos EUA durante a Copa do Mundo de 2026
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 8 de junho de 2026 às 16:28 | Atualizado há 1 hora
Equipe iraniana precisará viajar diariamente entre México e EUA durante a competição | Foto: Reprodução/Instagram
A Seleção do Irã enfrentará uma logística incomum durante a disputa da Copa do Mundo de 2026. De acordo com informações divulgadas pelo embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, os integrantes da equipe terão autorização para entrar nos Estados Unidos apenas nos dias das partidas, sendo obrigados a retornar ao México logo após os compromissos válidos pelo torneio.
A delegação ficará concentrada em Tijuana, cidade mexicana localizada próxima à fronteira com os Estados Unidos. A mudança ocorreu após dificuldades relacionadas à emissão de vistos para membros da equipe em meio às tensões diplomáticas e militares entre os dois países.
Segundo Pasandideh, os jogadores poderão cruzar a fronteira na manhã dos jogos e deverão deixar o território norte-americano no mesmo dia. A medida afeta diretamente a preparação da seleção iraniana, que disputará todas as partidas da fase de grupos em cidades dos Estados Unidos.
O Irã integra o Grupo G da Copa do Mundo ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Durante a primeira fase, a equipe terá dois compromissos em Los Angeles e outro em Seattle.
Vistos geram impasse para delegação iraniana
Além das restrições de deslocamento, a seleção ainda enfrenta dificuldades relacionadas à documentação de parte da delegação. Segundo autoridades iranianas, 15 integrantes do grupo continuam sem visto para entrar nos Estados Unidos. Entre eles estão dirigentes e membros da comissão técnica.
A situação já havia sido alvo de manifestações da embaixada iraniana na Turquia, que criticou a decisão das autoridades norte-americanas de liberar a entrada dos atletas e da comissão técnica considerada essencial, mas negar a autorização para outros representantes da delegação.
A polêmica ganhou força após declarações do embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack, que confirmou a emissão dos vistos destinados aos jogadores e profissionais necessários para a participação da equipe no Mundial. Posteriormente, a Casa Branca também confirmou que os atletas receberam autorização para viajar ao país.
Ainda assim, representantes iranianos classificaram a negativa de vistos para parte da delegação como um ato de discriminação contra o país. De acordo com a agência de notícias Fars, mais de uma dezena de integrantes das equipes médica e esportiva tiveram os pedidos recusados, além do presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.
As restrições estariam relacionadas, em parte, a possíveis vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica. Em ocasiões anteriores, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que pessoas ligadas à organização não teriam permissão para ingressar no país. Mehdi Taj, que já integrou a corporação, havia sido impedido de participar do sorteio da Copa do Mundo realizado em dezembro.
Diante das incertezas envolvendo a concessão de vistos, a federação iraniana decidiu transferir sua base de preparação de Tucson, no estado do Arizona, para Tijuana, no México. A delegação tem chegada prevista ao território mexicano após um período de treinamentos na Espanha.
Para o governo iraniano, a presença da seleção na competição, mesmo diante das restrições impostas e do atual cenário de conflito, representa uma oportunidade de demonstrar disposição para o diálogo e a convivência pacífica por meio do esporte.
Tensão entre Irã e Estados Unidos impacta preparação para a Copa
A edição de 2026 também marca um fato inédito na história da Copa do Mundo. Será a primeira vez, desde a criação do torneio em 1930, que uma das nações participantes disputará partidas em um país com o qual mantém um conflito militar em andamento.
Enquanto a competição se aproxima, o cenário geopolítico segue tenso. Poucas horas após confirmar a entrada dos jogadores iranianos, os Estados Unidos anunciaram novos ataques aéreos contra instalações ligadas ao Irã, alegando riscos à segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Paralelamente, negociações diplomáticas continuam em busca de um possível acordo para reduzir as hostilidades entre os dois países.