Sem Neymar, Seleção de Ancelotti chega à Copa sem protagonista
Léo Carvalho
Publicado em 1 de abril de 2026 às 10:54 | Atualizado há 4 meses
Brasil alterna desempenho em amistosos e segue sem definir protagonista às vésperas da Copa | Foto: Reprodução
A Seleção Brasileira entra no ciclo final para a Copa do Mundo de 2026 sob uma mudança estrutural que vai além do comando técnico. A falta de constância de Neymar, ausente por “questões físicas” e sem presença contínua no grupo, pode encerrar um período de mais de uma década em que o time orbitava ao redor de um jogador capaz de decidir jogos em cenários adversos.
Leia também
Brasil faz 3 a 1 na Croácia e Danilo e Endrick pedem passagem para Copa
Carlo Ancelotti, reconhecido por sua gestão de elenco e capacidade de potencializar talentos, encontra um cenário diferente daquele que o consagrou em clubes europeus. No Brasil, há diversidade ofensiva, mas falta um nome que concentre responsabilidade criativa e protagonismo em alto nível de forma constante.
Nos últimos ciclos, mesmo com críticas, Neymar mantinha números e influência claros. Era o articulador, o finalizador e, muitas vezes, o ponto de equilíbrio emocional em jogos decisivos. Sem ele, a Seleção Brasileira apresenta um jogo mais distribuído, porém menos previsível — o que pode ser virtude tática, mas também um problema em partidas de alto nível, onde decisões individuais costumam definir resultados.
Capacidade técnica, mas sem protagonismo
Jogadores como Vinícius Júnior, Raphinha, Rodrygo (fora da Copa por lesão) e outros nomes da nova geração têm capacidade técnica reconhecida, mas ainda não consolidaram, com a camisa da Seleção, o mesmo impacto contínuo observado em clubes. A oscilação de desempenho e a ausência de uma hierarquia clara dificultam a construção de uma identidade ofensiva sólida.
Ancelotti tende a apostar em um modelo mais coletivo, com variação de protagonismo conforme o jogo. Ainda assim, a história recente das Copas indica que seleções campeãs contam com figuras centrais bem definidas, capazes de assumir o controle em momentos críticos.
A ausência de Neymar, portanto, não representa apenas a falta de um jogador, mas de uma referência. Até aqui, o Brasil ainda busca esse nome. E o tempo até a Copa coloca pressão sobre a comissão técnica para transformar talento disperso em protagonismo concreto.
Convocação da Seleção
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou, no dia 16 de março de 2026, a última convocação da Seleção Brasileira de Futebol antes da definição final para a Copa do Mundo de 2026, com foco nos amistosos preparatórios.
Nos amistosos, o Brasil foi derrotado pela França, por 2 a 1, e venceu a Croácia, por 3 a 1, em partidas utilizadas como testes finais antes da lista definitiva. Diante dos franceses, a equipe teve dificuldades na criação e pouca efetividade no setor ofensivo em um jogo de maior exigência técnica. Já contra os croatas, apresentou maior controle da posse de bola e volume ofensivo, mas sem transformar a superioridade em domínio claro ao longo de toda a partida.
Os resultados reforçaram um padrão observado ao longo do ciclo: o time consegue competir coletivamente, mas carece de um jogador que concentre decisões em momentos-chave. Sem a presença constante de Neymar, a seleção distribui responsabilidades, porém ainda não apresenta um nome que assuma, de forma contínua, o papel de protagonista em jogos de alto nível.
A lista definitiva para o Mundial está prevista para o dia 19 de maio, quando serão anunciados os 26 jogadores que representarão o país. A etapa deve consolidar as escolhas de Carlo Ancelotti e indicar, na prática, quem assumirá maior protagonismo na equipe. Até lá, a avaliação recorrente em parte da emocionada imprensa brasileira é de que a Seleção Brasileira, sem o seu principal camisa 10, Neymar Jr., pode brigar pelo título, mas, claro, desde que não precise enfrentar Espanha, França, Argentina ou Inglaterra.