Caneta emagrecedora experimental “Retatrutide” circula ilegalmente em Goiás e acende alerta sanitário
Redação Online
Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 20:03 | Atualizado há 6 meses
Mesmo sem registro, versões contrabandeadas ou falsificadas da substância já circulam em Goiás
Apontada como uma das maiores apostas da indústria farmacêutica no combate à obesidade, a Retatrutide é um medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly. A substância atua simultaneamente em três receptores hormonais ligados ao controle do apetite e do metabolismo, GLP-1, GIP e glucagon, mecanismo mais amplo do que o de medicamentos já conhecidos, como Ozempic e Mounjaro.
Ensaios clínicos preliminares indicaram redução de até 30% do peso corporal após cerca de 68 semanas de uso. O desempenho aproximou o medicamento de resultados antes associados apenas à cirurgia bariátrica, o que impulsionou grande interesse popular e expectativas elevadas em torno da chamada “caneta do efeito bariátrica”.
Apesar da repercussão, a Retatrutide não possui autorização para venda. O produto segue em fase três de testes clínicos nos Estados Unidos e não recebeu aval da FDA nem da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não existe, portanto, versão legalizada disponível no mercado brasileiro ou internacional.
Mesmo sem registro, versões contrabandeadas ou falsificadas da substância já circulam em Goiás. A procura por emagrecimento rápido estimulou um comércio ilegal, sem controle sanitário, que expõe consumidores a riscos desconhecidos. Autoridades identificaram vendas realizadas de forma informal, inclusive com uso de máquinas de cartão.
Em novembro, uma mulher foi presa após vender ilegalmente a suposta caneta de Retatrutide. O delegado Humberto Teófilo afirmou que todo produto anunciado como Retatrutide no Brasil é falsificado. Segundo ele, usuários assumem o papel de cobaias ao utilizar uma substância sem procedência comprovada.
Plataformas digitais que mapeiam compras no Paraguai já listam a Retatrutide, com preços entre 160 e 320 dólares. As canetas emagrecedoras figuram entre os itens mais apreendidos em rodovias federais no estado, o que reforça a dimensão do comércio ilegal.
A Anvisa proibiu a importação, fabricação, venda, propaganda e uso de medicamentos à base de agonistas do GLP-1 sem registro no país. O órgão destacou que esses produtos não passaram por avaliação de segurança, eficácia ou qualidade e que a circulação irregular motivou ações para proteger a saúde pública.
A agência esclareceu que a importação de medicamentos sem registro só ocorre em situações excepcionais, para uso pessoal e com prescrição médica, cenário que não se aplica aos casos investigados. As resoluções em vigor barram qualquer modalidade de comércio dessas substâncias no Brasil.
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