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Argentina descarta retaliação após Brasil rebaixar relação diplomática

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Publicado em 5 de agosto de 2026 às 11:49 | Atualizado há 59 minutos

Milei e Lula nunca tiveram reunião bilateral | Foto: Getty Images/Reuters
Milei e Lula nunca tiveram reunião bilateral | Foto: Getty Images/Reuters

A Argentina não pretende adotar nenhuma medida diplomática em resposta à decisão do Brasil de reduzir o nível de representação entre os dois países. A posição foi reafirmada nesta quarta-feira (5) pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno.

Segundo o chanceler, Buenos Aires considera a iniciativa brasileira unilateral, mas não pretende transformar o episódio em uma nova escalada diplomática.

“Do lado nosso, não vai ter nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer”, afirmou Quirno durante uma coletiva de imprensa. Ele também disse que o governo argentino continua disposto a preservar o diálogo com Brasília.

A crise ganhou força depois de novos ataques verbais do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da sequência de declarações, o governo brasileiro comunicou à Argentina que as relações passariam a ser conduzidas no nível de encarregados de negócios.

A decisão também envolve a representação diplomática. O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi chamado de volta para Buenos Aires. Do lado brasileiro, o embaixador Julio Biletti permanece em Brasília, sem previsão de retorno à Argentina. A embaixada brasileira em Buenos Aires ficará sob a condução do ministro-conselheiro Eduardo Uziel.

A crise entre os governos de Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva se intensificou após novos ataques públicos | Foto: REUTERS


Argentina critica decisão brasileira

Em comunicado divulgado na terça-feira (4), a chancelaria argentina afirmou lamentar o que classificou como uma decisão tomada unilateralmente pelo Brasil. O governo de Milei também acusou Brasília de adotar uma postura motivada por questões ideológicas.

A pasta argentina afirmou ainda que, em episódios anteriores envolvendo divergências políticas entre autoridades dos dois países, Buenos Aires teria optado por não transformar declarações públicas em crises institucionais.

Para o governo argentino, as relações entre os Estados não deveriam ser condicionadas às disputas políticas ou aos interesses dos presidentes que ocupam o poder em determinado momento.

Relação entre Milei e Lula é marcada por tensão

A deterioração do relacionamento ocorre em um contexto de forte distância política entre Milei e Lula. Desde que o argentino assumiu a Presidência, os dois não realizaram um encontro bilateral oficial.

A situação se agravou após Milei fazer novos ataques contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes durante a Convenção Nacional do Partido Liberal, em São Paulo, em 25 de julho. Na ocasião, o presidente argentino usou termos ofensivos ao se referir às autoridades brasileiras.

No dia seguinte, Raimondi foi convocado pelo Itamaraty para prestar esclarecimentos. Posteriormente, novas declarações de Milei contra autoridades brasileiras aumentaram a tensão.

O Brasil já havia chamado seu embaixador na Argentina para consultas e, segundo fontes diplomáticas, a sequência de manifestações do presidente argentino foi interpretada como um sinal de que Buenos Aires não estaria disposta a reduzir o tom das críticas.

Com o rebaixamento diplomático, a relação entre Brasil e Argentina passa a ser conduzida por encarregados de negócios, em vez de embaixadores. A mudança representa um novo capítulo de tensão entre dois dos principais países da América do Sul, embora o governo argentino tenha sinalizado que não pretende responder com uma medida equivalente.


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