Imigrante, mãe, doula. Maternidade que virou paixão e profissão
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2023 às 23:04 | Atualizado há 3 anos
Quando uma mulher decide morar no exterior, a cultura sempre é um grande desafio. Mas especificamente para as mulheres os costumes, leis e culturas locais só quem vive na pele vai entender o real sentido.
Mulheres que decidem ser mães, podem sofrer grandes resistências em relação a liberdade de escolha. Mais especificamente em relação a gravidez, período do pré-natal e o ápice do processo que é o parto.
A goiana Thainy Macêdo criada na cidade de Morrinhos hoje com 29 anos, vive desde seus 11 anos de idade em Bruxelas, Bélgica. E tem como profissão cuidar de grávidas, se formou em babywearing que no português é doula
Sua função é especificamente cuidar da saúde mental da grávida, acompanha a grávida durante todo seu processo de gravidez, com sessões terapêuticas de conversação para que a grávida se sinta o mais confortável possível e que tenha uma gravidez tranquila.
O Brasil tem a segunda maior taxa de cesáreas do mundo, atrás apenas da República Dominicana aproximadamente 55% dos partos realizados no país são cesáreas. Se considerarmos a realidade no sistema privado de saúde, a proporção sobe para 86%.
Na Bélgica País em que vive a goiana a taxa atualmente oscila entre 21% a 12% levando em consideração variações importantes entre hospitais, e os partos cesáreos são praticados somente em casos de um problema com a mãe ou o bebê. O parto normal é sempre a primeira opção nesse País. De acordo com o centro federal de expertise de cuidados com a saúde da Bélgica.
Conversamos com Thainy Macêdo para conhecer mais sobre sua experiência nessa área tão específica.
Como foi pra você a escolha dessa profissão?
Eu me tornei doula depois de ter sido mãe, fiz meu curso aqui na Bélgica. E depois de ter tido um parto não tão maravilhoso como eu achei que seria.
Houve algum episódio em que você decidiu que deveria seguir nessa profissão?
No meu parto eu senti que fui muito maltratada, não me senti respeitada, e eu fiquei imaginado no meu parto que se isso aconteceu comigo, logo eu que tinha me formado falo as duas línguas do País (francês e neerlandês), fiquei imaginando o que estaria acontecendo com as outras brasileiras que chegam aqui não falam nem o francês, não conhecem a cultura. Imaginei que elas estariam sofrendo muito.
E suas clientes são todas brasileiras?
80% das minhas clientes são brasileiras, porque elas querem pelo menos falar a língua materna delas ali na hora do parto, mas tenho muitas clientes de todos os cantos do mundo.
Qual a média de partos você costuma acompanhar?
No ano passado em 2022 eu acompanhei 22 partos.
Como é esse seu acompanhamento com as mulheres grávidas?
É um suporte emocional e informativo, eu não faço nenhum ato médico, mesmo eu tendo conhecimento eu não faço. Eu não vou aferir a pressão, eu não vou medir o tamanho da barriga da gestante. Eu cuido do estado emocional dela, tanto dela quanto do parceiro ou da parceira.
Quais os tipos de casos que você já atendeu?
Eu já acompanhei todos os tipos de casos, já acompanhei casais homo afetivos sendo duas mulheres, fertilização in vitro, parto cesáreo, parto pélvico. Vou adquirindo experiências ao longo do processo.